Empresas divulgarão voluntariamente suas emissões de gases do efeito estufa no primeiro Registro Público do gênero no Brasil

Registro Público de Emissões de GEE e Guia para elaboração de inventários serão lançados nesta terça, 22, em São Paulo, pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – GVces 18/06/2010
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Um grupo formado por 35 empresas brasileiras que estão na dianteira da economia de baixo carbono passarão a reportar voluntariamente suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). O primeiro Registro Público de Emissões de GEE do país será lançado nesta terça-feira, 22/6, em São Paulo, durante o evento de avaliação dos dois anos do Programa Brasileiro GHG Protocol, uma iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – GVces em parceria com o World Resources Institute – WRI, organização norte-americana pioneira na formulação de ferramentas de gestão para economia de baixo carbono. No evento, será lançada também a publicação: Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol.

A iniciativa é o primeiro passo na preparação das companhias para os futuros marcos regulatórios que orientarão as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A divulgação das emissões setoriais também evidenciará as empresas entre os consumidores, cada vez mais atentos à responsabilidade socioambiental corporativa. “A transparência na divulgação das emissões por meio de um registro público é um fato inédito em um país em desenvolvimento não-Anexo I da Convenção do Clima da ONU”, avalia Mário Monzoni o coordenador do GVces.

O Registro será uma plataforma online para a publicação de inventários de GEE de instituições brasileiras. Ele auxiliará os agentes privados e públicos na definição de estratégias para mitigação de GEE. Servirá também para integrar os esforços do Programa Brasileiro GHG Protocol com as ações da Política Nacional de Clima e do cumprimento da meta anunciada em Copenhagen.

Os primeiros números do Registro Público de Emissões a serem reportados referem-se a bancos, operadoras de telefonia, geradoras e distribuidoras de energia, mineradoras, indústrias de cimento, cosméticos, alimentos e petroquímicas. “O passo seguinte será a criação de um banco de dados sobre emissões setoriais fundamentais para as políticas públicas para o combate às mudanças climáticas”, explica Roberto Strumpf, coordenador do Programa Brasileiro GHG Protocol.

Segundo Rachel Biderman, coordenadora adjunta do GVces, a criação de um registro público de emissões é um grande passo para a sociedade brasileira rumo à economia de baixo carbono. “Assim, passamos a promover a transparência na gestão de emissões de GEE por vários setores no âmbito da implementação da Política e Plano Nacional de Mudanças Climáticas”, afirma.

O GHG Protocol foi desenvolvido pelo World Resources Institute – WRI em parceria com o World Business Council for Sustainable Development – WBSCD. A ferramenta caracteriza-se por oferecer uma estrutura para contabilização de GEE de caráter modular e flexível, pela neutralidade em termos de políticas ou programas e pelo fato de ser baseada em um amplo processo de consulta pública.

De acordo com Taryn Fransen, coordenadora do WRI, “o Brasil foi um dos países que mais rápido evoluiu na implementação da metodologia do GHG Protocol, visto que a adesão das empresas brasileiras ao programa foi muito rápida e eficiente”.


Dois anos no Brasil

Com dois anos de atuação no Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol reúne 60 grandes empresas, entre membros fundadores, novas adesões deste ano e integrantes da plataforma Empresas pelo Clima – EPC. O programa já publicou oficialmente 23 inventários de emissão de GEE que representam cerca de 85 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Até o ano que vem, todas as empresas ligadas ao programa deverão publicar seus inventários no Registro Público. Os inventários são o instrumento fundamental para saber quais as atividades da empresa que mais emitem os GEE e como eles podem ser reduzidos.

Para realizar seus inventários e participar do Registro, as empresas são capacitadas na metodologia adaptada do GHG Protocol original para a realidade brasileira. A metodologia denominada Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol foi desenvolvida resultou da interação entre a equipe do programa e 27 as empresas fundadoras.

O programa permite a transferência gratuita da metodologia e do know-how para o cálculo de emissões. “O trabalho faz parte de um contexto mais amplo que é a incorporação do tema das mudanças climáticas nas políticas, estratégias e sistemas de gestão das empresas” afirma Roberto Strumpf.

A metodologia do GHG Protocol é compatível com as normas ISO e as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, com o trabalho promovido pelo Programa Brasileiro. As informações geradas podem ser aplicadas aos relatórios e questionários de iniciativas como Carbon Disclosure Project, Índice Bovespa de Sustentabilidade Empresarial – ISE e Global Reporting Initiative – GRI.

Muito além dos inventários

“A junção de todas as empresas que fazem parte do GHG no Brasil é o grande diferencial de participar deste trabalho, até muito mais do que fazer o inventário. Com os resultados obtidos nos workshops, podemos trocar experiências e informações com outras empresas para trazer novas tecnologias ao país e utilizarmos essas novidades em nossas lojas”, diz Felipe Zacari Antunes, gerente de Meio Ambiente da rede Wal-Mart, uma das pioneiras na metodologia GHG.

Com a adesão em 2008 ao Programa Brasileiro - GHG Protocol, o Boticário buscou a melhoria contínua da gestão dos GEE. “Além de viabilizar o intercâmbio de práticas já adotadas, o programa trouxe especialistas que possibilitaram a identificação das melhores metodologias referentes aos inventários para as empresas do Brasil, como a adequação do fator de emissão para consumo de energia elétrica, além de trazer vantagens como o banco de inventários disponibilizado a todas as partes relevantes para o negócio, aumentando a transparência das informações”, lembra Maíra Gonçalves da Luz Pereira, coordenadora de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente do Boticário.

“O GHG Protocol é uma ferramenta fundamental para garantir a sustentabilidade das ações empresariais em tempos de redefinição da matriz energética planetária que afetará competitividade de muitas empresas, finaliza Mário Monzoni.