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Tráfico de aves e ceva de onças no Pantanal - Americano citado em CPI da Biopirataria

15/11/2009 - Diário de Cuiabá - Steffanie Schmidt Da Reportagem

Crime ambiental

Denunciado na última semana pelo MPE por agredir ambiente no Pantanal, Charles Alexander Munn é apontado por tráfico de aves e ceva de onças

Estrangeiro tem pousada no Pantanal Mato-grossense, onde principal atrativo é observação de onças

 

Velho conhecido do meio ambiente brasileiro, o americano Charles Alexander Munn, denunciado semana passada pelo Ministério Público Estadual (MPE) pela prática de crimes ambientais, é um dos nomes citados com freqüência no relatório final da CPI da Biopirataria, elaborado pela Câmara dos Deputados no início de 2006.

Tráfico de aves no Nordeste do país, ceva de onças no Pantanal e, mais recentemente, destruição de vegetação nativa além de propriedade irregular de terras dentro de reserva de proteção ambiental são alguns dos crimes ambientais ligados ao nome do biólogo.

Durante a CPI, Otávio Nolasco de Farias, proprietário da fazenda Serra Branca (BA), celeiro de reprodução da arara-azul-de-lear no Brasil, afirmou que conhecia "Zelito", o maior traficante dessa espécie de arara e que teria sido ele o responsável por iniciar Charles Munn e seu sócio, Pedro Cerqueira de Lima, ambos dirigentes da Fundação Bio Brasil, no negócio de trafico de aves.  A ONG de Munn se auto-define como responsável pela conservação da fauna e flora ameaçada de extinção em vários biomas no Brasil.

A BioBrasil chegou a formar parceria com a fazenda Serra Branca para administrar as terras no entorno do criatório, a fim de proteger as aves dos traficantes.

Entretanto, essa parceria foi desfeita, segundo relato de Otávio Farias, depois de um incidente com duas araras que caíram do ninho e foram encontradas presas em cativeiro, na mesma região.  Segundo seu serviço de investigação particular, Farias identificou rastros de dois funcionários da BioBrasil no local onde as duas aves haviam caído.

O próprio administrador da ONG, Pedro Cerqueira de Lima, afirmou, em seu depoimento à CPI, que alguns funcionários da fundação eram ex-traficantes.

O número de aves em criatórios é autorizado e controlado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na tentativa de evitar o tráfico, o que nem sempre é possível.

Interessado nas araras, Charles Munn tentou comprar a área de "As Barreiras", no entorno da fazenda Serra Branca, mas, segundo Otávio Farias, ele se antecipou e comprou dois terços das terras.

Uma das práticas utilizadas por Munn na época em que a fundação BioBrasil administrava o entorno do criatório era a plantação de roças de milho, a fim de atrair novos animais.  A ceva é condenada por ambientalistas em todo mundo, por não ter base científica e prejudicar o hábito natural dos animais.

O biólogo americano é acusado de utilizar o mesmo método para atrair onças no Pantanal Mato-grossense, onde tem propriedade voltada para o turismo.

De acordo com reportagem produzida pelo site O Eco, em outubro do ano passado, restos de animais mortos ou mesmo vivos e amarrados, encontrados na mata, aumentaram depois da presença do empreendimento de Munn na região.

Munn diz que veio ao Brasil a convite federal

Da Reportagem

Atuando no Brasil desde 1987, de início, a convite do governo federal para elaborar pareceres científicos sobre araras, o americano Charles Munn alega que a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra ele, de prática de devastação da vegetação nativa, é infundada.  Zoologista PhD, ele acredita que o Pantanal é mais ameaçado pelo desmatamento e pela pesca descontrolados do que pela ceva de onças.

A região onde está a Pousada Biguá, no Parque Estadual Encontro das Águas, maior área protegida no Pantanal, fica a cerca de 250 quilômetros ao sul de Cuiabá.  Às margens do rio Três Irmãos, próximo a Porto Jofre, e dentro da unidade de conservação, fica a base do zoologista norte-americano.

De acordo com sua defesa, o plano de projeto da atividade turística na Estância Biguá, bem como requerimento de Licença Prévia, foi protocolado junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).  "Vale frisar que de acordo com parâmetros internacionais, as barracas móveis na Estância Biguá não provocam impacto ambiental, uma vez que o ecoturismo é a única ferramenta para se alcançar o Desenvolvimento Sustentável", diz trecho da nota.  (SS)

Novos projetos são implementados

Da Reportagem

Além dos vários projetos turístico-ambientais que mantém no Brasil, o zoologista americano Charles Munn estuda novos investimentos para os próximos anos.  Tudo o que foi adiantado por sua assessoria jurídica é de que se trata de um projeto de conservação ambiental em outra área de sua propriedade, destinada à conservação de fauna e flora, voltado ao Mercado de Créditos de Carbono de acordo com critérios de elegibilidade da ONU.

Sobre as citação na CPI da Biopirataria relacionando-o ao tráfico de aves, a defesa alega que Munn possui "profundas pesquisas e conhecimento técnico em conservação de onça pintada e ariranhas, além de ser o mais conceituado ornitólogo do cenário internacional, desenvolve há mais de 20 anos projetos ambientais em toda a América Latina".  O advogado de defesa Ewerson Duarte cita ainda matéria de capa da National Geographic, edição nº 185, onde ele descreve suas observações quanto ao comportamento e perigos que correm as araras na Amazônia peruana e suas ações conservacionistas.

Em relação à ceva de onças no Pantanal, sua defesa alega que se trata de especulações infundadas de outros empresários que mantêm atividades turísticas na região e tiveram um fluxo menor de turistas após a instalação de Munn no local.  "Consideramos que as atividades turísticas operadas internacionalmente pela rede de relacionamentos do Sr.  Charles Munn vão de encontro com as políticas públicas do Estado do Mato Grosso quanto ao que concerne ao Turismo, trazendo renda, divisa e emprego para o Estado", diz trecho da nota.  (SS)

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