ALCATEIA: turma do FIS 9 apresenta o resultado do desafio lançado pelo Projeto Referência

Os fisers reuniram parceiros e convidados para experimentar o jogo de tabuleiro produzido pela turma, com o tema das Unidades de Conservação 19/12/2014
COMPARTILHE

Por Milene Fukuda (GVces)

As Unidades de Conservação (UCs) são espaços territoriais com características naturais relevantes que tem limites definidos e cumprem o objetivo de preservação e conservação. Para o Brasil, preservar e conservar essas áreas – que, além de patrimônios naturais, são também fontes de serviços ecossistêmicos importantes, que beneficiam comunidades e a economia em geral – é algo urgente e estratégico. Mesmo assim, o país ainda enfrenta dificuldades estruturais na preservação efetiva dessas áreas.

Nesta 9ª edição da disciplina “Formação Integrada para Sustentabilidade” (FIS), optativa oferecida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) para alunos de graduação da FGV-SP, os alunos foram convidados em seu Projeto Referência a refletir sobre o tema das UCs e o desafio da preservação de áreas protegidas no contexto brasileiro a partir de uma abordagem inovadora e criativa: criar um jogo de tabuleiro que instigue e inspire profissionais do setor público e da iniciativa privada, além de cidadãos em geral, a pensar na conservação ambiental como ponto estratégico para o futuro do Brasil.

Depois de um semestre de trabalho intenso, tanto no tema da UCs como na lógica por trás dos jogos, a turma apresentou seu trabalho final no último dia 12 em evento realizado no Salão Nobre da FGV-SP.

null

O contexto do desafio do Projeto Referência

A primeira área protegida do Brasil foi o Parque Nacional de Itatiaia, em 1937, mas foi a partir dos anos 1970 que diversas iniciativas, no sentido de criação ou reconhecimento internacional de áreas de relevante interesse ecológico ou cultural, começaram a ser discutidas e implementadas mais fortemente pelo mundo todo.

Em 2000 aconteceu uma importante modificação na estrutura de grande parte das áreas protegidas brasileiras. Foi concretizada a ambição de criar um sistema único – o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O SNUC regulamenta tipologias e categorias que antes eram espalhadas e desconexas em diferentes instrumentos legais, e também define critérios objetivos para a criação e gestão destas áreas.

Após 14 anos da criação do sistema e apesar de existirem algumas experiências exitosas na gestão de áreas protegidas públicas e privadas, o Brasil ainda está muito aquém no que diz respeito a modelos de gestão integrada de áreas preservadas, que passa por questões desde técnicos especializados para elaborar planos de manejo, segurança e fiscalização das áreas, uso sustentável e outros instrumentos econômicos e financeiros para a manutenção das áreas – por exemplo,pagamentos por serviços ambientais (PSA), fomento ao investimento privado em conservação, etc. –, até os dilemas da cogestão e das parcerias público privadas.

Os “fisers” investigaram a fundo o tema ao longo do semestre, conversando com especialistas e profissionais sobre conceitos, modelos, desafios e oportunidades. As viagens de micro e macro imersão foram essenciais para mapear políticas e práticas públicas e privadas como referências inspiradoras para cumprir com o desafio de seu Projeto Referência.

null

O desafio do Projeto Referência

Produzir um jogo de tabuleiro que apresente uma contribuição significativa à complexa questão da gestão de áreas protegidas públicas e privadas no Brasil. Este foi o desafio proposto aos alunos no primeiro dia de aula. Aturma Alcateia, do FIS 9, não apenas criou o jogo como também o viabilizou por meio de financiamento coletivo.

De acordo com o desafio, o jogo também deveria ir além da mera reprodução de informações, abrindo espaço para uma experiência lúdica e criativa, que gerasse um repertório para conversas e reflexões relevantes e que sensibilizasse os jogadores a ampliarem seu conhecimento, criarem sentido e tomarem posições.

“Foi um processo de construção intenso e o conhecimento sobre o tema que faz parte do Projeto Referência foi fundamental para decidirmos o que queríamos do jogo”, disse Jéssica Chryssafidis, da turma Alcateia do FIS 9. “Nossa intenção é que fazer com que pessoas como nós, que entramos no FIS sem saber nada sobre unidades de conservação, saibam que elas existem, que o tema é complexo e que temos que investir nelas. Não tivemos a pretensão de esgotar todas as possibilidades do tema, mas sim dar um despertar inicial para algo tão complexo.”

null

O jogo: Missão Vera Cruz – Redescobrindo o Brasil

O nome do jogo reforçou a proposta do jogo em “redescobrir” o Brasil: “Vera Cruz”, um dos primeiros nomes utilizados pelos descobridores portugueses para denominar o futuro território brasileiro. Para a turma, a escolha de Vera Cruz é uma forma de dizer que, ao descobrir as áreas protegidas, o jogador redescobre o Brasil em sua essência.

Os fisers reuniram parceiros e convidados para uma noite de jogos no Salão Nobre da FGV-SP. Apresentaram o desafio proposto e explicaram a dinâmica do jogo para enfim darem início à diversão. Ao término da partida, a banca avaliadora composta por Maria Eugenia (Itaú), FrineiaRezenda (Votorantim), Ana Luisa da Riva (Instituto Semeia), Daniel Stein (especialista em jogos), Douglas Simões (ABETA), Guilherme Franco (ex-fiser) e Nelson Lerner Barth (coordenador da graduação da FGV-EAESP) deram o parecer do produto final do FIS 9.

O parceiro Fabiano Onça Games, que ajudou na prototipação e produção do “Missão Vera Cruz”, também esteve presente no evento. “Fazer um jogo com 16 pessoas é um desafio em tanto, foi um processo muito rico e tivemos sorte em termos alunos criativos e tão colaborativos”, comentou Fabiano Onça.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)