Fórum apresenta negócios que promovem o "pulo do gato"

Realizado no Auditório da Bovespa em São Paulo, no dia 11/12, o V Fórum de Investidores em Negócios Sustentáveis reuniu os oito projetos selecionados pelo programa New Ventures Brasil de apoio a pequenos e médios empreendedores que buscam incorporar a sustentabilidade em seus planos de negócios. 16/12/2008
COMPARTILHE

Ricardo Barretto


Os projetos apresentados a potenciais investidores ontem foram escolhidos em setembro entre 30 pré-selecionados e passaram pelo chamado “mentoring” que é uma fase de aperfeiçoamento dos planos de negócios. A iniciativa é coordenada pelo GVces desde seu primeiro ano de existência, 2003. (ao lado, foto de Wiz Prado)

“Novos materiais, tecnologias ambientalmente corretas, eficiência energética, tecnologias verdes, energias renováveis, novos produtos”, foram alguns dos exemplos dados por André Carvalho, coordenador do Programa Produção Sustentável, das áreas de atuação dos projetos selecionados anualmente pelo New Ventures Brasil. (abaixo)

“Investir em meio ambiente também é motor para sair da crise”, afirmou Mario Monzoni, coordenador do GVces presente à mesa de abertura. A afirmação ficou evidente na análise feita por representantes de fundos sobre a situação atual da economia mundial.

Crise Financeira

O evento teve início com uma mesa composta por representantes de fundos de investimento de diferentes tipos – private equity, venture capital, seed money, fundos anjo – trazendo a perspectiva do mercado investidor em relação ao impacto da crise financeira sobre a disponibilidade desses grupos em investir. De modo geral, os participantes analisaram a crise como a perda de referência entre valor e preço.

Renato Marques, Fabio Bellotti, André Mariano, Elisabeth Lerner, Oren Pinsky e Juliano Graff (foto Wiz Prado)

“Passada essa quarta-feira de cinzas que estamos vivendo, os preços estarão mais colados no valor e isso trará mais segurança no investimento.” Renato Marques, coordenador do Departamento de Novos Negócios da Finep. Em relação às modalidades de investimento, Juliano Graff, sócio-fundador da Master Minds, acredita que a situação atual restringe o capital para private equity – aquele destinado a empresas mais robustas, com rendimentos acima dos R$ 50 milhões - e que esse investimento deve ser direcionado ao venture capital. “A suspensão de investimentos é algo de curto prazo. Os negócios sustentáveis devem continuar se valorizando mais do que os demais e o investimento em sustentabilidade pode gerar grande valor econômico.”

Para André Mariano, sócio da Axial Gestão, continua havendo boa perspectiva, apesar da restrição de crédito, na área em que atua: venture capital – investimento destinado a promover um desenvolvimento e crescimento vigoroso de uma empresa que esteja em um estágio inicial (early stage) ou em um estágio mais avançado de seu negócio (late stage). “Esses investidores são pessoas físicas ou ‘family offices’, o que significa um investidor muito apaixonado, que não pensa apenas em retorno mas está mais interessado no potencial que determinado negócio representa.”

Fabio Bellotti, da São Paulo Anjos, também enxerga um contexto positivo. “A diferença é que agora a decisão de investimento fica ainda mais criteriosa e seletiva.” A São Paulo Anjos trabalha com negócios start up ou seja, de empresas nascentes.

Para a mediadora da mesa, Elisabeth Lerner, sócia da Tripod Investments, o resultado da crise financeira será uma economia mais qualitativa, onde a interdependência entre valor e preço estará mais evidente e haverá mais equilíbrio entre os diversos sistemas. Nesse contexto, Oren Pinsky, diretor de investimentos da Stratus, afirmou que hoje é preciso olhar para a sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa. “Essa é a base para enxergar riscos e oportunidades.”

As perspectivas positivas já têm ressonância no mercado. Durante o evento, Luiz Maia, conselheiro do Instituto BM&FBovespa, anunciou que a instituição está criando um fundo para novos negócios, que será lançado em 2009.

Projetos

Confira abaixo a relação dos oito projetos apresentados durante o Fórum e acompanhe a apresentação feita pelos empreendedores para seus negócios.

Echo Music
– empresa focada na produção e comercialização de instrumentos musicais de corda ecologicamente corretos. pdf

Ecobrisa Climatizadores Evaporativos
– trabalha com o desenvolvimento, fabricação e comercialização de duas linhas de climatizadores com a tecnologia de resfriamento evaporativo de ar. pdf

E3F
– pretende explorar o segmento de tratamento de efluentes aproveitando a oporunidade criada pela deficiência dos sistemas biológicos em receber efluentes com conteúdo oleoso ou com princípios tóxicos à flora e fauna aquática da qual dependem esses tratamentos. pdf

Ibio
– empresa de produção de biocombustíveis a serviço da eficiência energética. Tem atuação focada no emprego do biogás para substituição de combustíveis industriais, gerando economias financeiras e ganhos ambientais. pdf

Inoveo
– desenvolve sistemas de resfriamento inovadores, baseados em circulação de líquido no interior de microcanais (watercoolers) para aplicação em notebooks e microcomputadores de alto desempenho. web

Simple Powersave
– busca o mercado de suprimento de equipamentos eletrônicos usados para o monitoramento de energia elétrica em residências e empresas em geral, por meio de uma linha de produtos que criam condições para um consumo eficiente e inteligente em ambientes comerciais e residenciais. pdf

Solary
– esse sistema termodinâmico utiliza tecnologia solar térmica de alta eficiência energética baseada no chamado Ciclo de Carnot, quer permite o funcionamento em dias frios e chuvosos e mesmo durante a noite, com baixo consumo de energia . pdf

Vyvedas Cosméticos do Brasil
– apresenta uma linha variada que utiliza produtos naturais, obtidos a partir de óleos essenciais e matérias primas de origem certificada pdf