Oficina aborda emissões associadas a transporte de cargas e passageiros

As emissões de transporte fazem parte do chamado Escopo 3, as emissões ocorridas por operações sob controle indireto das organizações. Além de abordar os desafios associados a essas emissões, o Programa Brasileiro apresentou sua ferramenta auxiliar para quantificação desse tipo de emissão. 29/04/2014
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Bruno Toledo

Na elaboração dos inventários corporativos de gases de efeito estufa (GEE), um dos maiores desafios está na contabilização daquelas emissões que acontecem fora dos limites operacionais de determinada organização, mas dentro da sua cadeia de valor. Dentro dessa categoria especial de emissão, denominada “escopo 3”, um dos setores mais relevantes é o de transporte associado a cargas e passageiros.

“Por exemplo, quando a operação de transporte acontece a partir de um veículo da nossa organização, as emissões são consideradas de escopo 1 – ou seja, são diretamente decorrentes das nossas operações, explica Ricardo Dinato, pesquisador do Programa Brasileiro GHG Protocol e do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces). Quando a operação de transporte acontece fora do controle da organização inventariante, o desafio é como contabilizar de forma justa as emissões de escopo 3 que estão associadas às suas próprias operações, serviços ou produtos. “No caso de passageiros, poderíamos dividir as emissões pelo número de passageiros ou de assentos, ou fazer a divisão pela ocupação média”.

Das 15 categorias que o World Resources Institute (WRI) definiu para emissões de escopo 3, a maioria delas utiliza transporte, mesmo que indiretamente, como viagens de negócios, transporte rotineiro de colaboradores e compra e venda de bens e serviços. Isso mostra como as emissões de escopo 3 em transporte são um desafio importante dentro da contabilização das emissões de uma organização.

Para auxiliar as organizações membro do Programa Brasileiro, a equipe do GVces promoveu uma oficina dedicada à contabilização das emissões de escopo 3 em transporte de cargas e passageiros, realizada na FGV-SP em 03 de abril passado. Além de analisar os desafios desse tipo de contabilização, a oficina também serviu para que os participantes conhecessem a nova ferramenta auxiliar desenvolvida pelo Programa Brasileiro para quantificar as emissões de transporte.

A proposta desta ferramenta auxiliar é apoiar as organizações inventariantes na contabilização das emissões decorrentes de transporte terrestre (metrô, ônibus e trem) e aéreo de passageiros e o transporte terrestre (caminhão e trem), aéreo e marítimo de carga. Durante a oficina, os participantes puderam simular o uso da ferramenta a partir de exercícios conduzidos pela equipe do Programa. Esta ferramenta ainda está em fase beta e será adaptada de acordo com as necessidades das organizações membro do Programa Brasileiro.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)