1º encontro do GT Juventude na Agricultura Familiar: identificando elementos que podem contribuir para a evasão do jovem do campo.

06/04/2018
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O primeiro encontro do Grupo de Trabalho (GT) Juventude na Agricultura foi realizado em São Paulo e teve como objetivo alinhar os participantes em relação à proposta de trabalho do Bota na Mesa em 2018, bem como resgatar um breve panorama das discussões e estudos sobre a juventude rural no Brasil. A agenda, que já vem sendo foco de atuação de uma extensa rede de organizações, ganha força diante do potencial da juventude em tornar o campo um espaço de inovação, tecnologia e sustentabilidade.  

A fim de proporcionar um momento para que o grupo se conhecesse, os participantes prepararam em conjunto de uma salada de frutas, seguido de uma rodada de apresentações. 

Na expectativa de aprofundar as discussões que apoiarão a construção das diretrizes, o FGVces guiou o grupo na realização da “dinâmica do iceberg”, um exercício que possibilita explicitar os diferentes olhares que os atores têm sobre a evasão da juventude. Foi possível mapear em grupo os padrões, estruturas e modelos mentais que sustentam a realidade hoje estabelecida.  

Muitos dos desafios discutidos são comuns a agricultura familiar em geral, tais como os baixos e instáveis rendimentos, a falta de políticas públicas atentas às especificidades do grupo, e a insuficiência de assistência técnica. Há, entretanto, questões específicas da juventude. “O jovem quer inovar, trazer novas tecnologias, mas o pai não deixa porque ele sempre fez assim” – disse Fernanda, jovem agricultura de Mogi das Cruzes.  Nesse sentido, são também desafios a serem enfrentados: as relações no interior da família, as escolas e cursos técnicos, comumente não adaptados à realidade rural; a falta de representatividade de jovens em espaços de governança e o estigma do rural como um lugar de atraso, em que se pratica uma agricultura de subsistência, que afeta diretamente a identidade dos jovens.  

Após consolidar as discussões do encontro e nivelar o entendimento sobre o desafio da evasão do jovem, o FGVces reuniu um consistente material que será a base para a construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar. Nas próximas semanas, o momento será de ampliar as articulações com organizações e iniciativas que estão tendo experiências relevantes no tema, a fim de preparar o segundo encontro do grupo, em maio de 2018. 

Quem estava presente?
  • Jovens agricultores familiares de cooperativas de Mogi das Cruzes, Piedade e Vale do Ribeira
  • Coca-cola
  • Nestlé
  • Souza Cruz
  • Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD – Casa Civil)
  • Coordenadoria de Assistência Técnica Integral de Mogi das Cruzes e São Paulo (CATI – SAA/SP)
  • Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (SENAR-SP)
  • Solidaridad Network
  • Technoserve