​Estudo mostra que grandes eventos podem promover consumo mais sustentável

Publicação “Compras Sustentáveis & Grandes Eventos: A avaliação do ciclo de vida como ferramenta para decisões de consumo”, lançada por GVces, PNUMA e MMA, reúne estudos de pegada de carbono, um recorte da ferramenta de ACV. Em foco, sete produtos comumente adquiridos em eventos e nas compras institucionais. 10/04/2015
COMPARTILHE

Acesse aqui a publicação e os relatórios técnicos do estudo na íntegra
Abaixo, as informações sobre o lançamento e as principais ideias em debate.

Local: FGV/EAESP – Auditório Berrini
Data: 31 de março de 2015
Participantes: Autores do estudo, representantes das instituições parceiras, e convidados.
Palestrantes: Fernanda Daltro, consultora e gestora da iniciativa, vice-presidência da CETESB; Gabriela Alem, pesquisadora do GVces; Isabel Hölzl, diretora cultural do Instituto Goethe/SP; Luciana Betiol, coordenadora do programa Consumo e Produção Sustentáveis do GVces; Mario Monzoni, coordenador-geral do GVces; Ricardo Dinato, pesquisador do GVces; Roberto Araujo, diretor-presidente da Fundação Espaço Eco; e Sergio Adeodato, jornalista.
Mediadores: Paulo Branco, vice-coordenador do GVces, e Ligia Ramos, pesquisadora do GVces

OPORTUNIDADE PARA PRÁTICAS, PRODUTOS E SERVIÇOS COM MENOR IMPACTO

“Os eventos de grande porte são oportunidades para a promoção de práticas e soluções mais sustentáveis, criando escala dentro do mercado. Em última análise, esse esforço não beneficia apenas as compras dos grandes compradores, mas também as dos consumidores finais”, Fernanda Daltro, consultora e gestora da iniciativa Compras Sustentáveis & Grandes Eventos pelo PNUMA Brasil.

nullJogos Panamericanos (2007), Copa do Mundo (2014), Rock in Rio (2015), Olímpiadas (2016). O Brasil está na rota dos eventos de grande porte que mobilizam recursos públicos e privados para garantir a recepção e acomodação de milhares de pessoas, entre profissionais e públicos em geral. Nesse contexto, o livro traz aprendizados e experiências no Brasil e no mundo que podem dar escala a boas práticas socioambientais e apontar para novas maneiras de gerir e realizar megaeventos, com legados positivos para a sociedade.

 

ACV TRAZ INFORMAÇÃO PARA DECISÕES COM FUNDAMENTO

A perspectiva do ciclo de vida traz uma maneira diferente de olhar para os impactos de um produto, ao acompanhá-lo desde o início do processo de fabricação, passando pelo uso, até o descarte final – ou seja, do berço ao túmulo”, Ricardo Dinato, pesquisador do GVces e um dos autores do livro.

nullO poder público e a iniciativa privada podem encontrar na avaliação do ciclo de vida (ACV) uma ferramenta técnica bastante útil para obter informações mais confiáveis para tomar decisões de compra alinhadas à sustentabilidade. A publicação apresenta a ACV de forma didática e acessível, focando principalmente sua aplicação na análise de impactos associados às mudanças climáticas – a partir da chamada “pegada de carbono”. Com base em estudos de ACV elaborados pela equipe do GVces, o livro traz análises de pegada de carbono de sete produtos cotidianos no Brasil: camiseta 100% algodão, desinfetante, mesa de MDF, panfleto de papel, partida de futebol, refeição típica brasileira, e sacola plástica.

A ferramenta [ACV] chega para nos auxiliar a tomar as decisões, com base em informações mais confiáveis e verificáveis. A partir da sua aplicação, podemos questionar nossa intuição e compreender melhor nosso impacto sobre o meio ambiente”, Mario Monzoni, coordenador geral do GVces.

 

COMPRAS INSTITUCIONAIS PARA ALÉM DE PREÇO/PRAZO/QUALIDADE

“A visão de ciclo de vida é a única forma legítima de trabalhar sustentabilidade do ponto de vista ambiental. A gente não consegue capturar a visão sistêmica que a sustentabilidade nos exige sem o pensamento de ciclo de vida, que evite a translação de impactos ambientais entre os elos da cadeia produtiva”, Flávio Ribeiro, vice-presidencia da CETESB

Em geral, os desafios enfrentados pelos realizadores de grandes eventos são os mesmos enfrentados por gestores públicos e privados em seu cotidiano de compras. Para que se possa superar a visão tradicional que olha apenas para preço/prazo/qualidade, os compradores precisam ter informações confiáveis para tomar decisões fundamentadas. A visão de ciclo de vida e a ACV trazem um olhar sistêmico sobre o produto, alinhada à sustentabilidade, e lhes oferecem informações para tomar a decisão mais adequada dentro daquilo que a empresa ou órgão público define como estratégico do ponto de vista socioambiental.

 

COMPRAS SUSTENTÁVEIS NO BRASIL

“As compras públicas estão adquirindo uma função extra-aquisição: mais do que comprar, elas precisam garantir a preservação do meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável”, Luciana Betiol, coordenadora do programa Consumo e Produção Sustentáveis do GVces

nullQuando o GVces começou a trabalhar com o tema das compras sustentáveis, em 2005, os gestores de compras públicas ainda se debruçavam sobre como superar a barreira legal para incluir critérios de sustentabilidade em licitações e editais. Uma década depois, com a mudança no cenário legal – iniciada com as Políticas Nacionais de Mudanças do Clima (2009) e Resíduos Sólidos (2010), e aprofundada com a revisão da Lei Federal 8.666 (2010) – a discussão deixou o campo jurídico de porque fazer para o desafio prático: como fazer compras sustentáveis.

A ferramenta de ACV surge para dar uma resposta a essa questão, ao fornecer informações técnicas confiáveis para que esses gestores tomem decisões mais fundamentadas. No entanto, alguns desafios persistem: engajar o setor privado a dar publicidade aos impactos de seus produtos, mediante a aplicação da ferramenta da ACV, o que também os obrigará a repensar seus processos produtivos sendo mais eficientes e menos impactantes, num ciclo virtuoso de melhora do que vem sendo ofertado; capacitar o gestor público a olhar com outros olhos suas aquisições, numa lógica de pensamento do ciclo de vida dessa aquisição, desde atentar para aspectos de extração de matéria prima, até o impacto no descarte final desse bem, demandando essas informações do setor produtivo. Essa demanda terá o condão de mobilizar a execução de estudos, a formação de bancos de dados regionalizados, e a rotulagem ambiental.

 

A CONSCIENTIZAÇÃO DE COMPRADORES DE CONSUMIDORES

“Não é apenas comparar preço, mas sim olhar para o custo. Por exemplo, o grande custo das construções não está na obra, mas sim na sua operação e manutenção. Quando a gente constrói um edifício sustentável, ainda que o preço de construção seja maior, o custo de manutenção cai pela metade. Precisamos romper o paradigma de que o preço sustentável é mais caro”, Roberto Araújo, diretor-presidente da Fundação Espaço Eco

nullPensar a partir da ótica do ciclo de vida transforma profundamente as práticas de compra dos consumidores. Ao considerar não apenas o preço, mas também os custos ao longo da vida útil e as externalidades de determinado produto ou serviço, os compradores sinalizam ao mercado a necessidade de se repensar seus valores e práticas. O caminho é difícil e os desafios são inúmeros – falta de banco de dados representativos, escassez de pessoas habilitadas para fazer e avaliar estudos de ACV, sigilo de informações decorrentes desses estudos por empresas privadas – mas as oportunidades são igualmente consideráveis.

No entanto, precisamos ter em mente que a ferramenta de ACV apenas diagnostica determinado produto e serviço a partir de critérios de sustentabilidade: a decisão de compra continua sendo das pessoas por trás desse processo. Por isso, a educação, do público em geral até os gestores públicos e privados, é uma frente fundamental de atuação para promover mudanças na produção e no consumo. Ou seja, não basta ter a ferramenta: é preciso ter informação e a capacidade para entender esse dado, considerando a complexidade do cenário e avaliando a pertinência da aplicação de critérios de sustentabilidade, para assim tomar a decisão mais fundamentada.

 

Acesse aqui o livro “Compras Sustentáveis & Grandes Eventos: A avaliação do ciclo de vida como ferramenta para decisões de consumo” e os relatórios técnicos do estudo.
Abaixo, um dos infográficos que compõem a publicação.