Bota na Mesa | Mudança do Clima

26/03/2019
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Por que mudança do clima?

O estudo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que um possível aumento de 1.5ºC na temperatura média da atmosfera é cada vez mais certo. Fruto das ações humanas dos últimos séculos, essa elevação já tem sido responsável por mudanças irreversíveis no sistema climático global. Dentre diversos cenários já previstos para diferentes regiões do Brasil e do mundo, é possível identificar um consenso na comunidade científica: eventos extremos serão mais frequentes e intensos. Isso significa, por exemplo, fortes chuvas concentradas em poucos dias, períodos longos de seca e temperaturas mais altas. 

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, essa nova realidade traz riscos alarmantes para a cadeia de agricultura e alimentação, com destaque para a interrupção da cadeia de abastecimento e a volatilidade nos preços dos alimentos (FAO, 2016). Essas, além de serem questões de interesse público, por afetarem o desenvolvimento econômico e social de diversas famílias, também se configuram como fontes de risco para a viabilidade das empresas do setor. 

Neste contexto, os agricultores familiares se destacam por sua alta vulnerabilidade, em função principalmente das fragilidades socioeconômicas e do baixo acesso a recursos e a tecnologias capazes de torná-los mais resilientes (ASSAD, et al, 2013).  Por isso, e tendo em vista seu papel fundamental para a produção de alimentos, os pequenos produtores precisarão de mais suporte para se adaptar às mudanças do clima, trazendo, ao mesmo tempo, mais resiliência aos ecossistemas.

 

Qual o nosso objetivo?

Construir diretrizes públicas e empresariais que promovam a adaptação dos agricultores familiares às mudanças do clima e a sua capacidade de criar sistemas produtivos de baixa emissão de carbono, gerando valor efetivo para as famílias e resiliência para os ecossistemas. Para isso, este grupo de trabalho irá identificar os fatores de vulnerabilidade deste público, as oportunidades de adaptação diante dos impactos das mudanças do clima e discutir sobre o papel de empresas e governos para promover essa mudança. 

 

Quais desafios estão em discussão?

Em um contexto de maiores incertezas climáticas, os agricultores familiares precisarão adotar formas mais resistentes e intensivas de produção. O primeiro (e grande) desafio se relaciona à necessidade de uma comunicação direcionada a este público, que seja capaz de trazer informações claras e objetivas sobre os impactos da mudança do clima e sobre as vantagens de adotar formas de cultivo mais resilientes. 

Além disso, é necessário estruturar políticas e programas de transferência de tecnologias que tornem viável uma produção mais intensiva e que permitam administrar de forma precisa as variações de temperatura, a incidência solar, os nutrientes do solo e a água. Além do papel de empresas e governos em fomentar avanços em termos da inovação e da criação de soluções, viabilizando casos “piloto”, faz-se necessário dar amplitude e escala a experiências que apresentaram bons resultados a nível regional.

Em termos de recursos, apesar da existência de linhas de crédito específicas, como o Plano ABC e o Pronaf Agrofloresta, a adesão é ainda muito baixa se comparada ao volume dos recursos disponíveis. Essa constatação aponta para a falta de informação sobre esses recursos e para as dificuldades no processo de acessá-las. É necessário, portanto, um esforço coordenado de capacitação dos atores envolvidos, a fim de que os instrumentos financeiros sejam efetivos. 

Por fim, e sem esgotar o conjunto de desafios ainda a serem discutidos e aprofundados neste grupo de trabalho, existe o desafio de viabilizar que outras funções sejam exercidas pelas pequenas propriedades. Conforme destaca o relatório do Banco Mundial Impactos das mudanças climáticas na produção agrícola brasileira, cita-se como exemplo a proteção e manutenção das paisagens –  baseada em pagamentos por serviços ambientais – e a geração de energia por fontes renováveis. 

 

Encontros do grupos de trabalho

Ponto focal deste grupo de trabalho

Jéssica Castro Chryssafidis | jessica.chryssafidis@fgv.br