Exemplos de destaque de políticas públicas e inovações tecnológicas são apresentados no 2º encontro do grupo de trabalho sobre Mudança do Clima

22/07/2019
COMPARTILHE

De acordo com o Relatório Especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, as políticas de desenvolvimento urbano se destacam como um dos meios mais efetivos de adaptação à mudança do clima. Por isso, o papel de governos locais é de fundamental importância no sentido de diminuir as vulnerabilidades dos agricultores familiares. 

Neste contexto, o Bota na Mesa convidou a Prefeitura Municipal de Louveira para apresentar os esforços que estão sendo desenvolvidos para promover a atividade agrícola no município. Durante o 2º encontro do GT Mudança do Clima, realizado no dia 22 de maio em São Paulo, estiveram presentes o Secretário de Gestão Ambiental, Claudio Scalli, o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Jailson Marinho, e um fruticultor do município beneficiado pelas políticas, Marcos Biasi.

Um dos destaques da apresentação, foi o Programa Municipal de Incentivo à Fruticultura (PROMIF), um programa de subvenção econômica aos produtores rurais que possuem áreas cultivadas com frutas. Em troca dos recursos financeiros, os produtores precisam cumprir uma série de medidas de preservação ambiental, que inclui a proteção de nascentes e cursos d’água, adequação e saneamento básico, controle da erosão, além de manutenção da cultura. 

Outra ação que se destaca no município, executada em conjunto com o PROMIF, é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Já previsto no Plano Diretor do município, o programa de PSA de Louveira tem como objetivo remunerar com um valor mensal aqueles proprietários de terras que preservarem os recursos hídricos, as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as Reservas Legais, além de exercerem atividades agrícolas ou hortifrutigranjeiras.

Além da Prefeitura de Louveira, o 2º encontro do GT também teve como convidado especial o empreendedor Diogo Tolezano, um dos fundadores da Pluvi.on, uma startup criadora de estações meteorológicas de baixo custo que medem com precisão informações sobre temperatura, chuvas e ventos.   

Essa tecnologia se conecta diretamente com a agenda de adaptação à mudança do clima. Como já estudado por diversas organizações científicas, os eventos extremos serão crescentes e mais intensos, gerando consequências graves para os sistemas naturais, os grupos humanos e as atividades econômicas, tanto no campo quanto nas cidades. Nas palavras de Diogo, os alertas climáticos disponíveis para a sociedade em geral hoje são genéricos. “Se queremos dar esse alerta de forma local e precisa, precisamos de mais dados – a Pluvi.on é uma forma de criar uma rede para levantar dados”.

A inovação da empresa consiste em uma estação meteorológica de baixo custo, compacta e preparada para se conectar em qualquer rede disponível. Por meio dela, um produtor rural consegue coletar dados que poderão gerar informações mais precisas sobre chuvas, geadas, picos de temperaturas e ventos.

Após as discussões junto aos convidados, o FGVces apresentou aos participantes uma proposta de grandes temas que deverão integrar as diretrizes, com base nas entrevistas, pesquisas e encontros já realizados. Por meio de uma discussão em grupos, os presentes validaram a definição dos temas e pensaram, para cada um deles, quais as possíveis ações que governos e empresas poderiam adotar. 

Próximos passos

Como próximos passos, a equipe do FGVces irá consolidar as contribuições dos participantes, bem como realizar consultas bilaterais junto a especialistas, a fim de apresentar, em outubro, uma versão preliminar das diretrizes do tema Mudança do Clima. Além das atividades do próprio GT, o projeto Bota na Mesa irá trabalhar na avaliação das inscrições da 2ª Chamada de Casos, que se encerrou no dia 14 de Junho. Das 81 iniciativas inscritas, serão selecionadas aquelas que mais se destacarem em termos de inovação, contribuição para a inclusão da agricultura familiar, potencial de replicabilidade e conexão com as agendas de mudança do clima e transição agroecológica. 

Veja aqui o relato na íntegra do 2º encontro do Grupo de Trabalho sobre Mudança do Clima

Organizações presentes neste encontro: 

Cooperagua, Cooperapas, Coopafasb, INPE, Conexsus, Prefeitura Municipal de Louveira, CDRS-SP (regional Mogi das Cruzes), Pluvi.on, SENAR, ICLEI, Embrapa Territorial, Slow Food, Prefeitura Municipal de Itanhaém, FUNAI, Fundação Cargill, Associação Agrícola de Valinhos e Região, WWF, Cooperativa Sul Brasil de São Miguel Arcanjo, ABRAS.  

 

Sobre o Bota na Mesa 

Em 2019, o projeto Bota na Mesa dá continuidade ao processo de construção de diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar. Por meio de discussões junto a um grupo múltiplo e plural de atores, e amparado por pesquisas e publicações no assunto, serão construídas recomendações em dois novos temas: mudança do clima e transição agroecológica. Além disso, o Bota na Mesa irá inaugurar a frente de trabalho de implementação das diretrizes junto a representantes de empresas e governos.