Indicadores de Juruti

De 2007 a 2011, o GVces apoiou o município de Juruti/PA na construção coletiva de indicadores para monitorar as transformações socioeconômicas e ambientais geradas por um empreendimento da Alcoa na cidade. 30/12/2011
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O projeto Indicadores de Juruti é fruto de um trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) em conjunto com a população de Juruti e apoio da Alcoa.

A origem do trabalho remonta a 2005, quando a Alcoa convidou a FGV e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) a apresentar uma proposta de modelo de desenvolvimento local de longo prazo para Juruti, que à época enfrentava o início de grandes e profundas mudanças em sua realidade, com a chegada da empresa para um projeto de mineração na região.

O modelo apresentado, denominado “Juruti Sustentável” (JS), parte de quatro premissas:

- a participação ampla e efetiva da sociedade;

- as transformações geradas pela implantação da mina de bauxita em Juruti extrapolam os limites municipais;

- essas transformações se dão dentro de um contexto de dinâmicas de desenvolvimento regional; e

- a necessidade de uma contínua internalização da sustentabilidade dentro da empresa.

Além dessas quatro premissas, o JS tem por base um tripé de intervenção, que contempla a criação e articulação de um espaço de mobilização social, a construção de indicadores para monitorar as transformações sociais, ambientais e econômicas de Juruti e região, e a formação de um fundo de apoio a projetos de desenvolvimento local.

Conheça a proposta em detalhes na publicação "Juruti Sustentável: Uma proposta de modelo para o desenvolvimento local"

Indicadores

Em 2007, a FGV foi convidada pela Alcoa a construir os indicadores de monitoramento, enquanto iniciativas paralelas conduziam a implementação dos outros dois pilares do modelo. Com as premissas do “Juruti Sustentável” em mente, a FGV tinha dois importantes desafos: construir os indicadores por meio de um processo que garantisse a participação ampla e efetiva da sociedade local e desenvolver uma metodologia para a defnição de um território de monitoramento.

Foram dois anos de trabalho, com o envolvimento de mais de 500 representantes de instituições locais e regionais, uma série de 5 pesquisas, oficinas e reuniões para a construção dos indicadores e a coleta de dados, além de um amplo levantamento bibliográfico e de campo para a defnição do território a ser monitorado.

Um dos resultados desse projeto é o “retrato” apresentado no livro " Indicadores de Juruti: Para onde caminha o desenvolvimento do município". A publicação e o contínuo monitoramento do desenvolvimento de Juruti podem alimentar espaços públicos de articulação política, tais como os conselhos municipais e o Conselho Juruti Sustentável (Conjus), bem como outras instâncias de participação, com informações sobre as transformações – esperadas ou indesejadas – ocorridas em Juruti.

Os indicadores têm a possibilidade também de subsidiar e orientar as políticas públicas municipais, estaduais e federais, o investimento das empresas na região, além de instrumentos fnanceiros colocados à disposição da comunidade, como o Fundo Juruti Sustentável (Funjus). Essencialmente, os indicadores podem ajudar a população a conhecer qual é a situação das principais questões relacionadas ao desenvolvimento do município, assim como defnir e apontar quais prioridades e caminhos a seguir.

Destaques da publicação lançada em 2011:

•As informações dos temas saúde, educação e grupos sociais vulneráveis estão mais atualizadas e robustas;
•Na segurança, uma parceria entre instituições reuniu as ocorrências das polícias civil e militar;
•Um levantamento em 198 das 207 comunidades rurais traz informações de infraestrutura comunitária, religião e manifestações culturais da região;
•Na área de desenvolvimento agrícola e pesqueiro, os indicadores trazem um retrato das condições de vida e de produção de pescadores e agricultores;
•Os indicadores enriqueceram as informações sobre cultura, esporte, turismo e lazer, áreas em que o desafio de coleta de dados é grade.
A leitura dos indicadores:
•No meio rural, comunitários engajaram-se para pensar em formas de envolver melhor os pais nas questões escolares, diante dos indicadores de vulnerabilidade social, refletiram sobre o êxodo rural e suas consequências na produtividade e economia agrícola e resgataram, por meio da compreensão dos dados e gráficos, a autoestima e a valorização de cada um como cidadão;
 
•Na cidade, servidores e colaboradores de diversas instituições públicas e privadas discutiram não apenas as principais questões do município, como também a importância de registrar seus dados, para que com a análise conjunta possam dar mais qualidade ao planejamento de suas instituições;
•Os universitários usaram os dados para suas pesquisas e trabalhos finais;
•Os professores e coordenadores pedagógicos propuseram e vêm colocando em prática os mais variados usos para os indicadores nas escolas, em sala de aula ou na construção de indicadores da escola, comunidade ou bairro.

Mais que uma ferramenta

Pelo caráter participativo de sua construção, os Indicadores de Juruti não são apenas uma ferramenta para medição do desenvolvimento ao longo do tempo, mas também um instrumento de transformação e de constante aprendizagem e conscientização de todos.

Os indicadores são um instrumento em construção, que deve ser aprimorado ao longo dos anos. Alguns temas importantes trazidos pela população de Juruti não são apresentados, em razão da falta de dados ofciais ou registros sistematizados. Será preciso um esforço coletivo para que os indicadores possam melhor atender as expectativas e necessidades do município, uma vez que a qualidade dos resultados é inseparável da capacidade de apropriação da ferramenta pela população local.

A expectativa do GVces é que os Indicadores de Juruti se confgurem em um bem público, ao alcance e a serviço de toda a sociedade jurutiense. Esforço realizado nesse sentido foi a série de oficinas de "Uso e apropriação dos inidcadores de Juruti", realizadas pelo GVces no município paraense durante o segundo semestre de 2011. Clique nas imagens abaixo para baixar os fascículos utilizados nos encontros.