Bota na Mesa reúne 12 iniciativas inovadoras selecionadas por meio de chamada pública

Em evento aberto foram abordadas suas contribuições aos desafios da “Mudança do Clima” e da “Transição Agroecológica”, temas do projeto em 2019 01/10/2019
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A chamada de casos já se tornou uma das etapas mais importantes do projeto Bota na Mesa. Além de ser o momento em que o projeto busca iniciativas cujos resultados podem apoiar a construção das diretrizes de atuação nos temas priorizados, é também um grande encontro, que aconteceu no dia 12 de setembro, entre protagonistas de mudanças positivas na cadeia de alimentos pelo Brasil. 

Após um longo processo que contou com uma chamada pública e uma avaliação, que levou em conta critérios como inovação, potencial de escalabilidade e de inclusão da agricultura familiar, além de sua relação com os temas “Mudança do clima” e “Transição agroecológica”, foram selecionadas 12 iniciativas dentre as mais de 80 inscritas (encontre ao final deste texto um breve resumo das iniciativas selecionadas). 

A diversidade do conjunto também foi um critério de seleção, o que permitiu que tivéssemos nesse grupo iniciativas protagonizadas por governos, empresas, ONGs e agricultores, vindas de todas regiões do Brasil e com diferentes formas de abordar os desafios da mudança do clima e da transição agroecológica: formação e capacitação, articulação, reflorestamento, acesso a mercado, dentre outras. 

Uma vez selecionadas, as iniciativas foram convidadas a passar um dia intenso na FGV com a equipe do Bota na Mesa, parceiros do projeto e convidados que atuam na cadeia de alimentos. 

Na parte da manhã, foi organizado um encontro fechado entre os representantes das iniciativas selecionadas e dois especialistas em mudança do clima (Mariana Nicolletti, do FGVces) e transição agroecológica (Carlos Armênio Khatounian, da ESALQ/USP). Após apresentarem suas iniciativas, os representantes contaram com um bate papo com os especialistas, para que pudessem fortalecer suas narrativas ligadas aos dois temas. Destacaram-se os depoimentos de mudança de vida dados pelos pequenos agricultores contemplados por alguns dos projetos selecionados, muito deles vindo de longe, como de São Félix do Xingu, no Pará, e do Seridó, no Rio Grande do Norte. 

Nessa segunda etapa do encontro, em que estiveram presentes cerca de 150 convidados, a equipe do Bota na Mesa convidou a pensadora Lia Diskin, umas das fundadoras da Associação Palas Athena e militante da agenda de cultura de paz e direitos humanos, para abrir a tarde com uma fala inspiradora que provocou os presentes a refletir sobre sua relação consigo mesmo, com os outros e com o ambiente e seu papel na criação do senso de responsabilidade necessário para promover a transformação que queremos para o mundo. Levando-se em conta que os temas trabalhados neste ano pelo Bota na Mesa carregam as palavras “mudança” e “transição”, dois movimentos que encontram resistência para serem realizados, a fala da Lia veio provocar a todos a sair da inércia, buscar maior profundidade em suas ações e se inspirarem para, assim como os casos que seriam apresentados logo a seguir, colocar em prática ideais e planos com potencial de gerar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Ainda nessa vibração, foram convidados a subir ao palco os representantes das iniciativas selecionadas para receber seu certificado das mãos da equipe do Bota na Mesa.


Dando continuidade ao encontro, e permitindo ao público do evento entrar em contato com as iniciativas que foram selecionadas, foram promovidas 3 rodas de conversa com seus representantes, divididas em temas para abordar alguns desafios da agricultura familiar que as iniciativas têm em comum: Inovação em assistência técnica, Protagonismo de organizações governamentais e Desafios dos biomas brasileiros: Amazônia e Caatinga. Dessa forma, representantes de todas as iniciativas puderam contar seu histórico, principais desafios, resultados já alcançados e perspectivas futuras. 

Na primeira roda, da qual participaram as iniciativas “Escola Itinerante de Agroecologia”, “ManejeBem”, “Programa de Desenvolvimento Territorial Rural” e “Sistema de Plantio Direto de Hortaliças”, foi possível abordar uma das questões mais presentes nas discussões do Bota na Mesa desde seu início, que é o desafio de levar assistência técnica de qualidade para os agricultores, atividade essencial para a promoção da transição agroecológica e adequação a novas realidades climáticas. O destaque da conversa foi que cada caso era representado por  um setor diferente: grande empresa, governo, start-up e sociedade civil, cada qual criando soluções diferentes para as necessidades dos agricultores, seja por meio de articulação com comunidades vizinhas, uso de ferramentas digitais ou implementação de novas práticas agrícolas. 

Na sequência, falaram representantes de casos que se destacaram por se tratarem de inovações protagonizadas por agentes públicos. Como as diretrizes do Bota na Mesa têm uma das frentes voltadas para atuação governamental, essa roda foi importante para mostrar que é possível promover transformações nessa esfera sem que questões burocráticas ou regulatórias, e até mesmo orçamentárias, sejam um empecilho. Participaram os representantes das iniciativas “Políticas Municipais de Incentivo à Fruticultura e de Pagamento por Serviços Ambientais”, “Protocolo de Transição Agroecológica do Estado de São Paulo” e “Sistema Participativo de Garantia da Região Metropolitana de Belo Horizonte” seus desafios e conquistas.  


Por último, subiram ao palco para compartilhar suas experiências representantes de iniciativas que se carcaterizam pela forte relação com o contexto climático do qual fazem parte: amazônia e semi-árido. Essas regiões possuem características muito próprias e, de certa forma, podem ser consideradas laboratórios em termos do que pode ocorrer em outros territórios em relação à mudança do clima, como alterações no regime hídrico e desertificação. A roda de conversa contou com os representantes das iniciativas “Agroflorestando a Amazônia”, “Cafés Agroecológicos da Chapada Diamantina”, “Projeto Cacau Floresta“, “Projeto Piloto de Combate à Desertificação na Região do Seridó do RN“ e “Programa Mais (Módulo Agroclimático Inteligente e Sustentável)“ suas ações para adaptação à mudança do clima, reflorestamento, incentivo a culturas mais apropriadas, dentre outras. 

Como próximos passos, a equipe do Bota na Mesa dará continuidade à construção das diretrizes, buscando construir pontes entre o que tem sido pensado nos grupos de trabalho e as descobertas proporcionadas pela chamada de casos. Até o final de 2019, o conjunto de diretrizes públicas e empresariais nos temas “Mudança do clima” e “Transição agroecológica” estarão disponíveis ao público em geral, bem como os relatos a respeito das iniciativas selecionadas.  

 

Veja abaixo as iniciativas selecionadas e seus representantes:

Agroflorestando a Amazônia

Objetivo: Promover o desenvolvimento regional pela produção agroecológica de agricultores familiares, ampliando a segurança alimentar e nutricional, a geração de renda com preservação ambiental, o envolvimento familiar e o bem viver das comunidades locais, através da gestão coletiva e integração de ações.

Organização proponente: Instituto Ouro Verde

Localidade: Alto da Floresta (MT) Contato: Alexandre - alexandre@ouroverde.org.br

 

Cafés Agroecológicos da Chapada Diamantina

Objetivo: Melhorar a produção orgânica e agroecológica dos pequenos agricultores da Chapada Diamantina por meio de melhor manejo das culturas, seleção de sementes e aumento da diversidade agrícola com árvores frutíferas locais.

Organização proponente: Cooperativa de Produtores Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina (COOPERBIO)

Localidade: Abaira, Piatã e Seabra (BA) Contato: Brígida Salgado - brigidasalgado@gmail.com

 

Escola Itinerante de Agroecologia

Objetivo: oferecer cursos e assessoria técnica em agroecologia junto às comunidades e associações de agricultores, para produção de alimentos saudáveis e serviços ambientais na porção norte da rodovia BR 319. Dentre os objetivos específicos do projeto, destaca-se a redução do desmatamento, evitando a abertura de novas áreas de produção.

Organização proponente: Casa do Rio

Localidade: Careiro e Autazes, próximo a Manaus (AM) Contato: Sidney - casadorio@casadorio.org

 

ManejeBem – A Rede Social para agricultores familiares

Objetivo: mitigar a falta de assistência técnica especializada em produção sustentável por meio de uma rede de conexão entre produtores, técnicos e pesquisadores em prol de uma agricultura mais sustentável.

Organização proponente: Maneje Bem

Localidade: Florianópolis (SC) Contato: Juliane Leminski - juliane_julieta@hotmail.com

 

Políticas Municipais de Incentivo à Fruticultura e de Pagamento por Serviços Ambientais

Objetivo: Implantar ações de proteção aos recursos hídricos, proteção, formação de fragmentos florestais e adequação ambiental da propriedade mediante o recebimento de contrapartida a ser financiada pela Prefeitura. Dentre os objetivos específicos, destaca-se que as políticas também buscam evitar o êxodo rural, devido às pressões do setor imobiliário nos imóveis .

Organização proponente: Prefeitura Municipal de Louveira

Localidade: Louveira (SP) Contato: Claudio Scalli - claudio.ga@louveira.sp.gov.br

 

Projeto Cacau Floresta

Objetivo: Promover os Sistemas Agroflorestais com cacau como alternativa de renda e de restauração florestal e assim mitigar o desmatamento nesta região. Também é destacado dentre os objetivos do projeto o potencial de influenciar a indústria de cacau do Pará, apresentando exemplos baseados em campo de cacau cultivados de forma sustentável, que podem então ser expandidos para outras regiões do Brasil e países produtores de cacau em todo o mundo.

Organização proponente: The Nature Conservancy (TNC)

Localidade: São Félix do Xingu e Tucumã (PA) Contato: Rodrigo Freire - rfreire@TNC.ORG

 

Projeto Piloto de Combate à Desertificação na Região do Seridó do RN

Objetivo: Implementar ações adaptadas a seca voltadas para redução e mitigação dos efeitos da degradação em terras susceptíveis à desertificação a partir da implantação de unidades demonstrativas de tecnologias e aprendizagens de convivência sustentável com a semiaridez.

Organização proponente: Secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças do Rio Grande do Norte (SEPLAN-RN)

Localidade: Carnaúba dos Dantas, Parelhas e Equador (RN) Contato: Fernando Mineiro - mineirorncidadao@gmail.com

 

Programa de Desenvolvimento Territorial Rural

Objetivo: participar no desenvolvimento territorial por meio do diálogo com as comunidades rurais vizinhas, fortalecendo suas organizações e redes, tendo como premissa os princípios agroecológicos.

Organização proponente: Suzano Papel e Celulose

Localidade: O programa é desenvolvido em 32 municípios dos estados de São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso e Maranhão. Contato: Giordano Bruno Barbosa Automare - giordano.automare@suzano.com.br

 

Programa Mais (Módulo Agroclimático Inteligente e Sustentável)

Objetivo: Criar um programa permanente de inclusão produtiva para pequenos e médios produtores familiares da cadeia produtiva de cooperativas e empresas agropecuárias, utilizando técnicas de agricultura regenerativas e práticas agroecológicas consolidadas para resiliência climática e recuperação das áreas degradadas das famílias produtoras.

Organização proponente: Adapta Group

Localidade: Rio de Janeiro (RJ) Contato: Daniele Cesano - daniele.cesano@gmail.com

 

Protocolo de Transição Agroecológica do Estado de São Paulo

Objetivo: estimular a transição da produção agrícola convencional para sistemas de produção mais sustentáveis como os orgânicos, agroecológicos ou naturais - aumentar a oferta de alimentos saudáveis para a população - aumentar o acesso a mercados para agricultores/as, agregando valor ao produto em transição, propiciando melhor competitividade e renda da agricultura familiar.

Organização proponente: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Localidade: São Paulo (SP) Contato: Andrea Mayumi - andreamc@sp.gov.br

 

Sistema de Plantio Direto de Hortaliças

Objetivo: Viabilizar tecnologias e processos para a transição de cultivos em sistemas convencionais de produção para sistemas com enfoque agroecológicos, apropriados a realidade da Agricultura Familiar e as demandas da sociedade por alimentos saudáveis.

Organização proponente: EPAGRI-SC

Localidade: Florianópolis (SC) Contato: Marcelo Zanella - marcelozanella@epagri.sc.gov.br

 

Sistema Participativo de Garantia da Região Metropolitana de Belo Horizonte

Objetivo: Promover a cooperação institucional para o fortalecimento da agroecologia na Região Metropolitana, Colar e entorno de Belo Horizonte, com vistas à implantação do Sistema Participativo de Garantia – SPG. Dentre os objetivos específicos da iniciativa, destaca-se a conservação integrada das unidades de conservação e áreas de amortecimento.

Organização proponente: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte

Localidade: Belo Horizonte (BH) Contato: Eulalia de Lima Gomes - eulalialima@pbh.gov.br