Bota na Mesa promove feira livre na FGV com organizações participantes do projeto

Cooperativas e associações do projeto aceitaram o convite para vender seus produtos em uma feira livre realizada dentro da FGV. Essa atividade marcou o 3º encontro integrador, cujo objetivo foi aproximar os participantes de experiências efetivas de comercialização. Foram mais de 50 caixas de frutas, verduras e legumes comercializadas, diretamente dos produtores para alunos e funcionários da FGV, além de uma roda de conversas com produtores de banana do Vale do Ribeira, que se uniram para abastecer a merenda escolar da cidade de São Paulo, além de outras 4 prefeituras do Estado 18/05/2017
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Após uma jornada de diagnóstico, oficinas de co-formação e muito diálogo, iniciada em 2015 para a construção coletiva de estratégias e planos de comercialização, a frente de formação do Bota na Mesa vai se aproximando de sua etapa final. Os esforços para definir objetivos e planejar ações serão testados e colocados em prática a partir de articulações com o mercado e reuniões com potenciais clientes. 

Foi nesse contexto, de aproximação comercial efetiva, que o Bota na Mesa realizou o terceiro encontro integrador, no dia 04 de maio, em São Paulo. Ao longo de uma manhã, a comunidade da FGV e alguns convidados puderam comprar produtos frescos, produzidos localmente, diretamente das mãos de quem produz. 

Para muitos dos participantes, ter contato direto com o consumidor final foi uma novidade. Muitas vezes acostumados com a venda para intermediários, a experiência da feira pôde inspirar os agricultores para formas alternativas de comercialização. A diversidade de produtos entre as cooperativas e associações foi um dos fatores observados: teve produtos in natura convencionais, orgânicos, produtos semi processados e embalados, geleias e doces e plantas alimentícias não convencionais (PANCs). 

Chamou a atenção a oportunidade de ver o trabalho do campo valorizado. “Pode até ser que o intermediário não valorize seu produto, mas o consumidor final eu pude ver que sim”, disse Fernando, da Associação Isabelense de Produtores Rurais (AIPRO). Diferentemente da venda para intermediários, poder explicar quais os atributos nutricionais dos produtos, bem como a maneira como foram produzidos, foi motivo de inspiração, tanto para quem comprou quanto para quem vendeu. “A vantagem de estar diante do consumidor é que você tem a visão do que ele estampa no rosto. O produtor consegue ver o reconhecimento do seu trabalho nos clientes”, conta Rose, produtora da COOPERAPAS, a cooperativa de agricultura orgânica de parelheiros, zona sul de São Paulo. 

Em uma conversa entre os agricultores após a feira, também ficou evidente que dentro da diversidade de produtos e de formas de produzir, existem algumas tendências que despontam na preferência do consumidor, como a pelos orgânicos. No entanto, os próprios produtores de orgânicos e convencionais chegaram a um consenso de que a produtividade do convencional ainda é necessária para abastecer a população e que é necessário apoio e assistência para uma transição para uma produção cada vez mais limpa. Os produtores convencionais, ou seja, aqueles que utilizam defensivos químicos no cultivo, lembraram ainda que existe um limite aceitável para a aplicação de certos produtos, que será respeitado pelo produtor consciente.

Como forma de envolver o público interno da FGV na iniciativa, a feira teve o apoio do restaurante Rockafé, que serviu a salada do dia com os produtos orgânicos do Seu Ivo, da COOPROJUR, e os  alunos do Diretório Acadêmico e do Cultivar, um grupo de consumo da FGV que faz a compra coletiva de cestas de produtos orgânicos. 

No período da tarde, foi realizada ainda uma roda de conversa para falar sobre experiência de sucesso na comercialização teve a presença da Associação dos Bananicultores de Miracatu (ABAM), uma organização do Vale do Ribeira que, ao se organizar junto a outras seis cooperativas da região, conseguiu viabilizar a comercialização de bananas para as prefeituras de São Paulo, Santos, Guarulhos, Caraguatatuba e Taubaté. Uma história que transformou a realidade de pequenos produtores de 7 municípios, anteriormente em situação de vulnerabilidade social e econômica.