FGVces participa da Conferência Brasileira de Mudança do Clima

No evento, foi lançado a Declaração de Recife que propõe organizações de diferentes setores assumam compromissos de redução de emissões 08/11/2019
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Nos dias 6 a 8 de novembro aconteceu a Conferência Brasileira de Mudança do Clima, evento anual com o objetivo de reunir organizações não governamentais, comunidades, governos, setor empresarial e sociedade civil para troca de experiências e conhecimento e formulação de propostas para a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil (NDC na sigla em inglês). No primeiro dia da Conferência foi lançada a Declaração de Recife, que apresenta o contexto da agenda de mudança do clima e propõe que compromissos sejam publicamente assumidos pelas organizações dos diferentes setores. Clique aqui para ler a Declaração e aqui para apoiá-la.  


Liderada pelo Instituto Ethos, a Conferência foi pensada junto a um grupo de co-realizadores, entre os quais o FGVces. Ao longo do evento duas representantes do Centro participaram de três painéis, contribuindo para o debate sobre: adaptação à mudança do clima pelo setor empresarial; gestão de recursos hídricos; e precificação de carbono no Brasil.

Mariana Nicolletti, coordenadora das Iniciativas Empresariais, esteve no workshop de adaptação para o setor empresarial onde fez uma apresentação a partir da questão: "por onde começar a se adaptar?". Participaram também do painel Ana Carolina Camara (GIZ), Sergio Margulis (WayCarbon) e Elisa Badziack (Pacto Global da ONU). A partir das relações do tema com as empresas, foram apresentados métodos para a elaboração de estratégias empresariais de adaptação. Ao final os participantes fizeram um exercício: elencaram os principais riscos climáticos para uma organização, da qual fazem parte ou frequentam, e levantaram potenciais medidas de adaptação.

No painel de precificação de carbono partiu-se do panorama dos mecanismos de precificação no mundo, avanços e representatividade das emissões cobertas, mas a reflexão principal se deu a respeito da importância de atribuir um preço ao carbono, via sistema de comércio de emissões, tributo ou mecanismo híbrido, no contexto da implementação da NDC brasileira. Mariana mediou o painel e também apresentou a Simulação de Sistema de Comércio de Emissões, promovida pelo FGVces, desde 2013, junto à BVRio, e o projeto PMR, projeto do Banco Mundial, liderado no Brasil pelo Ministério da Economia. O Professor Emilio La Rovere (COPPE/UFRJ) e Carlos Rittl (Observatório do Clima) foram palestrantes e ressaltaram o papel das empresas, sociedade civil e governos locais para que investimentos sejam direcionados à economia de baixo carbono. O aumento do desmatamento ganhou espaço na discussão por ser essa, historicamente, a principal fonte de emissões do País e por se encontrar em rota de crescimento. 

Beatriz Kiss, gestora da iniciativa El Agua nos Une e da equipe de Avaliação de Ciclo de Vida, participou do painel "Resiliência climática e segurança hídrica: como as ações coletivas podem contribuir para reverter este cenário?" junto com Daniel Carvalho (CDP), João Teixeira (Natura), Laura Lima Guaitolini (Schneider Electric), Telma Rocha (Fundación Avina) e moderação de Giuliana Chaves Moreira (Pacto Global). Foram apresentados casos das empresas e experiências relacionadas à gestão eficiente da água e sua relação com as mudanças climáticas. A partir das metas dos ODS 6 e 13, os panelistas abordaram temas que permeiam o campo empresarial (eficiência e reuso de água, pegada hídrica) e o campo social (acesso à água e saneamento), trazendo a importância do nexo clima-água e a gestão dos riscos relacionados à quantidade e à qualidade da água.