Pegada de carbono da carne bovina brasileira exportada para a União Europeia: Sumário Executivo

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Há sinais concretos de que aspectos e informações socioambientais se tornarão fatores críticos para produtos exportados aos mercados internacionais, sobretudo à União Europeia (UE). Um exemplo de sinalização é a iniciativa da Comissão Europeia The Single Market for Green Products, que tem como objetivo direcionar o mercado para a escolha de produtos menos impactantes e mais eficientes no uso de recursos, além de esclarecer o que são “produtos verdes” (EUROPEAN COMMISSION, 2013; KISS, 2018). Para tanto, será necessário harmonizar os diferentes métodos de quantificação de impactos ambientais de pro- dutos existentes, facilitando sua aplicação e, principalmente, sua comunicação e interpretação. A técnica de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) foi escolhida para ser aplicada na mensuração dos impactos dos produtos, o chamado Product Environmental Footprint (PEF). Atualmente, a Comissão Europeia está avaliando como aplicar o PEF e seus resultados em suas políticas, podendo um dos caminhos ser a obrigatoriedade de sua aplicação para determinados produtos comercializados no bloco europeu no futuro próximo.

Um dos produtos contemplados nos estudos-piloto do PEF na iniciativa europeia é a carne bovina, indústria responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por 9% das exportações do país (CEPEA, 2018, 2019; IBGE, 2018; MARTELLO, 2018). Embora o mercado europeu represente apenas 11% do total da carne brasileira exportada em termos de faturamento e 7% em volume (ABIEC, 2019), o Brasil é o maior fornecedor da União Europeia em volume, atendendo a 41,5% da demanda do bloco (EUROPEAN COM- MISSION, 2019). A obrigatoriedade de avaliação ambiental para a carne brasileira tem potencial de impactar diferentes elos da cadeia produtiva, desde os fabricantes de insumos, passando pela produção pecuária, pela indústria frigorífica e pela atividade logística. Assim, pode representar uma ameaça ou uma oportunidade para a competividade dos produtos nacionais no mercado europeu, a depender do grau de preparação do setor para as novas exigências.

É nesse contexto que se insere o projeto Pegada de Carbono da Carne Bovina Brasileira (PCCBB). Conduzido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) e financiado com recursos próprios da FGV, o projeto PCCBB buscou analisar a relação entre a pegada de carbono (PC) da carne e seu potencial exportador para a UE, correlacionando esses aspectos com as demandas de mercados internacionais por informações ambientais de produtos. O projeto mensurou as emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas diversas etapas do ciclo de vida dos produtos bovinos brasileiros exportados para a UE utilizando a técnica de avaliação de ciclo de vida.

O presente documento sintetiza, portanto, os resultados do projeto PCCBB, que inclui dados sobre a pega- da de carbono da carne exportada para a UE, reflexões sobre as questões da exportação, recomendações para o setor e aprendizados de ordem técnico-metodológica e também prática. Os sistemas de produto analisados no PCCBB foram: (A) carne in natura produzida no Brasil (geral); (B) carne in natura produzida no Brasil e exportada para o mercado europeu; (C) carne in natura produzida no Brasil e exportada para o mercado europeu via Cota Hilton; e (D) carne in natura produzida no Brasil com boas práticas ambientais em programa estruturados.

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