Empresas arregaçam as mangas pelo clima

Empresas saem na frente no desenvolvimento de estratégias para um futuro de baixa emissão de carbono 08/02/2010
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Dany Simon

 

Nos últimos 4 e 5 de fevereiro, um grupo de 28 grandes empresas se reuniu para dois dias intensos de capacitação da plataforma brasileira Empresas Pelo Clima (EPC), coordenada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces). Este segundo módulo de um total de cinco capacitações sobre marco regulatório para mudanças climáticas, teve como questão cental as políticas corporativas. Tanto os elementos por trás das políticas quanto a criação da política em si foram tratados.

Conduzindo os trabalhos estiveram Fernando Monteiro e Dalberto Adules da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças (ABDL), Rachel Biderman e Luiz Pires do GVces (foto) e Fabio Feldmann, consultor do EPC e especialista em política ambiental no Brasil. Eles engajaram as empresas a refletirem sobre suas ações na questão do clima e sobre as mudanças necessárias para caminharem rumo à economia de baixo carbono.

Como ponto de partida, foram abordados os desdobramentos da Conferência de Copenhague, a COP 15, nos contextos nacional e internacional. "Apesar da falta de um acordo consensual entre as Partes, podemos observar uma movimentação em alguns países no sentido do estabelecimento de metas de redução de gases de efeito estufa", ressaltou Rachel Biderman. A coordenadora adjunta do GVces ressaltou ainda que o impacto do aquecimento global nos negócios já é uma realidade e cada vez mais demanda adaptação por parte das empresas que querem se manter na liderança dos setores em que atuam.

Nesse contexto, a implantação de políticas corporativas para as mudanças climáticas se torna essencial. Os participantes discutiram sobre a necessidade de diálogo tanto com as diretorias das empresas quanto junto aos departamentos de base para a viabilização desse tipo de política. "As mudanças climáticas devem ser entendidas pelas oportunidades que oferecem às empresas", destacou Luiz Pires, coordenador do EPC. Após discutirem objetivos desse tipo de política e formas de viabilizar sua formulação, os participantes encerraram o primeiro dia de capacitação com uma conversa com o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Francisco Franco, sobre a estruturação do mercado de carbono no Brasil (foto ao lado).

Políticas na prática

Um panorama de políticas corporativas em vigor deu início aos trabalhos do segundo dia. Microsoft, Siemens, Intel, WalMart e Deutsche Bank são algumas das empresas que já implementaram ações fora do Brasil. Como exemplos nacionais, foram apresentadas iniciativas do Grupo Camargo Corrêa e da Companhia Vale do Rio Doce. Mas o dia foi mesmo de por a mão na massa. Para realizarem atividades de simulação das etapas de formulação das políticas corporativas, os representantes das 27 empresas foram divididos em grupos correspondentes aos setores que fazem parte: uso do solo (LULUCF), energia, transportes, processos industriais, serviços e serviços financeiros.

Os participantes pensaram conjuntamente em um possível benchmark, em possíveis soluções para a redução de emissões dos gases de efeito estufa e ainda em estratégias para a adoção de metas de mitigação e formas de pressionar o governo federal por uma regulação da economia de baixo carbono.

O fechamento do segundo dia de capcitação aconteceu com uma feira de boas práticas, trazendo o espírito de intecâmbio e colaboração entre empresas muitas vezes concorrentes - que é um dos pilares do EPC. A idéia é que as empresas estejam melhor preparadas para o contexto da economia de baixo carbono, seja em relação aos seus desafios, seja para explorar suas oportunidades.