Fórum das Iniciativas Empresariais do FGVces apresentou as entregas dos três grupos do ciclo 2019

O evento celebrou o fim do ciclo marcado por um novo formato baseado em uma formação integrada 16/12/2019
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O Fórum das Iniciativas Empresariais (iE) do FGVces aconteceu no dia 05 de dezembro, na Fundação Getulio Vargas em São Paulo, e contou com a presença de aproximadamente 80 pessoas. O evento que marca anualmente o encerramento de um ciclo de trabalhos com as empresas-membro, teve como objetivo desfrutar de um espaço para compartilhar os resultados do ciclo de 2019, refletir sobre os aprendizados e celebrar o encerramento.

“A educação sozinha não pode alcançar um futuro mais sustentável; no entanto, sem educação e aprendizagem para o desenvolvimento sustentável, não seremos capazes de alcançar esse objetivo. ” Década das Nações Unidas da Educação para Sustentabilidade (2005-2014)

Nos últimos 10 anos, as iE dedicaram-se a promover encontros e trocas de experiências entre representantes das empresas-membro e, principalmente, a produzir conhecimento sobre sustentabilidade conectado à gestão empresarial e criar conexões entre a academia e as empresas. Nessa trajetória, foram desenvolvidas ferramentas, estudos, métodos e diretrizes relacionados a cinco principais temas: mudanças do clima (EPC), valoração dos serviços ecossistêmicos (TeSe), desenvolvimento local (ID Local), ciclo de vida de produtos (CiViA) e inovação e sustentabilidade na cadeia de valor (ISCV). 

A partir de tudo o que foi produzido e experienciado nos anos anteriores, em 2019 as iE propuseram um novo modelo de trabalho, inspirado na Teoria U e na Transdisciplinaridade, em que os mesmos temas apareceram, porém de forma mais integrada e sistêmica, representados por enunciados de três desafios reais da agenda da sustentabilidade. Esse novo modelo também avançou em outros temas, paradigmas e perspectivas, como competências e atitudes do Sujeito, comunicação e relações dentro e fora das empresas, os quais foram trazidos para complementar o trabalho técnico frente aos desafios.

 “As iE têm a ver com criar pontes, entre as pessoas que atuam nas empresas, mas também entre atores-chave, especialistas, territórios” Mariana Nicolletti – coordenadora das iE do FGVces

Como resultados deste ciclo, além dos aprendizados que emergiram do processo e das relações estabelecidas, foram criadas três contribuições diferentes pelos grupos que trabalharam nos desafios sobre:

  1. Contas empresariais e aspectos ambientas [Desafio: Auxiliar as equipes técnicas das empresas a ‘vender’ projetos com atributos socioambientais, considerando as externalidades, impactos e ganhos envolvidos a fim de comunicar o valor da sustentabilidade e apoiar a tomada de decisão da alta direção]
  2. Desenvolvimento territorial, governança e ODS [Desafio: Contribuir para a articulação e parceria entre atores presentes em um mesmo território (setor empresarial, governos e sociedade civil) para a atuação coordenada em torno de um projeto de desenvolvimento territorial comum, com base na narrativa dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)]
  3. Gestão de portfólios de produtos e pensamento de ciclo de vida [Desafio: Criar e aplicar um jogo, com o público empresarial, sobre pensamento de ciclo de vida e gestão de portfólio com o objetivo de promover uma reflexão sobre os impactos socioambientais dos produtos e inspirar decisões a partir de uma visão sistêmica]

As contribuições desenvolvidas estão disponíveis na publicação online que reúne as três entregas em uma, disponível no link: http://ie.gvces.com.br/2019/


Em 2019, o grupo do primeiro desafio se propôs a pensar na construção de narrativas efetivas para ‘vender’ projetos de sustentabilidade para lideranças e outras áreas de negócios, indo além de argumentos quantitativos, como o resultado do ROI Sustentabilidade. No evento, as contribuições foram apresentados por Tiago Egydio (Basf/Fundação Espaço ECO), Mônica Alcântara (Atvos), Raquel Martins (CBA), Lígia de Lima Carvalho (CPFL) e Natália Ribeiro Cruz (Enel). Acesse aqui a publicação do desafio 1 

“É senso comum que às vésperas de 2020, de COP 25, a gente ainda debata diariamente nas nossas empresas sobre o valor da sustentabilidade.” - Mônica Alcântara

O grupo do desafio 2 se dedicou à criação de um instrumental, pautado num processo participativo, informado e multi-atores, para elaboração de um diagnóstico municipal com base nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e identificação das interconexões e relações entre as metas. A apresentação, feita por Flavia Bejar (Itaú), Lívia Neves (Leroy Merlin), Marcela Oliveira (Atvos) e Camila Stefano (Atvos), contou sobre o significado da Jornada em campo e mostrou a ferramenta em Excel. Acesse aqui a publicação do desafio  2

“A vivência territorial durante a Jornada no Vale do Ribeira foi fundamental para nosso desafio. ” - Livia Neves

O grupo 3, representado no palco por Matheus Fernandes (Fundação Espaço ECO) e Lívia Lopes (Leroy Merlin), apresentou o jogo de tabuleiro desenvolvido pelo grupo, chamado ‘Jogo do Ciclo: suas escolhas nossas consequências’, que tem o objetivo principal mobilizar e inspirar as decisões dos colaboradores envolvidos na gestão portfólios de produtos das empresas, a partir da integração do pensamento de ciclo de vida nesses processos. Acesse aqui a publicação do desafio  3

“Achávamos que iríamos criar um documento pesado, 120 páginas com diretrizes empresariais para inserção do pensamento do ciclo de vida na gestão de portfólio, mas não, resolvemos criar um jogo para promover um ambiente lúdico nas empresas para as pessoas incorporarem os diferentes papeis das áreas e da tomada de decisão. ” (Matheus Fernandes)

Durante as três apresentações, as pessoas presentes na plateia foram convidadas a registrar em tarjetas possibilidades de melhorias e ideias para as entregas dos grupos, a partir da orientação “Preencha a frase ‘E se...’”, já que as contribuições desenvolvidas pelos grupos são um primeiro passo e deixam um convite para aprimoramentos, melhorias, aplicações; perguntas também poderiam ser registadas nas tarjetas.


E se... o ROI fosse sobre uma iniciativa de bem-estar? Biodiversidade? Há um método para isso?

E se... a FGV também se abrir e se somar à Fundação Dom Cabral na Liga de Intraempreendedorismo no desafio 1 (venda interna de sustentabilidade)?

E se... o instrumental fosse discutido com os municípios em desenvolvimento de planos de governo?

E se... o jogo do ciclo fosse aplicado nos demais cursos e MBA’s da FGV, que não só o Master de Sustentabilidade?

E se... o foco dos desafios fosse o público-alvo: área financeira, conselhos, VPs? Formação da alta liderança em Sustentabilidade!

E se... a FGV utilizar inteligência artificial para apoiar o aprimoramento da ferramenta do desafio 1?

E se... a FGV fizer uma simplificação do jogo, de um produto, via aplicativo, para que gerentes possam usar em reuniões rápidas?

E se... o instrumental do desafio 2 fizer link ao ranking oficial da ONU? The SDG Index – por país. Podemos seguir a mesma metodologia para Estados e Municípios para ficar alinhado com o país? https://dashboards.sdgindex.org/#/ 

O fórum teve ainda a participação de Vicente Góes, professor e pesquisador em Transdisciplinaridade e psicólogo, que compartilhou provocações e inspirações sobre gestão para sustentabilidade na perspectiva da finalidade. Partindo da reflexão sobre as diferenças entre efetividade, eficácia e eficiência, reconhecendo que eficiência tem a ver com maximização, a eficácia com o atingimento dos objetivos e metas e, por fim, a efetividade tem a ver com a criação de efeitos claros em alinhamento com uma finalidade. 


“Se queremos deslocar os impactos das empresas, precisamos olhar para a finalidade da gestão. Esse é o ponto.” - Vicente Góes

No decorrer dessa fala, trouxe também perguntas sobre o que nos levou ao problema da sustentabilidade, que nos convoca a pensar em como engajar lideranças e stakeholders em um processo incerto e complexo. 

“As relações são experiências humanas muito difícil de se prever.” - Vicente Góes

Para resolução de problemas no campo da sustentabilidade, ou seja, da complexidade, a pergunta é: qual a nossa capacidade de resolver um problema com a real disponibilidade e um entendimento mais profundo sobre a finalidade da gestão – queremos apenas resolver o problema ou há espaço para as subjetividades e as experiências relacionais mudarem os caminhos de como os problemas são tratados? 

“Em nome do que eu faço o que eu faço? Em nome do que eu consumo? Em nome do que eu trabalho?” - Vicente Góes

Fica, ao final do evento, a sensação do processo vivido, dos aprendizados e das entregas feitas; ficam as reflexões e provocações e fica o convite para o ciclo 2020 das iE em que será proposto um percurso sobre as transformações necessárias aos negócios e as suas relações no contexto do Antropoceno, com foco em três vetores principais: sistema climático, cadeia de valor e matéria-prima e inclusão e redução de desigualdades. Nesse sentido, equipe do FGVces, pessoas convidadas e empresas se dedicarão a pensar sobre as finalidades, processos, os ‘comos’ e os ‘porquês’ e as oportunidades sobre um novo jeito, imperativo, de estar no mundo. Para saber mais sobre o ciclo de 2020, clique aqui.

Nosso agradecimento a todas as pessoas que estiveram presentes no Fórum e ao longo do ciclo 2019!

 Parte do grupo dos participantes das empresas-membro do ciclo 2019 das iE e da equipe do FGVces