Ciclo para elaboração de estratégias de adaptação à mudança do clima para organizações da sociedade civil

O Projeto Economy-Wide Adaptation to Climate Change é uma parceria entre Embaixada Britânica, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) e United Kingdom Climate Impacts Programme (UKCIP), da Universidade de Oxford.  No âmbito desse projeto foi desenvolvido o ciclo e a ferramenta para elaboração de estratégias de adaptação por organizações da sociedade civil  para seus projetos e / ou programas. 23/02/2016
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A seguir você encontra a apresentação do ciclo metodológico para aplicação da ferramenta de elaboração de estratégias de adaptação à mudança do clima, disponibilizada no formato Excel. Caso prefira, baixe o documento em pdf.

O planejamento de estratégias de adaptação é chave para se lidar com as mudanças do clima pois parte de uma análise sistêmica da problemática, levando em consideração os cenários de mudança do clima, as vulnerabilidades e as capacidades adaptativas. Nesse sentido, possibilita a identificação de estratégias de adaptação contemplando as possíveis populações e ecossistemas impactados bem como a priorização de acordo com a vulnerabilidade e capacidade adaptativa apresentada por estes. O Ciclo e a Ferramenta de Apoio à Elaboração de Estratégias de Adaptação para Organizações da Sociedade Civil têm como objetivo aumentar a resiliência e reduzir vulnerabilidades dentro de projetos e programas da sociedade civil através de ações conscientes, planejadas, sistêmicas, estratégicas e coerentes com a realidade local, buscando fortalecer parcerias, desenvolver relações de cooperação e, portanto, otimizar esforços. Assim, a proposta é que as mudanças do clima e seus potenciais impactos passem a ser considerados no planejamento dos programas e projetos empreendidos pelas organizações da sociedade civil. 

A implementação do ciclo e da ferramenta trazem como benefício para as organizações da sociedade civil a compreensão do processo de planejamento para elaboração de uma estratégia de adaptação à mudança do clima, promovendo a identificação de riscos e oportunidades frente às mudanças do clima, de atores estratégicos, bem como de planos de ação para a atuação de sua organização. Dessa forma, possibilita que a organização tome conhecimento da importância de se considerar a mudança do clima em seus projetos e programas e se prepare para eventuais riscos e oportunidades. 

O desenvolvimento do ciclo e da ferramenta ocorreu em conjunto com oito organizações participantes do grupo de trabalho:

 

O ciclo para organizações da sociedade civil traz o passo a passo da elaboração de uma estratégia de adaptação à mudança do clima, sendo a base para a ferramenta, que oferece suporte para a realização de cada um dos passos propostos. É importante destacar que, apesar de ser organizado em passos sequenciais a fim de facilitar o entendimento e a execução do ciclo, o conteúdo abordado nos passos pode ser desenvolvido seguindo a ferramenta ou como parte de outros processos, já existentes na organização, na medida e na ordem em que melhor contribuírem e se adequarem às características e à realidade do projeto e da organização.

 

Framework: caminho para a elaboração de estratégias de adaptação à mudança do clima

Ao assumir como referência os passos do ciclo, os quais são detalhados na Ferramenta, as organizações da sociedade civil poderão compreender melhor como seus projetos podem incluir a adaptação à mudança do clima no planejamento e gestão de seus projetos e programas, bem como da organização como um todo, de uma forma eficaz, por meio da análise de materialidade e priorização dos potenciais impactos para seus processos e objetivos. Assim, o resultado deste processo é a elaboração de um plano de adaptação robusto como parte da estratégia do projeto ou programa, e o aprendizado sobre uma abordagem de planejamento que pode ser incorporado ao planejamento estratégico organizacional. 

É importante ressaltar que o preenchimento da Ferramenta é um meio, e não um fim. O plano de adaptação emerge das conversas que surgem ao percorrer o ciclo de planejamento e são registradas na ferramenta de Excel, e não meramente do preenchimento das células. O objetivo de uma ferramenta como esta é apoiar e sistematizar as ações e discussões geradas ao longo do processo de elaboração de uma estratégia de adaptação, sendo possível, ao final do processo, olhar para este registro como uma oportunidade de reflexão e aprendizagem.

Há duas diretrizes gerais que devem ser observadas ao longo de todo o processo, para auxiliar no desenvolvimento de uma estratégia de adaptação robusta:

 

I. Mapeando, engajando e comunicando stakeholders

O engajamento e a comunicação sobre o processo de desenvolvimento da estratégia de adaptação para as diversas partes envolvidas e interessadas, chamadas de stakeholders, são extremamente importantes durante todo o processo. Portanto, é fundamental mapear quais delas precisam estar envolvidas ou podem contribuir para cada passo do processo de desenvolvimento e implementação do plano. Dependendo do público e do momento do processo, será necessário o engajamento e participação efetiva, enquanto que outros públicos podem apenas ser comunicados do processo. 

Para o mapeamento é recomendado fazer uma grande chuva de ideias, que alimentará uma matriz de relevância e importância sugerida para entender qual é o papel de cada parte, se esta deve ser envolvida e/ou comunicada e quando. Este mapeamento deverá ser utilizado e atualizado ao longo de todo o processo, a cada passo. É importante ressaltar que o mapeamento de atores deve ser inclusivo, e não excludente: ou seja, os stakeholders mantém-se na matriz ao longo dos passos do ciclo, mas podem ir mudando de importância em cada um deles, de acordo com seu nível de relevância e de influência em determinada etapa.

Destaca-se que a participação dos stakeholders no planejamento e implementação alinha-se ao direito das pessoas de participar de decisões que afetem suas vidas. Assim, processos participativos podem contribuir para a justiça na tomada de decisão e fornecer soluções para situações de conflito.

Assim, para estimular que o desenvolvimento do plano de adaptação seja participativo, a ferramenta que auxilia a implementação deste ciclo visa organizar as informações referentes aos stakeholders que são coletadas ao longo das discussões e sistematizá-las no passo “Articulação e Parcerias”.

 

II. Lidando com a incerteza e fazendo suposições

Em diversos momentos durante o desenvolvimento de uma estratégia de adaptação, é necessário lidar com incertezas, como por exemplo, a partir dos cenários climáticos, inferir riscos e oportunidades e apontar medidas de adaptação e sua potencial eficácia. Muitas suposições são feitas nesse processo, e isso não é um problema, pelo contrário, elas são fundamentais para que possamos responder e agir frente a situações de incerteza. Da mesma forma, serão feitas suposições ao longo do desenvolvimento do plano de adaptação ao preencher as tendências climáticas e seus impactos para o público de interesse, bem como para definir o risco climático e para definir as medidas de adaptação. 

Muitas vezes, a incerteza é listada como uma barreira para a adaptação e, inclusive, usada como argumento para a inação, alegando-se que não é possível tomar uma decisão com base em possibilidades. Mas é importante lembrar que a incerteza está presente no dia-a-dia, tanto em decisões complicadas quanto nas mais simples e, da mesma forma que se lida com a incerteza em decisões diárias, deve-se lidar com elas nas tomadas de decisões no nível organizacional. A discussão em torno do nível de informação necessário para se tomar uma decisão dependerá sempre da atitude de risco da organização ou projeto em relação à sua área e público de interesse, sendo que algumas organizações são mais ou menos dispostas a correr riscos.

Assim, não há problemas em realizar suposições ao longo do processo. O importante é que estas sejam robustas, embasadas em fontes confiáveis e fiquem registradas – tanto para que outras pessoas entendam quais suposições deram suporte à tomada de decisão quanto para que estas possam ser monitoradas, assegurando que estão caminhando na direção certa ou que sejam revistas caso necessário.

Clique aqui para acessar as diretrizes detalhadas para cada um dos passos que compõem o ciclo de elaboração de estratégias de adaptação à mudança do clima.