Bota na Mesa realiza Oficina de Gestão Financeira com as cooperativas do projeto

Passada a experiência com os pilotos de comercialização, o Bota na Mesa voltou a campo para uma oficina de gestão financeira com o objetivo de fortalecer as cooperativas para as negociações e vendas junto aos canais de comercialização almejados 18/05/2017
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O segundo ciclo do Bota na Mesa tem como foco de seu trabalho o apoio a cooperativas do projeto para que coloquem em prática o plano de ação para acessar novos mercados. Esse apoio até o momento já envolveu a produção de material de comunicação e a realização de pilotos de comercialização, que foram momentos de contato e reuniões com representantes de mercados desejados.

Entendendo que o controle de custos e a formulação de preços são fundamentais para o acesso a novos mercados, a equipe do Bota na Mesa elaborou uma oficina para falar sobre gestão financeira e sensibilizar os agricultores quanto à importância de fazer um planejamento financeiro da produção.

A proposta da oficina foi, a partir da realidade dos agricultores, fazer um exercício de fluxo de caixa de sua produção, considerando todas as atividades envolvidas no processo e as respectivas entradas e saídas de dinheiro, desde a plantação até o recebimento do pagamento pela venda do produto. Assim, cada cooperativa primeiro escolheu um produto, a quantidade que seria produzida e um canal de venda (idealmente o novo canal que desejam acessar). Em seguida, escolheram um período de tempo (semana ou mês) que fosse mais adequado entre plantio e colheita e foi feito um mapeamento de todas as atividades que devem acontecer em cada período até que o produto seja entregue para o canal de venda. Depois, fez-se um levantamento de custos envolvidos em cada atividade e, por fim, a soma dos custos período a período e o cálculo da receita total da venda do produto. A COOPROJUR, por exemplo, analisou o fluxo de caixa da entrega de alface para a prefeitura e a Sul Brasil optou por analisar a produção de pimentão para venda para a CAISP (Cooperativa Agropecuária de Ibiúna).

“Eu não anoto nada. Mas como a produção é pequena eu sei mais ou menos quanto eu ganho ou perco” disse um dos agricultores. Um dos motivos pelos quais a equipe decidiu incluir essa oficina nas atividades foi justamente essa percepção de que os agricultores têm pouca cultura de controle. Houve um outro agricultor que ponderou: “Se calcula sabe, se não, não sabe. A gente precisa saber o tamanho do rombo ou quanto está ganhando”.

Tanto o processo quanto o resultado do exercício suscitaram diversas reflexões e destacaram questões relevantes, como a identificação de custos e taxas demasiadamente altos e a constatação de que a venda para certos canais de comercialização não valiam a pena por pagarem preços muito baixos ou por terem frete muito alto, por exemplo. Possíveis caminhos também surgiram na conversa, como a compra coletiva de insumos, a venda de novos produtos e a união dos cooperados para resistir a pressões de preço. Ficou claro também o papel fundamental da cooperativa de combinar o valor com produtores e com mercado, fazendo a ponte entre ambos.

Oficina na AIPRO (GVces)

Além do exercício, para inspirar e demonstrar um caso em que a gestão de custos foi relevante para o acesso a novos mercados, a equipe mostrou um vídeo que relata a experiência da Associação de Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral – AGRECO, de Santa Catarina. Veja o vídeo abaixo:  

Com essa oficina, realizada com cada uma das cooperativas do projeto entre os meses de abril e maio, a equipe buscou dar mais um passo em seu objetivo de apoiar as cooperativas no acesso a novos mercados, destacando a importância do agricultor controlar as entradas e saídas de recursos em cada período e se munir de informações para negociar com os canais de venda, fomentando o comércio justo e a transparência na cadeia de alimentos.