Agenda climática e produção de alimentos: Bota na Mesa avança na construção de diretrizes e reúne atores para discutir sobre Mudança do Clima

15/05/2019
COMPARTILHE

A agenda climática e a produção de alimentos

O desafio de alimentar a população não significa apenas produzir alimentos em quantidade suficiente. Além da preocupação com a segurança alimentar e nutricional, acrescenta-se ainda a necessidade de promover sistemas produtivos que respondam, de forma ampla e veloz, ao desafio climático.

Nesse contexto, diversos estudos apontam que os agricultores familiares se destacam entre os públicos mais vulneráveis. Para fortalecê-los e torná-los mais resilientes, seria necessário um esforço sistemático de empresas e governos, seja compartilhando responsabilidades, seja criando políticas de curto, médio e longo prazo, com foco em promover a adoção de sistemas produtivos adaptados à mudança do clima e de baixa emissão de carbono. 

Essas discussões apontam para a importância do tema e para a necessidade de articular os principais atores do sistema agroalimentar para a criação de referências de atuação. Com esse objetivo, o projeto Bota na Mesa dá continuidade à construção de diretrizes para inclusão da agricultura familiar e inaugura as discussões no tema de Mudança do Clima.  


GT Mudança do Clima: encontro inaugural

Após um trabalho inicial de articulação, pesquisas e entrevistas, reunimos em São Paulo cerca de 20 representantes de diversos elos da cadeia de alimentos: agricultores, cooperativas, redes varejistas, academia, fundações, prefeituras e organizações da sociedade civil.  

Na primeira parte do encontro, realizamos uma roda de conversa com o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Assad, para discutir sobre os impactos da mudança do clima na produção de alimentos.

Assad utilizou casos recentes de perdas na soja, no café e na laranja para ilustrar que as flutuações climáticas serão cada vez mais frequentes e trarão impactos para toda a cadeia de alimentos. Elas afetam desde a renda dos produtores até o preço que chega na gôndola dos mercados. 

No que tange ao fortalecimento dos pequenos produtores, Assad menciona diversos desafios, que passam por transferência de tecnologias de forma acessível e em escala, acesso a recursos financeiros e mudanças culturais. Algumas soluções são bem simples, como ele destacou algumas vezes: “Precisamos plantar mais árvores!”.

Mesmo com os desafios, o clima entre os presentes foi de otimismo, partindo da leitura de que o Brasil pode ocupar um espaço de protagonismo e ser uma referência internacional em termos de produção agrícola aliada à conservação ambiental. 

A segunda parte do encontro foi dedicada a discussões em grupos a fim de mapear os principais caminhos relacionados ao fortalecimento da agricultura familiar no contexto da mudança do clima. Foram destaques: plataformas de articulação e intercâmbio para influenciar políticas públicas, instrumentos financeiros tais como seguros agrícolas e crédito, com foco nas culturas dos pequenos produtores (frutas, verduras, legumes) e disseminação de sistemas integrados de produção. 


Próximos passos

O próximo encontro do GT sobre mudança do clima acontecerá em maio de 2019 e terá a presença de convidados que representam possíveis caminhos e soluções aos desafios mapeados. Além disso, o segundo encontro também tem como foco identificar elementos essenciais que devem integrar as diretrizes no assunto bem como as responsabilidades de empresas e governos em cada um deles. 

Veja aqui o relato na íntegra do 1º encontro do Grupo de Trabalho Mudança do Clima   

 

Organizações presentes neste encontro: 

Associação Rio Preto, Associação Agrícola de Valinhos e Região, Banco de Alimentos – Pref. Municipal de Itanhaém, Concepta Ingredients, Coopafasb, Cooperagua, Cooperapas, Cooperativa Agrícola Sul Brasil São Miguel Arcanjo, Cooperativa dos Agricultores Familiares de Ibiúna e Região, Danone, Embrapa Informática Agropecuária, FGVces, Fundação Cargill, FUNAI, ICLEI, Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), INPE, SENAR, TNC, Walmart, WWF. 

 

Sobre o Bota na Mesa 

Em 2019, o projeto Bota na Mesa dá continuidade ao processo de construção de diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar. Por meio de discussões junto a um grupo múltiplo e plural de atores, e amparado por pesquisas e publicações no assunto, serão construídas recomendações em dois novos temas: mudança do clima e transição agroecológica. Além disso, o Bota na Mesa irá inaugurar a frente de trabalho de implementação das diretrizes junto a representantes de empresas e governos.