Macro Imersão: Alcateia em campo

Turma do FIS 9 sai de sala para aprofundar e encarar na prática a complexidade das áreas protegidas brasileiras 23/10/2014
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Por Milene Fukuda (GVces)

Criar um jogo de tabuleiro é tarefa árdua, e se somarmos a este desafio o tema “Gestão de Áreas Protegidas”, temos o Projeto Referência (PR) do FIS 9. A arquitetura lógica por trás de um jogo, sua aleatoriedade e o desenhar da experiência do usuário faz com que muitos se apaixonem. Foi depois de viver uma experiência no Amazonas, que os alunos do FIS 9 se juntaram a dois amantes de jogos, no Vale do Ribeira, para dar início à prototipação do PR e alcançar finalmente a curva de subida da Teoria U.

Ir a campo experimentar outra realidade faz parte do processo coformativo do FIS. A Macro Imersão é etapa fundamental na disciplina, foi por meio dela que os alunos viveram os problemas e desafios de diferentes atores envolvidos na gestão de áreas protegidas públicas e privadas brasileiras. Nesse semestre, a disciplina desafia os alunos, por meio do Projeto Referência (PR), a desenvolver um jogo de tabuleiro que não apenas transmita informação sobre a questão, mas também seja uma experiência lúdica, que sensibilize e gere reflexões relevantes.

As Unidades de Conservação (UCs) são áreas protegidas criadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), podem ser federais, estaduais e municipais, e são dividas em categorias. São relevantes por serem áreas extensas destinadas à preservação da biodiversidade e manutenção na qualidade de vida das pessoas. A riqueza natural do país já é conhecida, no entanto, o cenário de conservação brasileiro assusta. Somos o país que investe R$ 4,00 por hectare, diminui o tamanho de suas áreas de protegidas e parece não enxergar valor nos patrimônios culturais e naturais, que são fonte de serviços ecossistêmicos.

De acordo com estudo da LCA e do Semeia, o país tem oportunidade de explorar um mercado bilionário, quase o PIB do Mato Grosso do Sul, com potencial de geração de renda ligada ao turismo em UCs. Durante a Imersão, o turismo foi um dos focos aprofundados. No início da viagem, ao chegar em Manaus, os alunos se digiram a comunidade ribeirinha do Tumbira, que integra a categoria de UCs como Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), e conversaram com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) sobre o Programa Bolsa Floresta e com líderes comunitários.


RDS são de domínio público e nela a população tradicional pode realizar atividades econômicas sustentáveis. O turismo de base comunitária é forte na região do Rio Negro, os roteiros e atividades foram desenvolvidos de forma coletiva junto com a população local. Foi durante visita a Comunidade Santa Helena do Inglês que os alunos conversaram com gestores de UCs, líderes comunitários, representantes do poder público, acadêmicos e institutos sobre questões relacionadas ao turismo, manejo florestal e gestão territorial.

 


Antes de se deslocarem para a Reserva Votorantim, Vale do Ribeira em São Paulo, os alunos conheceram a sede da FAS e aprenderam sobre os desafios de gestão de unidades de conservação no município de Manaus.

 

O Legado das Águas é uma reserva privada que pertence a empresa Votorantim. Foi a última etapa da viagem do FIS 9 na qual os alunos conheceram um pedaço desta área que possui 31 mil hectares de Mata Atlântica, usinas hidrelétricas e um projeto, ainda em fase de pesquisa, da empresa para com o desenvolvimento socioeconômico do entorno.
 


Foi lá que os alunos encontraram com um dos parceiros do FIS 9, os Onça, para começar a tirar da cabeça o jogo de tabuleiro sobre gestão de áreas protegidas a ser entregue no dia 10 de dezembro.

 
Fotos: Milene Fukuda