Oficina da TeSE discute relação entre estratégia empresarial e serviços ecossistêmicos

30/05/2018
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As empresas atuam hoje em um contexto diferente de 15 anos atrás – quando séries históricas pareciam funcionar bem para o futuro – e ainda distantes da realidade que vem nas próximas décadas, quando passaremos pela quarta revolução industrial, pelo aumento da importância dos ativos intangíveis e de operar em uma economia de rede. Esse foi o contexto apresentado por Annelise Vendramini, coordenadora do Programa de Finanças Sustentáveis do FGVces, na oficina da iniciativa Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE), realizada em 29 de maio, que contou com a participação de representantes de cerca de 20 empresas membros da iniciativa.

O desafio empresarial é operar e sobreviver nessa realidade cada vez mais complexa. Para definir sua estratégia, os gestores precisam tomar decisões: que caminho a percorrer e onde se desejachegar. Mas, que fatores externos e internos influenciam esse caminho? Como manter o radar apurado e se adiantar em um ambiente dinâmico e com informações dissipadas? 

Esses foram alguns dos questionamentos que movimentaram as discussões sobre a relação entre estratégia empresarial e serviços ecossistêmicos. As respostas do grupo presente na oficina vão além da mensuração e interpretação de dados para captar riscos e oportunidades materiais. Os participantes citaram a necessidade de diversidade de pensamentos – de gênero, geracional, formações -- para mapear os diversos fatores. Para isso, identificaram que é necessário que as áreas de sustentabilidade se relacionem com outras áreas da empresa, aprimorar relações com stakeholders (além da matriz de materialidade) e diversificar fontes de informação. Outro desafio: como convencer que dependências e impactos nos serviços ecossistêmicos podem ser alguns desses fatores que merecem ser olhados com cuidado? 

Para alguns, o capital natural está intrinsicamente relacionado ao negócio e naturalmente faz parte desse caminho. Na maioria dos casos, entra na estratégia por meio da discussão sobre mudança do clima, que conta com indutores externos que tocaram a alta liderança – o  Acordo de Paris, a proposta brasileira de redução de emissões , mecanismos de precificação de carbono, regulações, entre outros. A valoração de serviços ecossistêmicos ou o cálculo do ROI (sigla para o termo em inglês Return on Investment) de sustentabilidade, por exemplo, ajudam a traduzir o “sustentabilês” para a linguagem de valor do negócio. As iniciativas de relato também trazem os serviços ecossistêmicos para a pauta.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU foram trazidos como um gatilho importante para inserção dos serviços ecossistêmicos na estratégia e contribuem para comunicação, já que simplificam assuntos complexos. Conselhos de administração e comitês de sustentabilidade já requerem que as informações da empresa sejam vinculadas aos ODS. Rockström e Sukhdev apresentam uma nova maneira de ver os aspectos econômicos, sociais e ecológicos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): colocando a sociedade e a economia como como partes integrantes da biosfera.

Clique aqui e acesse a publicação mais recente da TeSE, “Serviços ecossistêmicos relacionados aos negócios”