Plataforma digital AdaptaCLIMA é apresentada ao público

Importância do conhecimento como insumo para adaptação à mudança do clima é destacada no lançamento da Plataforma AdaptaCLIMA em evento no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília 13/12/2017
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Apresentação da Plataforma AdaptaCLIMA (Roberta Boccalini/GVces)

Por Bruno Toledo (GVces)

Tempestades mais fortes, estiagens mais intensas, desastres mais frequentes. Os eventos climáticos extremos desafiam o que se entende como normalidade no contexto da mudança do clima. Mais importante, o aumento de sua intensidade e frequência indicam que alguns efeitos do aumento da temperatura média do planeta nas últimas décadas já são irreversíveis e precisam ser enfrentados de maneira planejada e articulada. Caso contrário, as perdas humanas e materiais decorrentes desses desastres serão cada vez maiores.

Essa urgência vem servindo como combustível para que a adaptação ganhe espaço dentro da agenda sobre mudança do clima nas esferas política, econômica e social nos últimos anos. Governos, empresas e cidadãos buscam cada vez mais aproximar esforços para desenvolver e implementar estratégias de adaptação nos âmbitos global, nacional e local. É nesse contexto que emerge uma questão importante para viabilizar esses esforços - o acesso à informação confiável de maneira simples e compreensível.

Para preencher essa lacuna, um conjunto de organizações no Brasil e no Reino Unido se uniu para desenvolver uma plataforma digital de conhecimento sobre adaptação à mudança do clima, capaz de fornecer informação técnica de qualidade para orientar estratégias em diferentes níveis e atores.

O produto final deste esforço foi apresentado no dia 07 de dezembro, em evento especial no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília/DF – a Plataforma AdaptaCLIMA.

Articulação de diferentes atores em prol da agenda de adaptação no Brasil

A AdaptaCLIMA tem como objetivos sintetizar e disponibilizar informações e ferramentas já existentes em áreas temáticas prioritárias da agenda no Brasil, conectando provedores e usuários de conhecimento, fomentando a troca de informação e construção de parcerias, além de promover a produção de conhecimento a partir de lacunas identificadas e conexões estabelecidas.

Esta Plataforma é resultado de um processo colaborativo que envolveu a participação de mais de 65 organizações no Brasil e no Reino Unido ao longo de dois anos de trabalho, liderado pelo MMA, o International Institute for Environment and Development (IIED), o Fundo Newton do Conselho Britânico e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces).

“A Plataforma AdaptaCLIMA é fruto da dedicação, capacidade e envolvimento de muitas organizações e atores no governo, sociedade civil e academia”, destacou Mario Monzoni, coordenador-geral do GVces. “Não é mais possível prever o futuro a partir do passado quando falamos em clima. Episódios como a crise hídrica no Sudeste e as tempestades tropicais mais intensas não são pontos fora da curva: a curva mudou. Daí a importância desse trabalho, com o envolvimento de tantas pessoas”.

Mariana Nicolletti (GVces) apresenta o processo de desenvolvimento da Plataforma AdaptaCLIMA durante evento de lançamento

Para Tom Bigg, diretor de parcerias do IIED, um dos aspectos mais relevantes desta iniciativa está “na conexão de diferentes organizações, com interesses e escopos de ação diversos, em torno da agenda da adaptação à mudança do clima no Brasil”.

A gestão da AdaptaCLIMA será feita pelo MMA, que será o responsável por abastecer a plataforma digital e manter a articulação entre os atores-chave envolvidos no processo de desenvolvimento da ferramenta.

"Esta Plataforma é central para que possamos atingir os objetivos do Plano Nacional de Mudança do Clima", destacou Everton Lucero, secretário de mudança do clima e florestas do Ministério. "A AdaptaCLIMA servirá como canal de comunicação entre quem produz e quem utiliza o conhecimento, aproveitando os benefícios da parceria de cooperação entre Brasil e Reino Unido em matéria de clima e desenvolvimento sustentável".

A importância desta Plataforma para a gestão pública e privada no contexto da mudança do clima foi reforçada por Julia Knights, diretora do Fundo Newton do Conselho Britânico no Brasil, durante o lançamento da AdaptaCLIMA. "Esperamos que esta iniciativa possa orientar a tomada de decisão sobre riscos climáticos e mitigar seus impactos sobre os governos e as pessoas", disse Knights.

Conhecimento como insumo e incentivo para ação em adaptação

O processo de desenvolvimento da AdaptaCLIMA reuniu organizações de diferentes campos e esferas de atuação no Brasil e no Reino Unido. Centros de pesquisa científica, órgãos governamentais, empresas e entidades não governamentais, entre outros, se envolveram na construção da Plataforma com o objetivo de gerar uma ferramenta prática e útil para os diferentes atores, geradores e consumidores de conhecimento. Esse cuidado é importante, principalmente se considerarmos a diversidade de atores entre e dentro desses grupos.

Um caso importante é o poder público municipal, uma esfera governamental ainda distante dos debates políticos sobre mudança do clima. "Os municípios em geral ainda enxergam mudança do clima com algum ceticismo", apontou Cezar Capacle, secretário-executivo da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma). De acordo com ele, mais de 60% de 1 mil prefeituras que responderam ao censo recente da Anamma sobre o tema afirmaram que não tinham uma estratégia relacionada a clima em suas cidades.

Da esquerda para direita: Cezar Capacle (Anamma), Laura Albuquerque (CEBDS), Katerina Trostmann (WRI Brasil), Nelcilândia Oliveira (MMA), e Mariana Nicolletti (GVces)

Ferramentas como a AdaptaCLIMA podem ser importantes para "desmistificar" o assunto da mudança do clima e facilitar a construção de parcerias para descentralizar e facilitar ações de adaptação. "Não estamos falando de uma agenda a mais para a gestão ambiental, mas de uma agenda central dessa gestão", disse Capacle.

No plano federal, a AdaptaCLIMA se insere dentro de um esforço mais amplo de promover a construção de políticas públicas de maneira colaborativa, envolvendo diferentes atores, argumentou Nelcilândia Oliveira, da Coordenação Geral de Ações em Mudança do Clima do MMA. "Esta plataforma cumpre um dos principais objetivos do Plano Nacional de Adaptação (PNA), que é a indução do processo participativo na gestão do conhecimento, além de orientar esforços para resolver as lacunas de conhecimento sobre incertezas de impactos e riscos".

Para a iniciativa privada, a AdaptaCLIMA pode ser uma fonte importante de conhecimento para fundamentar estratégias de adaptação à mudança do clima nas empresas brasileiras. "O acesso à informação é o principal papel desta Plataforma para os gestores empresariais", apontou Laura Albuquerque, coordenadora da Câmara Técnica de Energia e Mudança do Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Já para o Terceiro Setor, a facilitação do fluxo de conhecimento no tema de adaptação pode trazer benefícios individuais e coletivos para as organizações da sociedade civil, apontou Katerina Trostmann, analista de pesquisa sênior do World Resources Institute (WRI) no Brasil. "Iniciativas e ações do Terceiro Setor em adaptação à mudança do clima poderão ganhar escala, construindo novas conexões e parcerias com outros atores em diferentes regiões".

Saiba mais sobre a Plataforma AdaptaCLIMA em adaptaclima.mma.gov.br

Fotos: Roberta Boccalini/GVces