Mudando a Economia do Petróleo

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A civilização industrial é definida pela extraordinária abundância da energia que consome. Até agora, a maior parte desta energia vem de combustíveis fósseis, dos quais o petróleo é o mais valorizado. Todavia, o petróleo tornou-se um fardo que representa uma tripla ameaça à segurança global.

  Primeiro, o petróleo ameaça a segurança econômica global por ser um recurso finito, sem sucessor claro, e o fosso entre oferta e procura aumenta cada vez mais. O petróleo (grande parte importado) representa uma parcela considerável dos orçamentos energéticos dos principais países industrializados: 36% na França, 39% nos Estados Unidos e 49% no Japão, por exemplo. (Os países em desenvolvimento são ainda mais vulneráveis, uma vez que suas importações são maiores em relação ao PIB). Há cada vez mais evidências indicando que a demanda crescente, especialmente de nações como China e Índia, irá em breve superar a oferta, resultando num longo período de aumento nos preços.

  Segundo, o petróleo ameaça a segurança ao solapar a paz, democracia e direitos humanos em muitas regiões. As grandes potências (incluindo os Estados Unidos) há muito exercem seu poderio militar e econômico para garantir acesso a reservas petrolíferas, interferindo nos assuntos internos de outros países e apoiando regimes autoritários quando lhes convêm. Muitas nações com recursos petrolíferos também sofreram a "maldição do recurso natural": a tendência da riqueza mineral sustentar corrupção e conflitos, ao invés de crescimento e desenvolvimento. Recentemente o petróleo tem sido associado ao terrorismo, mais notadamente nas escolas wahhabistas, financiado pela receita do petróleo saudita que ajudou a treinar radicais islâmicos da al-Qaeda.

  Finalmente, o petróleo solapa a estabilidade climática devido ao seu uso como combustível predominante dos transportes mundiais produzir dois quintos de todas as emissões de dióxido de carbono, o principal gás de estufa gerado pela humanidade. Embora as imensas reservais mundiais de carvão continuem representando uma ameaça maior é estabilidade climática, coibir o uso do petróleo torna-se imperativo para o controle do efeito estufa.

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