Bota na Mesa | Pilotos

Empenhados em implementar as ações previstas no Plano de Ação, organizações participantes do Bota na Mesa realizam reuniões com os representantes dos novos mercados que desejam acessar. Estão sendo realizados pilotos: momento previsto para aproximar os elos da cadeia e alinhar expectativas para uma futura proposta de comercialização. 17/05/2017
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Aproximar os elos da cadeia de alimentos em grandes centros urbanos e promover o diálogo é a missão sobre a qual se debruça o projeto Bota na Mesa. Mas o que de fato isso significa? Quais são as ações concretas que podem ser realizadas nesse sentido? 

A partir dessas inquietações, o Bota na Mesa e as organizações participantes estão realizando pilotos de comercialização, com o objetivo de estabelecer um primeiro contato das organizações de produtores com o mercado que se deseja acessar. Seguindo as ações pactuadas no Ciclo 1, e tendo em vista o canal de comercialização escolhido por cada organização, o GVces se propõe a articular reuniões e encontros entre os produtores e os representantes dos mercados, tais como prefeituras, varejistas e atacadistas. 

Veja abaixo como foram as primeiras experiências piloto de algumas das organizações: 

 

Cooperativa Sul Brasil São Miguel Arcanjo visita atacadista Benafrutti

Ao longo do trabalho desenvolvido em parceria com o Bota na Mesa, a Cooperativa demonstrou interesse em acessar redes varejistas, desde que a qualidade de seus produtos seja reconhecida. Além de mercados regionais, a cooperativa se mostrou interessada em conhecer a infraestrutura e a da Benafrutti, empresa atacadista especializada em frutas e legumes de padrão premium, parceira da rede de supermercados St. Marche. 

Assim, em dezembro de 2016, o GVces acompanhou a Cooperativa Sul Brasil São Miguel Arcanjo, em uma visita à Benafrutti. Na ocasião, estavam presentes Francisco e Roberto, produtores e integrantes da gestão da cooperativa, Maria Luiza, gerente de compras da rede varejista St. Marche, e Luci e Luís, da Benafrutti, além da equipe do Bota na Mesa. 

Principais resultados

No piloto, ficou claro para os envolvidos que o grande desafio do setor está em estabelecer relações de confiança e transparência. Entraves contratuais materializam pontos sensíveis na relação entre varejistas e pequenos produtores, especialmente no que tange a preços, prazos e descontos financeiros.

Da aproximação realizada, houve abertura de ambas as partes para a possibilidade de comercialização e de construção de uma parceria, que se inicie em pequenos passos, com testes de entregas e volumes reduzidos.  

 

Agricultores familiares da COOPAVAT participam do Dia de Cidade no CEAGESP

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) se destaca como o maior entreposto comercial da América Latina. Em uma área de 70 hectares dentro da capital paulista, são comercializados diariamente 12 mil toneladas de frutas, legumes e verduras. Números colossais, que retratam a magnitude do debate de abastecimento de alimentos e grandes centros urbanos. 

O plano de ação da cooperativa COOPAVAT tem em vista uma aproximação aos atacadistas do CEAGESP, de modo a tornar as vendas mais seguras e empoderar os produtores para negociar preços mais atrativos. Buscando indicar os passos necessários para uma aproximação maior das formas de comercialização disponíveis no CEAGESP, o Bota na Mesa marcou uma reunião entre representantes da cooperativa e Centro de Qualidade em Horticultura do entreposto no dia 30 de novembro de 2016.

Na ocasião, os agricultores tiveram a oportunidade de conversar sobre critérios de qualidade exigidos pelos mercados, padrões para precificação e formas de negociação possíveis entre agricultores e permissionários ali instalados, que podem ser desde a venda indireta, por meio de intermediários, até a gestão de um espaço próprio, que demanda tempo e outros tipos de qualificação, mais ligadas à gestão. Dando uma volta, após a conversa, pela área onde são expostas as hortaliças, os agricultores puderam ver o ponto final da cadeia. Alguns viram produtos seus, que haviam sido entregues mais cedo para intermediários que ali estavam vendendo a um preço mais alto. Foi uma amostra de como funciona uma cadeia e das possibilidades para encurtá-la. 

Principais Resultados

Do piloto realizado entre a COOPAVAT e o CEAGESP, a lição é a de que nem sempre o plano inicial define a jornada a ser seguida. Entretanto, é a partir dele que surgem os aprendizados que possibilitam corrigir os rumos e tomar decisões de comercialização com maior autonomia e segurança. Para isso, é fundamental que as organizações de pequenos produtores conheçam o funcionamento do mercado desejado e os preços praticados na ponta. 

 

Equipe do Bota na Mesa acompanha ponto de venda da COOPMAIO

A COOPMAIO (Cooperativa de Agricultores Familiares 16 de Maio) está localizada em um assentamento da reforma agrária dentro da Fazenda Ipanema, na cidade de Iperó, a poucos quilômetros de Sorocaba. Ela possui, desde o meio de 2016, um ponto de venda próximo ao assentamento, e lá oferece produtos frescos colhidos por alguns cooperados. Seu objetivo é fortalecer esta venda, engajando mais produtores no negócio, para no futuro abrir mais pontos próprios de comercialização.

Em dezembro de 2016, a equipe do Bota na Mesa acompanhou um período de venda da COOPMAIO, a fim de conhecer o funcionamento do ponto e pensar em conjunto possíveis melhorias que podem contribuir para o seu sucesso.

Principais Resultados

Algumas ideias surgiram, como formas de divulgar a venda para o público que passa por lá e a adoção de uma ferramenta para controle de receitas e despesas do negócio.

Além disso, na visita, a equipe do projeto e os cooperados fizeram uma breve análise do histórico das vendas e puderam perceber que as receitas do ponto estão crescendo. Os produtores já envolvidos esperam que esses resultados parciais motivem mais cooperados a se engajarem, aumentando a oferta de produtos e compartilhando as atividades de gestão do ponto de venda.

A análise dos resultados do ponto de venda traz informações importantes para a COOPMAIO, desde um maior conhecimento sobre o comportamento das vendas e dos custos em cada dia da semana até a identificação de oportunidades para melhor atender os clientes e aumentar a receita, como oferecer mais de uma opção de pagamento. Fica claro, assim, que uma visão estratégica de negócio pode contribuir significativamente para o sucesso da comercialização de produtos da agricultura familiar.

 

Cooperativa AIPRO visita rede de supermercados local

Ao final do primeiro ciclo, a AIPRO, cooperativa de agricultores familiares localizada em Santa Isabel, construiu um plano de ação de acesso a mercado tendo como objetivo fornecer para um varejista da região. Para a cooperativa, é importante que seus produtos sejam valorizados por serem cultivados por agricultores familiares locais, e que sua comercialização contribua para a economia do município.

Assim, em março deste ano, a equipe do Bota na Mesa articulou e acompanhou uma reunião entre a AIPRO e uma rede de supermercados local de médio porte. Na ocasião, os participantes conversaram sobre a possibilidade de uma parceria para fornecimento de seus produtos que que envolva um esforço de conscientização do consumidor acerca da importância da valorização da agricultura familiar local.

Principais Resultados

Este primeiro contato com um potencial comprador traz reflexões importantes a respeito da necessidade de uma cooperativa ter conhecimento sobre diversos elementos relativos a seus produtos e serviços no momento de acessar mercados. Exemplos são custos de produção, formação de preço e comportamento da produção (ou seja, quais produtos eu posso oferecer para meu comprador em quais épocas do ano). Assim, essa experiência ilustra o papel da etapa de realização de pilotos, cujos resultados serão insumos para os próximos passos das cooperativas junto à equipe do projeto.