Máquina administrativa é inoperante, diz Nakano

06/12/2005
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ECONOMIA O ESTADO DE S.PAULO

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

Direto da fonte  - 
SONIA RACY

Boa parte dessa discussão intragoverno - mais especificamente entre os ministros Antonio Palocci e Dilma Rousseff -, sobre a aceleração do volume de gastos no governo, não terá efeito prático algum no curto prazo.  Mesmo com a decisão, ontem, da Junta Orçamentária, composta por Rousseff, Palocci, mais os ministros Jaques Wagner e Paulo Bernardo, na qual se decidiu liberar R$ 2,1 bilhões de recursos orçamentários e remanejar outros R$ 700 milhões.  A razão é simples: a máquina do governo é inoperante.  A opinião é do economista Yoshiaki Nakano, ressaltando que este problema não é apenas deste governo.  "Neste, a coisa realmente piorou."  O entrave, geral na administração pública brasileira, vem desde os primórdios da República, passando por JK, que para poder investir teve que criar grupos executivos.  "Os governos militares criaram as estatais para gastar melhor já que, via ministérios, havia muitas dificuldades", evoca, lembrando inclusive que, em passado recente, "quem fazia projeto, edital e contratos apresentados pelos governos, eram as empreiteiras.  Só assim andava".

Como exemplo de dificuldades em investir, Nakano conta passagens suas pela Secretaria da Fazenda paulista, no governo Mário Covas.  "Quando assumimos o Estado, percebemos o imbróglio."  Para poder gastar melhor, Covas centralizou as decisões de investimentos na Fazenda.  Montou uma estratégia entre as várias secretarias e Fazenda para que, juntos, definissem projetos, com o devido cronograma físico e de eficiência acoplados.  "Fazíamos acompanhamento de cada obra e só liberávamos recursos novos, depois da medição do que já havia sido feito."

Na verdade, o que Covas fez foi inverter o jogo.  Segundo Nakano, era a Fazenda que cobrava das secretarias o andamento dos investimentos.  E assim foi montado o modelo a que o atual governador Geraldo Alckmin deu seqüência.

Mas como transferir essa experiência para o governo federal?  "Teriam que acabar com a estabilidade do funcionalismo público e fazer todo mundo trabalhar."  Quando Nakano assumiu, havia 12 mil funcionários lotados na sua secretaria.  Deixou o cargo com 7.500 funcionários, e um projeto que mostrava, tecnicamente, que a secretaria poderia funcionar com 1.500. Todos trabalhando efetivamente.

Soracy@estado.com.br

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