EPC apresenta resultados e aprendizados do Sistema de Comércio de Emissões em 2014

Além de destacar conclusões e aprendizados do 1º ciclo de operação do simulado, a Plataforma EPC também mostrou os primeiros números do SCE EPC em 2015 e trouxe um debate sobre mitigação e sistema de comércio de emissões para as empresas 21/08/2015
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Local: FGV-EAESP
Data: 18 de agosto de 2015 Projeto: Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) Participantes: Representantes de empresas membros e convidados da EPC Apresentação: Betania Villas Boas e Mariana Nicolletti (GVces) Texto: Bruno Toledo (GVces)

A Plataforma Empresas pelo Clima realizou uma reunião com as empresas que participam do Sistema de Comércio de Emissões (SCE EPC) no dia 18 de agosto, com o propósito de apresentar os principais destaques do relatório sobre o 1º ciclo de operação do simulado de comércio de emissões, entre março e novembro de 2014. 

O SCE EPC tem como objetivo engajar as empresas brasileiras no debate sobre uma abordagem de mercado abrangente e robusta para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE), além de cocriar proposições para um possível mercado nacional ou regional no Brasil. Desenvolvido pela EPC no decorrer de 2013, o SCE EPC parte de experiências reais de comércio de emissões já realizadas pelo mundo, como no estado norte-americano da Califórnia (desde 2013) e na União Europeia (EU ETS, desde 2008), adaptando esses modelos para a realidade das empresas brasileiras.

Na reunião, além de apresentar os resultados do primeiro ano de atividade do SCE EPC, representantes de empresas membros da EPC presentes foram convidados a avaliar as estratégias que têm sido adotadas e o desempenho das empresas com foco nos indicadores operacional e financeiro, além de debater a evolução dos aprendizados e desafios de um ciclo para o outro.

DESTAQUES DO 1º CICLO OPERACIONAL DO SCE EPC E PRIMEIROS NÚMEROS DE 2015

A partir das regras e parâmetros construídos no decorrer de 2013 pela EPC e empresas membros interessadas, o SCE EPC iniciou suas operações em março de 2014. Como em todo sistema de comércio de emissões, um dos objetivos dos participantes no SCE EPC é obter a melhor combinação possível entre resultados financeiros e operacionais, equilibrando a redução de emissões com a aquisição de títulos de carbono - sempre considerando as possíveis penalidades previstas no caso de não cobertura da totalidade de suas emissões de GEE no ano fiscal. Assim, a meta dos participantes é cobrir cada tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) com títulos disponíveis no SCE EPC e obter o menor custo por tCO2e no final do período.

Em seu 1º ciclo de operação, 20 empresas participaram do SCE EPC (outras duas empresas não concluíram sua participação), representando setores como energia, mineração, mercado financeiro, indústria de transformação, e serviços, entre outros. Cada empresa participa do mercado através de um pseudônimo, de forma a não comprometer informações sensíveis durante a sua participação no simulado. Dentre os principais destaques, o grupo de empresas membros do SCE EPC conseguiu reduzir suas emissões em 8% entre 2013 e 2014, pouco abaixo da meta estipulada inicialmente pelo projeto (10%). Das 20 empresas, 13 conseguiram reduzir suas emissões, sempre buscando estratégias que harmonizavam considerações financeiras e operacionais.

O cap definido em 23,4 milhões de tCO2e (limite de emissões totais para o grupo de empresas), teve como base as emissões reais dos Escopos 1 e 2 das empresas participantes, em 2013. Foram movimentados cerca de 12,4 milhões de tCO2e em títulos de permissão, que representou cerca de 25,5 milhões de Ec$ (moeda especial criada para referenciar as movimentações financeiras dentro do SCE EPC, com igualdade paritária com o Real).

Já neste 2º ciclo, iniciado no começo de 2015, 23 empresas, membros da EPC e do Programa Brasileiro GHG Protocol, estão participando ativamente do SCE EPC. O cap inicial neste ano foi de 30,8 milhões de tCO2e, sendo considerado apenas as emissões reais do Escopo 1 Desse montante, 15,2 milhões de tCO2e foram alocados diretamente pelo SCE EPC para as empresas de forma gratuita. O mercado primário (leilões de permissão de emissão) movimentará 12,7 milhões de tCO2e desse total no decorrer de 2015. Até agora, as empresas já transacionaram entre si (mercado secundário) cerca de 940 mil tCO2e, movimentando mais de Ec$ 21 milhões.

O relatório final sobre o 1º ciclo operacional do SCE EPC está disponível aqui.

APRENDIZADOS E DESAFIOS PARA O FUTURO

Para muitas empresas, o 1º ciclo operacional do SCE EPC trouxe um aprendizado importante sobre sistemas de comércio de emissões e sobre como elas podem atuar neles, considerando sua necessidade de reduzir emissões com seus negócios em si. 

Dentre as lições aprendidas nesse ciclo inaugural, estão a compreensão e exercício da lógica de funcionamento de um sistema de comércio de emissões; o atrelamento da estratégia de operação no SCE EPC com a gestão de emissões da empresa; a adoção do preço do carbono na tomada de decisão; e o custo de oportunidade e diversificação de carteira.

O relatório também destaca desafios e pontos de melhoria para o SCE EPC em seus ciclos futuros, focando particularmente quatro questões: a desagregação dos dados referentes a emissões (para maior poder de gestão sobre eles); a periodicidade do acompanhamento de dados; e o engajamento de setores estratégicos da companhia, em particular a alta liderança e a área financeira.

Clique aqui e acompanhe as atividades desenvolvidas pela Plataforma Empresas pelo Clima em 2015.