GVces assina carta de apoio à Declaração do Capital Natural

A Declaração procura apoiar a integração do capital natural nas decisões estratégicas de serviço e investimento de instituições financeiras internacionais. 25/09/2013
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Bruno Toledo

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) tornou-se oficialmente apoiador da Declaração do Capital Natural, ao lado de importantes organizações do cenário mundial, tais como a Conservation International (CI), World Wildlife Fund (WWF), Carbon Disclosure Project (CDP), Global Reporting Initiative (GRI), Global Footprint Network, UNPD, SPVS, entre outras. Lançada durante a Rio+20, em junho de 2012, a Declaração é um compromisso de presidentes de instituições financeiras para que as considerações do Capital Natural sejam integradas aos seus produtos e serviços. A Declaração é fruto da articulação e do trabalho da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI, sigla em inglês), do Global Canopy Programme (GCP) e, no Brasil, do GVces.

Esta iniciativa nasceu da percepção de que instituições financeiras podem se beneficiar ao compreender melhor os impactos, embora indiretos, que suas atividades causam sobre o Capital Natural, entendido como o estoque e o fluxo de recursos naturais e serviços ecossistêmicos, sobre os quais se apoia toda e qualquer atividade humana e econômica, e também sobre os efeitos que a ‘erosão’ do capital natural e/ou a redução do fluxo de serviços podem ter sobre suas atividades de financiamento, investimento e seguro. A ideia da Declaração surgiu a partir do trabalho da UNEP-FI sobre incorporação de serviços ecossistêmicos e biodiversidade no setor financeiro. Com base nesse estudo, de 2010, foram conduzidas seis reuniões regionais com representantes das Nações Unidas, de instituições financeiras e da sociedade civil para que fosse elaborado um acordo comum. Em 2011, a UNEP-FI uniu esforços ao GCP e ao GVces para elaborar a proposta, hoje contida na Declaração que, como explica Roberta Simonetti coordenadora do Programa de Finanças Sustentáveis do GVces, é de “trabalhar coletivamente com a construção desta agenda, que passa por compreender os impactos e dependências do capital natural, apoiar o desenvolvimento de metodologias, trabalhar para a integração do capital natural na contabilidade e no desenvolver relatórios integrados”.

Para Mario Monzoni, coordenador-geral do GVces, aderir à Declaração é uma oportunidade importante para que instituições financeiras, e consequentemente o próprio setor produtivo, deixem de considerar o Capital Natural como um capital de ‘custo zero’, não sendo incorporado na hora de avaliar riscos e contabilizar retornos. “As instituições financeiras tomam decisões a partir do balanço entre risco e retorno. Se trouxermos a externalidade do capital natural na conta, as empresas continuarão a operar, mas acrescentando esse elemento que antes ficava de fora da equação”.

A iniciativa do Declaração do Capital Natural entrou em fase de implementação, que se baseia em um roadmap que procura apoiar o processo de integração do capital natural às considerações estratégicas e viabilizar uma prestação de contas à sociedade, acionistas e investidores, mais realista, isto é, que leve a natureza adequadamente em conta. O plano de implementação define passos importantes, que serão conduzidos a partir de quatro grupos de trabalho, coordenados por importantes instituições do cenário da sustentabilidade. São eles: GT1 “Compreender os impactos e dependências do capital natural”, presidido pelo Grupo Rabobank (Holanda) e coordenado pelo GCP; GT 2 “Incorporar as considerações do capital natural em produtos e serviços financeiros, presidido pelo Banorte (México) e coordenado pela Natural Value Initiative; GT 3 “Integrar o capital natural na contabilidade” presidido pelo National Australia Bank (Austrália) e coordenado pela KPMG e o GT 4 “Fornecer informações e relatar de forma integrada” presidido pelo Nedbank (África do Sul) e coordenado pelo CDP.

Qualquer instituição financeira pode ser tornar signatária e fazer parte dos Grupos de Trabalho. Mais informações em www.naturalcapitaldeclaration.org

Foto: Ricardo Barretto (GVces)