Metodologia para medir emissões de gases do efeito estufa é apresentada publicamente

GHG Protocol é a metodologia mais usada no mundo, atualmente, para a produção de inventários de gases do efeito estufa. Seu objetivo é mensurar emissões e identificar suas fontes para viabilizar iniciativas de mitigação. 22/08/2008
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Ricardo Barretto

O Programa Brasileiro GHG Protocol foi lançado oficialmente em maio, por uma parceria entre o GVces, o WRI (World Resources Institute) e o WBCSD (World Business Council on Sustainable Development), com apoio do CEBDS e do MMA e financiamento do governo britânico.

Desde então aconteceram workshops de estruturação do programa com a participação das empresas que aderiram inicialmente à iniciativa. O evento realizado no dia 21/8, no auditório da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, marcou a primeira oportunidade de divulgação pública e aberta da metodologia e contou com a presença de representantes de empresas, ONGs, academia e setor governamental.

"Para participar do programa, as empresas se comprometem em tornar público seus inventários no período de dois anos”, explicou Rachel Biderman, coordenadora adjunta do GVces, sobre o caráter de transparência e multiplicação do processo. Ela explica que a escolha da GHG Protocol entre outras metodologias existentes no mundo se deu por sua reputação, sua compatibilidade com o Protocolo de Quioto, seu caráter de referência para o ISO 14064 e por sua densidade.

Inventários são para todos

A complexidade da metodologia exige um número máximo de 30 participantes por etapa, na estrutura oferecida pelo GVces. Um novo processo de adesão será aberto no fim de 2008, mas a metodologia tem acesso gratuito no site www.ghgprotocol.org. “Não é preciso ser parte do Programa GHG Protocol para fazer inventário de emissões”, ressalta Rachel Biderman, indicando que essa é uma decisão pela sustentabilidade da empresa acima de tudo.

Prova disso é que algumas companhias que aderiram ao programa já produziram inventários anteriormente, se antecipando a uma futura ampliação do Protocolo de Quioto para países em desenvolvimento. Esse é mais uma ponto destacado por Rachel para mostrar a importância dos inventários de emissão. “Ao tornarem público seu perfil de emissões, as empresas criam uma linha de base que registra seu histórico de mitigação para o momento em que novas regras internacionais entrarem em vigor.” Segundo Rachel, as empresas pioneiras se tornarão mais capacitadas para discussões e negociações futuras e terão mais facilidade para se adaptar a políticas públicas na área.

Além disso, existem oportunidades econômicas em jogo, conforme explica a coordenadora adjunta do GVces. “O mapeamento das emissões também ajuda a identificar possibilidades de projetos para o mercado de carbono, seja nos moldes de Quioto, seja em iniciativas de caráter voluntário.”

Pegada carbônica

Stephen Russel, representante do WRI, também esteve presente ao evento e ressaltou o conceito de pegada carbônica coorporativa. “É uma medida do impacto climático de uma empresa”, resumiu. “A pegada permite gerenciar o que é medido, permite reduzir custos como os relacionados à energia, além de fornecer referências da performance da empresa.” Russel destaca ainda a possibilidade de usar as informações para aprimorar o relatório da instituição e reforçar seus objetivos de responsabilidade social coorporativa.

Para Stephen Russel, uma das ferramentas mais importantes do GHG Protocol é o padrão coorporativo, que possibilita determinar os limites das emissões, identificar as fontes de gases do efeito estufa em meio às atividades da empresa e orientar todos os passos para a redução de sua pegada carbônica. “O padrão coorporativo responde à seguinte pergunta: quais emissões devem ser mitigadas em quais fontes.”

Além disso, a ferramenta permite estabelecer metas de redução e como alcançá-las, por meio de iniciativas compatíveis com as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. Saiba mais sobre o padrão coorporativo em http://www.ghgprotocol.org/standards/corporate-standard.


O evento sobre inventários de emissões contou ainda com apresentação de Laura Valente de Macedo, do ICLEI (sigla em inglês para Governos Locais para a Sustentabilidade), que destacou a campanha Comunidades e Cidades Sustentáveis e a ferramenta baseada no GHG Protocol, específica para inventários de prefeituras (links para páginas em inglês). João Wagner Alves apresentou as iniciativas da CETESB em inventários e Giovanni Barontini, da Fábrica Ethica, falou sobre o Carbon Disclosure Project.