Antropoceno: do que estamos falando?

O caminho das Iniciativas Empresariais para a compreensão dos aprendizados e desafios dessa realidade. 12/08/2020
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O ciclo de 2020 das Iniciativas Empresariais (iE) do FGVces tem como proposta a promoção de diálogos, construção de conhecimento e reflexões críticas dos representantes das empresas-membro, em torno do que a teoria e a realidade nos trazem sobre o Antropoceno, uma época geológica marcada por mudanças significativas no Planeta, causadas pela ação humana. 

De março até agosto, foram 10 encontros virtuais, um percurso intenso de aprofundamento e escuta aos temas e questões que compõem o debate acerca das atividades empresariais no Antropoceno. Como não seria possível evitar, todo o percurso vem sendo atravessado pelas experiências que o grupo vive diante da pandemia: estratégias e planejamentos sendo alterados nas empresas, equipes se modificando, incertezas sobre o presente e sobre o futuro, riscos se tornando reais, áreas e agendas da sustentabilidade ganhando ou perdendo força.

Nesse contexto, as iE buscam manter os temas iniciais propostos para o ciclo no centro das conversas – crise climática, desigualdades sociais e cadeias de valor - sempre com um olhar para as mudanças ao redor, que afetam diretamente as pessoas e as organizações. 


Para tanto, os encontros 5 e 6, trouxeram um exercício de análise de casos sob diferentes perspectivas. O encontro 5 trouxe casos empresariais com potencial de transformação, implementados ao redor do mundo, para que o grupo refletisse sobre os significados de ‘transformação sistêmica”, a realidade no sentido do bem comum, justiça social e da sustentabilidade. No encontro seguinte, foram compartilhados casos e ideias de iniciativas das empresas participantes, para reflexão a partir da própria prática e para o aprimoramento a partir das contribuições do grupo, pensando em como podemos nutrir esse novo momento e as mudanças que queremos promover.

O encontro 7 apresentou três paradigmas econômicos: da Economia Neoclássica, da Economia Ambiental e da Economia Ecológica. O mergulho nesses paradigmas e nas premissas que os sustentam e que reproduzimos em diversos níveis, proporcionaram uma reflexão sobre a transição necessária para vivermos e gerirmos as organizações, respeitando os limites da natureza, os sistemas sociais e colocando a economia como um subsistema destes dois. 

O “novo normal”, imposto pela pandemia, foi o tema do 8º encontro. O objetivo não era um exercício futurista, mas reconhecer e aprender com o passado e trabalhar no presente, no sentido das mudanças que queremos. O levantamento sobre os indícios de um “novo normal” ocorreu para diversas áreas e apoiaram conversas sobre os vetores trabalhados em 2020, com convidados especialistas em desigualdades, cadeia de valor e mudanças climáticas. 

No 9º e 10º encontros, foram reunidos e sistematizados os aprendizados e desafios percebidos pelo grupo durante este semestre e selecionados aqueles que queremos levar adiante. Durante esse exercício, um dos pontos interessantes foi o reconhecimento da correlação entre a representação gráfica da Economia Ecológica e dos vetores trabalhados no ciclo, adicionados da camada “pandemia” e sob a ótica do Antropoceno.

Outro ponto importante, levantado na análise e categorização dos desafios, foi a percepção de que a pergunta “como fazer” (como dialogar com diversos atores e stakeholders, por exemplo) é mais forte do que a pergunta “o que fazer”. “Como fazer” parece ser o maior desafio identificado pelo grupo.

Os desafios sentidos pelo grupo, serão levados para os encontros do 2º semestre, momento em que os participantes, junto com a equipe do FGVces, identificarão as ações e contribuições que querem desenvolver a fim de apoiar as transformações necessárias para um “bom” Antropoceno.