Grupo de Trabalho – Força-Tarefa para Finanças Sociais (GT-FTFS)

05/05/2014
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O Contexto

As fontes tradicionais de financiamento não têm sido suficientes para suprir as demandas dos setores social e ambiental. As doações de organismos internacionais estão estagnadas, o volume de investimento filantrópico ainda é baixo e o investimento social privado (ISP)/corporativo atende cada vez mais a agenda de sustentabilidade das empresas e não as demandas do movimento social.

Tradicionalmente, nas organizações da sociedade civil sem fins de lucro, predominaram a geração de projetos que buscavam soluções inovadoras para problemas sociais. Estas organizações, em grande parte, dependiam de recursos governamentais, da filantropia familiar, individual e internacional e de doações do investimento social corporativo. Não se esperava dessas organizações retorno financeiro e, sim, social, mesmo que sem uma profunda preocupação com sua mensuração.

Nos últimos anos, vemos a presença de novos e antigos investidores/doadores que percebem que seus recursos podem contribuir mais para a solução de problemas sóciais utilizando também mecanismos de mercado. Eles estão buscando uma combinação de impacto social e ambiental com retorno financeiro (distribuído ou não ao investidor), conhecido como retorno híbrido.

Junto com estes atores, novos e existentes mecanismos financeiros começam a ser desenvolvidos ou adaptados para atender esta demanda, tais como Social Impact Bonds (em particular na Inglaterra e EUA), empréstimos para OSCs (exemplo, a Sitawi, no Brasil), crowdfunding, mobile giving, RDSP (Fundo de Pensão para pessoas com deficiência, do Canadá).

Estes mecanismos passam a exercer um papel importante para atrair cada vez mais capital para o campo social, com soluções inovadoras e escaláveis.

Cientes dessa oportunidade, países como Inglaterra (pioneira), Canadá e EUA perceberam que uma forma de acelerar o crescimento deste campo seria através da formação de forças-tarefa com o objetivo de identificar gargalos e oportunidades, e listar recomendações de medidas que poderiam ser adotadas para o setor avançar em seus países.

Mais recentemente, em Junho de 2013, o G8 lançou uma força-tarefa para elaborar recomendações para os 8 países membros com o intuito de impulsionar o setor de finanças de impacto.

 

A Oportunidade

Dados do Censo de 2013 do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE) apontam para recursos da ordem de 2,3 bilhões de reais sendo destinados por seus associados ao campo socioambiental (Censo GIFE 2013) via investimento social e doações. Outra recente pesquisa, lançada em 2010 pela Comunitas e pelo Benchmark do Investimento Social Corporativo (BISC), aponta para 1,6 bilhões de reais destinados voluntariamente a projetos sociais.

Segundo a Charities Aid Foundation (CAF), a relação doações/PIB para o Brasil seria da ordem de 0,05% enquanto que nos Estados Unidos esse índice se aproxima de 2%. As diferenças entre as duas nações acenam para o potencial de regulações e mecanismos existentes em outros países que poderiam estimular a filantropia e o investimento social no Brasil. Acreditamos haver indícios de que existe potencial para crescimento nessa taxa em nosso país.

Inspirados pelas forças-tarefa de Finanças Sociais implementadas em outros países, e pela visão de que novas regulamentações e mecanismos inovadores possam contribuir para uma maior mobilização de capital investido com impacto social, o ICE e o GVces convidaram um grupo de organizações do ecossistema de finanças sociais e negócios sociais para formar um Grupo de Trabalho (GT). A tarefa desse GT é identificar, estudar e descrever temas que representem obstáculos ou oportunidades para o campo de finanças socais no Brasil. Cabe também a este grupo articular a composição de uma força-tarefa brasileira em finanças sociais, a qual deverá ter o papel de gerar recomendações para a sociedade e propor uma estratégia para implementação destas recomendações.