Fórum destaca aprendizados de empresas na vanguarda da sustentabilidade em 2015

Neste ano, as Iniciativas Empresariais do GVces trabalharam temas estratégicos para o desenvolvimento sustentável do Brasil, como precificação de carbono, inovação na distribuição e logística e serviços ecossistêmicos culturais 04/12/2015
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Local Auditório Itaú, FGV-EASP
Data: 17 de novembro de 2015 Projetos: Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), Iniciativa Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local),
Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), Projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), e
Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) Participantes: Público em geral Apresentação: Beatriz Kiss (GVces), Carolina De Jongh (Instituto Votorantim), Danielle Vieira (Anglo American),
Fernanda Ferraz (IPS Comunidades), João Zeni (Telefônica Vivo), Lívia Pagotto (GVces), Luiz Xavier (Braskem),
Marco Ortega (ReSolution), Mariana Nicolletti (GVces), Munir Soares (GVces), Natalia Lutti (GVces), Osmarina Godoy (Seikin),
Priscila Cortezze (Citi), Suelen Joner (Lojas Renner), e Tomas Inhetvin (GIZ)
Mediação: Paulo Branco (GVces)
Texto: Bruno Toledo (GVces)

O ano que termina foi complicado para o Brasil. A crise hídrica, que continua atormentando os brasileiros, evidenciou como poucas vezes os limites do planeta - e, consequentemente, da ideia de que podemos crescer continuamente a partir da receita tradicional de mais produção e mais consumo de matéria-prima e bens. A crise econômica ameaça conquistas importantes do país nas últimas décadas em matéria de estabilidade econômica e impacta duramente o ambiente de negócios no país. A crise de imagem afeta instituições públicas e privadas, minando a confiança da sociedade nesses atores. Não nos esqueçamos da crise ambiental, representada pelo desastre de Mariana e das cidades ao longo do Rio Doce. Todas elas se conectam em algum aspecto e em algum momento, o que torna o cenário ainda mais complexo para quem o analisa com alguma distância.

Num cenário tão difícil, como buscar soluções para os problemas comuns, a partir da sustentabilidade? Para o GVces, a complexidade da realidade não pode ser motivo de paralisia. Por isso, acredita que é na atuação em rede que se encontra um caminho construtivo e integrador para encaminhar soluções para os desafios dessa realidade. Esse é o princípio que fundamenta a atuação das Iniciativas Empresariais (IEs) do GVces, um conjunto de projetos que procuram capacitar, engajar e articular as empresas brasileiras em torno de agendas estratégicas para o futuro sustentável do país, com o propósito de estimular esses atores na vanguarda da sustentabilidade empresarial do mundo.

Durante o ano de 2015, essas Iniciativas – Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), Iniciativa Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local), Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), Projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), e Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) – reuniram profissionais de empresas de diferentes portes e setores econômicos para debater desafios, oportunidades e possibilidades de internalização das externalidades socioambientais em seu modelo de negócio, em temas como precificação de carbono, valoração de serviços ecossistêmicos, gestão de fornecedores, inovação na distribuição e logística, pegada de carbono, monitoramento do desenvolvimento local e avaliação de impacto.

No último dia 17 de novembro, essas Iniciativas e suas empresas membro apresentaram ao público presente no Auditório Itaú, na FGV-EAESP (São Paulo), suas conclusões e aprendizados sobre as atividades desenvolvidas neste ano e suas perspectivas para a agenda conjunta desses projetos para o ano de 2016.

A roda de conversa foi mediada pelo vice-coordenador do GVces, Paulo Branco, que foi chamando alguns representantes das empresas para que se juntassem a ele no palco e compartilhassem as experiências e aprendizados do ano em cada tema, cujo relato vem a seguir.

 

Trabalhar nesse cenário de crise, e em rede, significa construir soluções mais consistentes e inovadoras para desafios muito complexos. Trabalhar em rede significa colocar a sustentabilidade no centro da tomada de decisão, promover o mainstreaming da sustentabilidade.

Paulo Branco, vice-coordenador do GVces 

CADEIAS DE VALOR: DISTRIBUIÇÃO & LOGÍSTICA, GESTÃO DE FORNECEDORES E ANÁLISE DE CICLO DE VIDA

Um aspecto importante das atividades de ISCV neste ano foi a percepção de que precisamos cada vez mais articular a cadeia de forma constante. Identificamos muitas pequenas e médias empresas voltadas para criar plataformas de conexão entre grandes empresas e soluções inovadoras para seus desafios.

Munir Soares, coordenador do programa Inovação na Criação de Valor do GVces

O foco do ciclo 2015 de ISCV foi apontar a necessidade de desenvolver e incentivar soluções inovadoras e disruptivas para o setor logístico nacional, que impulsionem mudanças profundas e significativas nas práticas de gestão e operação, incorporando aspectos de sustentabilidade.

A flexibilidade e disposição para inovação das pequenas empresas é um caminho para se chegar nessas soluções. Por isso, mais uma vez, ISCV promoveu uma chamada de casos, buscando experiências de pequenos empreendimentos com soluções de produtos e serviços com atributos de sustentabilidade na área de distribuição e logística. Oito casos de todo o Brasil foram selecionados pela equipe do GVces, e destacados durante o Fórum Anual das IEs com um espaço de feira, no qual eles puderam mostrar ao público suas inovações e fazer contato com outras empresas e organizações.

Outra iniciativa empresarial com olhar atento às cadeias de valor de grandes empresas iniciou suas atividades neste ano. A iniciativa Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), tem como objetivo apoiar a incorporação do pensamento de ciclo de vida na gestão empresarial, disseminando os conceitos e sua aplicação no mapeamento e análise de externalidades, além de fomentar a quantificação e a gestão dos impactos ambientais dos produtos e serviços por meio da abordagem de ciclo de vida.

Em seu 1º ciclo de atividades, a CiViA voltou suas atenções para apoiar as empresas membro na análise de um produto/serviço específico de cada organização em uma categoria de impacto ambiental – mudanças climáticas. Assim, a equipe do GVces auxiliou as empresas de CiViA no desenvolvimento de estudos de pegada de carbono, que faz uma análise dos impactos do produto/serviço em matéria de clima ao longo de sua existência. Para as empresas, mais do que fazer esse estudo, os projetos piloto de pegada de carbono ofereceram informações novas sobre seus processos e negócios, que podem ajudá-las numa gestão corporativa mais eficiente e sustentável.

Ficamos surpresos em saber que o maior impacto na pegada de carbono da calça jeans que comercializamos está em seu uso. Esse resultado nos trouxe uma possibilidade de trabalhar no processo de tomada de decisão do cliente, informando-o para que ele possa tomar a melhor decisão e reduzir essa pegada.

Suelen Joner, engenheira de sustentabilidade das Lojas Renner

 

O GVces consegue aproximar as metodologias do dia-a-dia das empresa, facilitando a sua aplicação nas operações internas. O trabalho do Programa Brasileiro GHG Protocol com inventários corporativos de emissões é um exemplo desse esforço. Quem sabe a ACV também siga nesse caminho?

João Zeni, gerente de sustentabilidade da Telefônica Vivo

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS: INSTRUMENTOS ECONÔMICOS, PRECIFICAÇÃO E VALORAÇÃO

No contexto das mudanças do clima, nosso desafio é se adaptar a esse novo cenário, é uma questão de sobrevivência que extrapola a linha da competitividade. Quem não se adaptar, não vai perpetuar o seu negócio.

Luiz Xavier, coordenador corporativo de desenvolvimento sustentável da Braskem

O esforço da Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), outra iniciativa do GVces, é apoiar as empresas na construção coletiva de uma agenda climática que facilite a transição dos atores econômicos para um cenário de baixo carbono nas próximas décadas, com um olhar para as políticas e os instrumentos com melhor custo-efetividade para as empresas e para as oportunidades que se abrem nesse contexto.

A partir de um grupo de trabalho, a EPC explorou propostas para a operacionalização do Plano Indústria de Baixo Carbono (IBC), com foco especial na viabilização de projetos de eficiência energética, que promovam a redução de custos e o aumento da competitividade da indústria brasileira, além de integrar políticas, planos e iniciativas em andamento. Essas propostas foram sistematizadas pela equipe do GVces e organizadas numa publicação, lançada no final de outubro.

Outra frente importante de trabalho da EPC foi a agenda de precificação do carbono, com a continuidade das atividades do Sistema de Comércio de Emissões (SCE EPC). Criado em 2014, o SCE EPC é uma simulação de mercado de permissões de emissão de gases de efeito estufa (GEE) do tipo 'cap-and-trade', ou seja, que busca restringir a quantidade de GEE de um grupo de empresas dentro de um limite pré-estabelecido. Neste 2º ciclo do SCE EPC, 23 participaram da simulação. Os resultados analíticos do 1º semestre estão disponíveis aqui.

Se a agenda de clima está se consolidando dentro das empresas, outra agenda começa a dar os primeiros passos nesse rumo: a de serviços ecossistêmicos. A iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) tem como objetivo desenvolver estratégias e ferramentas destinadas à gestão empresarial de impactos, dependências, riscos e oportunidades relacionados a serviços ecossistêmicos.

Neste ano, a TeSE dedicou-se a avançar na agenda de valoração dos serviços ecossistêmicos, com foco num tipo diferente de valoração: a não econômica, em particular de serviços culturais. Além disso, a TeSE também continuou seu trabalho no aperfeiçoamento das diretrizes empresariais desenvolvidas nos ciclos anteriores – para valoração econômica (DEVESE 2.0) e para relato de externalidades ambientais (DEREA) – e orientou um grupo de empresas membro na condução de projetos piloto de aplicação dessas diretrizes.

Os casos apresentados hoje apontam para um movimento de internalização das externalidades no processo de tomada de decisão das empresas. Nos últimos anos, avançamos muito na agenda do carbono, e parece que começamos a vislumbrar a mesma possibilidade no campo dos serviços ecossistêmicos.

Paulo Branco, vice-coordenador do GVces

DESENVOLVIMENTO LOCAL: MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE IMPACTO

Creio que tivemos muita sorte de inscrever nosso caso neste ciclo da ID Local. O alinhamento conceitual entre esta iniciativa e o nosso projeto é muito grande. Da mesma forma que em ID Local, todo o processo do IPS Comunidades foi coconstruído, baseado na troca de conhecimento e experiências de diferentes atores. Além do fato de poder trazer esse caso para um ambiente acadêmico, com pessoas com conhecimento notório. Um espaço rico de troca e de oportunidades.

Fernanda Ferraz, consultora do projeto Índice de Progresso Social/IPS Comunidades, um dos casos selecionados por ID Local para participar do ciclo 2015

A Iniciativa Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local) busca articular o setor empresarial para reflexão, troca de experiências e construção de propostas e diretrizes empresariais para o desenvolvimento local no contexto dos grandes empreendimentos. Da mesma forma que as Iniciativas Empresariais anteriores, o propósito da ID Local é que a questão do desenvolvimento local seja internalizada no processo decisório das grandes empresas brasileiras.

Em 2015, a ID Local propôs a construção de diretrizes para a formulação e implementação de indicadores de monitoramento e avaliação de impacto, tanto corporativos como de desenvolvimento local, incluindo sua cadeia de valor. Para tanto, a iniciativa também realizou uma chamada de casos, em busca de iniciativas inovadoras em monitoramento do desenvolvimento local e em avaliação de intervenções empresariais no território, no Brasil e na América Latina. Foram selecionados quatro casos, dois para cada tema, que tiveram a oportunidade de apresentar suas experiências às empresas membro da ID Local e que farão parte da publicação do ciclo, que deve ser lançada no começo de 2016.

JORNADA EMPRESARIAL TERCEIRA MARGEM

Inspirada nas imersões em campo promovidas pela disciplina eletiva organizada pelo GVces para a FGV-SP, a Formação Integrada para Sustentabilidade (FIS), esta viagem leva representantes das empresas membro de todas as Iniciativas para um território que integra diferentes desafios da sustentabilidade – neste ano, as IEs visitaram Guaraqueçaba, cidade famosa pelas reservas florestais e pelo turismo ecológico na Baía do Paranaguá (Paraná).

Estar em campo, vivenciando a realidade que geralmente discutíamos em sala de aula, é uma experiência marcante. Além da condução atenta da equipe do GVces durante toda a viagem, com uma responsabilidade que foi além do profissionalismo. Um trabalho sério, responsável, e com um carinho muito grande por nós.

Osmarina Godoy, diretora administrativa da Seikin

AGENDA 2016: RECURSOS HÍDRICOS

Estamos fazendo um movimento ainda mais intenso de integração dos temas de trabalho das Iniciativas Empresariais, e de integração com o conjunto de programas e projetos do GVces, de ganho de eficiência e sinergia. E essa entrega será em torno de um tema central, fundamental para o Brasil – recursos hídricos.

Paulo Branco, vice-coordenador do GVces

Em 2016, as Iniciativas Empresariais do GVces vão voltar suas atenções para um dos principais desafios ambientais vividos pelo Brasil nos últimos anos: a crise hídrica, que afeta diversas localidades do país desde meados de 2013.

Para o GVces, este tema tem o potencial de reunir as experiências e o conhecimento das cinco iniciativas para a construção de soluções em rede, olhando para questões como a pegada hídrica, adaptação às mudanças climáticas, valoração de serviços ecossistêmicos relacionados a recursos hídricos, aspectos de inovação na gestão desses recursos, e a governança dos territórios no que diz respeito à água.