Bota na Mesa reúne atores da cadeia de alimentos para construir diretrizes para a promoção da transição agroecológica na agricultura familiar

15/05/2019
COMPARTILHE

A transição necessária

Sabemos que o modelo atual de produção de alimentos, altamente dependente de insumos químicos, gera uma série de externalidades negativas, como degradação dos solos, perda de biodiversidade, emissão de gases de efeito estufa e problemas de saúde para quem produz e para quem consome.

Diante desse contexto, fica evidente a necessidade de se buscar formas de garantir disponibilidade e acesso a alimentos nutritivos produzidos de maneira segura e, ao mesmo tempo, conservar os recursos naturais. Um caminho promissor reside na disseminação de práticas agroecológicas, que buscam aumentar a produtividade enquanto regeneram ecossistemas e eliminam riscos à saúde decorrentes da exposição a agrotóxicos.

A agricultura familiar, grande responsável pela produção de alimentos frescos e saudáveis, se apresenta como peça chave na criação de sistemas agroalimentares mais sustentáveis. No entanto, o contexto de muitos desses produtores é de pouco acesso a políticas públicas e mercados que ofereçam remuneração justa e contribuam para sua qualidade de vida.

Esse cenário mostra a necessidade de articular atores envolvidos na cadeia de alimentos para promover a transição agroecológica pela agricultura familiar e fortalecer mercados que reconheçam a relevância desses produtores. Para alcançar esse objetivo, o Bota na Mesa, dando continuidade à construção de diretrizes para a inclusão da agricultura familiar, inaugurou as discussões do grupo de trabalho que se dedicará a discutir o tema Transição Agroecológica.


O primeiro encontro do Grupo de Trabalho sobre Transição Agroecológica

Na manhã do dia 24 de abril, reunimos em São Paulo representantes de diversas organizações envolvidas na cadeia de alimentos com o objetivo de mapear os desafios enfrentados por agricultores familiares e mercados para adotar princípios agroecológicos tanto na produção quanto nas relações comerciais.

Iniciamos o encontro com um bate papo com Carlos Armênio Khatounian, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo. Khatounian proporcionou ao grupo uma breve retrospectiva acerca da evolução da agricultura e abordou os aspectos que caracterizam uma produção de base ecológica.

Um ponto chave para termos sistemas alimentares mais sustentáveis, de acordo com Khatounian, é favorecer alimentos adequados às condições ambientais locais, respeitando a sazonalidade. Este aspecto esbarra na necessidade de rever nossos hábitos alimentares: “temos um consumidor mimado acostumado com as mesmas coisas ao longo do ano. Se quisermos acoplar nossa alimentação ao ritmo das estações, temos que variar nossos padrões de consumo”.

No que se refere à possibilidade de grandes redes se inserirem na lógica da agroecologia, Khatounian afirma que há desafios complexos, que envolvem aspectos como a escala, a disposição para atuar em sistemas mais transparentes de abastecimento, e a conscientização do consumidor.

Após o bate papo, o grupo mapeou os desafios para fomentar um processo de transição agroecológica que inclua a agricultura familiar e promover mercados que reconheçam a importância desses produtores. Entre as questões mais mencionadas estão: assistência técnica qualificada para trabalhar práticas agroecológicas junto ao produtor, adequação das práticas de comercialização dominantes no mercado, conscientização do consumidor e criação de incentivos para a produção e venda de alimentos de base ecológica.

Próximos passos

O GT de Transição Agroecológica se encontrará novamente no dia 29 de maio e contará com a participação de convidados que irão contribuir para o grupo se aprofundar nos desafios já mapeados e buscar caminhos para superá-los. Neste encontro, também iremos definir os elementos essenciais que integrarão as diretrizes no tema, e discutir as responsabilidades de governos e grandes empresas relacionadas a cada elemento.

Veja aqui o relato na íntegra do 1º encontro do Grupo de Trabalho Transição Agroecológica

Organizações presentes neste encontro

Associação de Agricultores da Zona Leste, Associação Isabelense de Produtores Rurais, Carrefour, Cooperapas, Coopmaio, Cooprojur, CSA, Esalq/USP, Instituto BioSistêmico, Instituto de Pesquisas Ecológicas, Instituto Ibiá, Instituto Kairós, Nespresso, Porticus, Rede de Agroecologia do Leste Paulista, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Grupo St. Marché.

Sobre o Bota na Mesa 

Em 2019, o projeto Bota na Mesa dá continuidade ao processo de construção de diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar. Por meio de discussões junto a um grupo múltiplo e plural de atores, e amparado por pesquisas e publicações no assunto, serão construídas recomendações em dois novos temas: mudança do clima e transição agroecológica. Além disso, o Bota na Mesa irá inaugurar a frente de trabalho de implementação das diretrizes junto a representantes de empresas e governos.