Lançamento da Aliança Global de Registro de Emissões

A aliança que é um consórcio de programas de diferentes regiões do mundo que estão apoiando ativamente esforços para a mensuração e gestão de emissões de GEE, foi lançada no dia 18 de junho, em evento paralelo da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável 22/06/2012
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Por Ricardo Barretto (GVces)

Quando se fala em construção de uma economia de baixo carbono – parte da discussão sobre economia verde, em pauta na Rio+20 – tem-se em mente adotar medidas de gestão e tecnologias que reduzam as emissões de gases do efeito estufa (GEE) dos processos e atividades econômicas. Para tanto, é fundamental mensurar as emissões que se pretende reduzir com base em metodologias padronizadas, como o GHG Protocol – a mais utilizada em todo o mundo. “As ações de mitigação locais e subnacionais podem ser bastante significativas, mas é importante trazer informação de base comum que contribua para a avaliação da evolução dessas ações”, disse Mario Monzoni, reforçando a importância das plataformas que registram emissões de GEE, no lançamento da Aliança Global de Registros de Emissões, em 18/6, durante a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
 
A Aliança é um consórcio de programas de diferentes regiões do mundo que estão apoiando ativamente esforços para a mensuração e gestão de emissões de GEE. A proposta é alinhar padrões confiáveis e transparentes, metodologias e ferramentas para a mensuração e gestão de carbono, oferecendo um entendimento preciso, comparável e padronizado de emissões por setor, por atividade ou por país. A Aliança tem como visão “um mundo num caminho mensurável rumo à sustentabilidade” e para tanto busca apoiar as empresas em sua inserção na economia de baixo carbono, referenciar os formuladores de políticas e apoiar os consumidores em suas decisões de compra.
 
Se hoje os registros de emissões em diferentes partes do globo garantem que os inventários de emissões estarão disponíveis para acompanhamento dos esforços corporativos de mitigação da mudança do clima, criar a Aliança Global de Registros de Emissões significa dar a dimensão global a uma ferramenta que busca lidar com um problema também global. A justificativa foi exposta por Beatriz Kiss, coordenadora de projetos do programa Sustentabilidade Global do GVces e responsável pelo Programa Brasileiro GHG Protocol.
 
“A ideia é também não reinventar a roda e sim aproveitar o que está já disponível para que possamos avançar mais rápido e ter resultados positivos em poucos anos”, apontou o premiê da província de Manitoba (Canadá) Greg Selinger, que participou do lançamento expondo iniciativas de baixo carbono de sua gestão. “E isso deve ser feito com ferramentas consistentes e com um sentido real, porque o controle social que existe hoje em dia não admite deixar passar iniciativas sem qualidade”, ressaltou Selinger.
 
Colaboração frente à mudança do clima
 
A Aliança Global de Registros de Emissões também amplifica uma característica fundamental do GHG Protocol, que é a abordagem multistakeholder e multissetorial apontada por Manish Bapna, presidente interino, do World Resources Institute (WRI), instituição detentora da metodologia do GHG Protocol. "O processo de trazer diferentes atores ao redor do Protocolo foi essencial para o avanço do trabalho nos últimos anos.” Bapna lembrou que é fundamental criar maior ambição e maior urgência para lidar com a mudança do clima.
 
Nesse sentido, a importância da Aliança é reforçada ao reunir inicialmente registros de países que estão entre os maiores emissores do mundo. Um deles é o Energy and Climate Registry (ECR) da China, país que já responde por um terço das emissões de todo o mundo e tem no registro um importante instrumento para alcançar a meta de 40 a 45% de redução de emissões até o ano de 2020 (em relação aos níveis de 2005), e viabilizar o sistema nacional de carbono a partir de 2015, conforme explica Feng An, presidente do Centro de Inovação para Transporte e Energia, responsável pelo ECR.
 
Já do contexto norte-americano, entra na Aliança o The Climate Registry (TCR), que reúne atualmente 440 membros entre setor privado, governos, ONGs e academia que reportam anualmente suas emissões de GEE, conforme apresentação de David Rosenheim, diretor executivo do TCR. E do Brasil, o Registro Público de Emissões do Programa Brasileiro GHG Protocol, que já reúne inventários corporativos de cerca de 22% das emissões de todo o setor empresarial do país, conforme lembrado por Mario Monzoni, considerando os dados do inventário nacional (ano base 2005), excluindo as emissões de mudança de uso do solo e desmatamento
 
Próximos passos
 
A partir de agora, os três parceiros fundadores da Aliança irão produzir estudos de casos e desenvolver uma plataforma de informações em rede, terão um encontro de intercâmbio em outubro e um workshop de caráter técnico na Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, no Qatar, em dezembro. Para 2013, está planejado o lançamento de uma base de dados de fatores de emissões, o estabelecimento de padrões comuns para reportar publicamente as emissões e padrões de verificação, e a proposição de diretrizes para o ingresso de novos parceiros.
 
A Aliança Global de Registros de Emissões também está aberta para a participação de outros registros e programas de emissões de GEE ao redor do mundo, buscando agregar conhecimento e compartilhar experiências em mensuração, relato, verificação e gestão de emissões de GEE. Interessados podem entrar em contato com:
 
Beatriz Kiss, beatriz.kiss@fgv.br
Programa Brasileiro GHG Protocol (www.fgv.br/ces/ghg)
 
Robyn Camp, rcamp@theclimateregistry.org
The Climate Registry (www.theclimateregistry.org)
 
Feng An, fengan@icet.org.cn
Energy & Climate Registry (www.chinaclimateregistry.org)