Bota na Mesa lança publicação e debate aprendizados até o momento

Além de apresentar a publicação, a equipe do GVces também reuniu atores de diversos setores ligados à comercialização da agricultura familiar para discutir aprendizados e perspectivas do projeto. O Projeto Bota na Mesa busca mobilizar cadeia de alimentos em grandes centros urbanos com objetivo de construir uma cadeia mais justa e inclusiva, promovendo a conservação ambiental e segurança alimentar 30/03/2017
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A trajetória do primeiro ciclo do projeto (agosto de 2015 a agosto de 2016) foi destacada no último dia 16 de março, com a realização de uma oficina na FGV-SP. O encontro começou com a apresentação da publicação Bota na Mesa - Ciclo 1 em Revista, que sistematiza os aprendizados adquiridos pela equipe do GVces com os agricultores familiares e com uma empresa âncora do setor varejista.

Além de apresentar a publicação e os resultados do primeiro ciclo, foi também o momento de ampliar os debates sobre os desafios da comercialização de frutas, legumes e verduras encontrados até o momento no projeto e colher contribuições para a frente de formação do Bota na Mesa, junto a 9 organizações de produtores participantes.  Ao final de 2016, foram construídos planos de ação com o objetivo de acessar um novo mercado. Esses planos estão sendo colocados em prática no segundo ciclo do projeto, que está em curso, com apoio da equipe do Bota na Mesa.

Estiveram presentes na oficina, além de representantes das cooperativas e associações participantes do projeto, diversas organizações ligadas à comercialização de produtos provenientes da agricultura familiar, dentre elas a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), Prefeitura de São Paulo, Prefeitura de Mogi das Cruzes, Grupo Marche, Walmart, Instituto Chão, LivUp e Raízs. Os atores discorreram sobre os desafios existentes na negociação entre canais de comercialização e organizações de agricultura familiar e as soluções conjuntas para a comercialização dos produtos.

Apesar desses canais terem formas de atuação distintas, muitos dos desafios enfrentados por eles para comercializar produtos da agricultura familiar são semelhantes. Foram levantadas questões ligadas a logística, como a dificuldade de um agricultor em realizar entregas ponto a ponto – sejam esses pontos escolas da rede pública ou unidades de uma grande rede de supermercado. Muito se falou também sobre o desequilíbrio existente no relacionamento entre um pequeno agricultor e um grande canal de comercialização. Outro ponto bastante debatido foi o papel do consumidor que, uma vez mais conscientizado, pode pressionar a cadeia de fornecimento para que ela reflita melhor a realidade do campo, buscando produtos de acordo com a sua sazonalidade e local de produção e exigindo informações sobre a origem do que consome.

A troca de experiências permitiu que também fossem levantadas ali soluções protagonizadas por um grupo que podem inspirar a atuação de outros. A prefeitura de Mogi das Cruzes, por exemplo, buscando resolver a questão da entrega em cada uma das escolas dos produtos direcionados para a merenda, incluiu no contrato de compra o valor do frete, possibilitando assim à cooperativa contratar um operador logístico capaz de chegar a todos os destinos.

Ficou evidente após o evento que a promoção de diálogo, envolvendo uma diversidade de atores e permitindo a aproximação entre as realidades de produtores e compradores, tem potencial transformador e é um dos caminhos que levam a uma maior inclusão da agricultura familiar na cadeia de produção, distribuição e consumo de alimentos.

A publicação Bota na Mesa - Ciclo 1 em Revista está disponível gratuitamente aqui.

Fotos: Yantra/GVces