Publicação aquece debate sobre proteção ao bioma amazônico

Lançamento do livro “Madeira de ponta a ponta: O caminho desde a floresta até o consumo” provoca debate sobre ilegalidade na cadeia da madeira, desmistifica o seu uso como matéria-prima e destaca o papel do governo na proteção das florestas 18/11/2011
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“Tenho vergonha de dizer que sou madeireiro”, assim um integrante da platéia iniciou sua fala direcionada aos participantes do debate promovido na ocasião do lançamento do “Madeira de ponta a ponta”. Muitos ainda vivem o mito da madeira como grande vilã na causa dos desmatamentos da Amazônia e por isso evitam o seu uso e consumo. O que parte dessas pessoas ainda não sabe é que a madeira pode ser a uma aliada e tanto para a conservação do bioma.

Estimulada pelo ouvinte que expressou sua angústia, a bancada de especialistas, gestores públicos e empresários, demonstrou as vantagens do uso da madeira como matéria-prima quando comparado a materiais como o plástico, o aço, o cimento e outros de origem não renovável ou que demandam muita energia para a sua fabricação. “A grande vantagem da madeira, além da propriedade de fixar carbono em longo período de tempo, é a quantidade de energia utilizada para o seu beneficiamento”, afirma Estevão Braga, do WWF-Brasil. “Já o aço, por exemplo, consome uma quantidade quase 750 vezes maior, que é gerada, na maioria das vezes, a partir do uso do carvão vegetal”.

Robson Prado, da Ecolog, empresa do ramo madeireiro diz que é possível explorar para preservar: “O manejo de baixo impacto e certificado é uma maneira correta de incentivar as boas práticas mostrando para o consumidor final que o uso da madeira é uma forma de preservar a Amazônia.” Este foi apontado como o grande gargalo da exploração madeireira no cenário de uso sustentável e que tanto tem desafiado o poder público. O manejo sustentável em áreas legais na região amazônica tem evidenciado uma grande oportunidade de uso da madeira como alternativa à construção civil e, principalmente, para as compras responsáveis dos governos estaduais e municipais. Alguns estados e municípios tem apresentado avanços no manejo de suas florestas, como é o caso do Acre, e na adoção de um sistema de compras sustentáveis, como é o caso do Estado de São Paulo e da capital paulista, referência em políticas de contratações e compras de madeira de origem legal.

Questões sobre fiscalização, controle no transporte e contratações públicas foram temas que também permearam o debate e a oficina de trabalho promovida para os membros da Rede Amigos da Amazônia. A proposição de políticas públicas voltadas ao tema madeira foi o foco central e fomentou uma importante discussão sobre a legislação que rege, além da proteção à floresta e uso e comercialização da madeira, questões como governança, gestão e a utilização da certificação como critério elegível nos processos licitatórios. “A certificação garante pro consumidor final a rastreabilidade daquele produto, ou seja, a origem. Ela não garante qualidade e sim rastreabilidade, assim a pessoa sabe que aquele produto veio de uma origem legal, de uma área documentada e com boas práticas de trabalho, e adequada social, ecológica e economicamente”, ressalta Robson Prado.

Sobre o livro

“Madeira de ponta a ponta: O caminho desde a floresta até o consumo”, lançado na última terça-feira (29) pela Rede Amigos da Amazônia, tem autoria do jornalista Sergio Deodato e faz um panorama abrangendo as florestas no mundo e seus serviços ambientais até os desafios e barreiras à produção e consumo responsável de madeira. São apontados os esforços no controle e aplicação de tecnologias para uma melhor gestão pública, buscando gerar menos conflitos na floresta, menos emissões de gases de efeito estufa e reverter a grande evasão fiscal decorrente da exploração madeireira ilegal.

A publicação documenta a prática madeireira na Amazônia e reflete sobre a importância de todos os atores envolvidos desde o manejo de áreas de extração até o uso da madeira legal e certificada pelo consumidor final. “Este é o primeiro passo que damos rumo à disseminação de informações sobre o consumo madeireiro no país e é uma tentativa bem sucedida, a meu ver, para a mobilização dos três setores da sociedade para as questão da conservação da Amazônia e fomento de novas políticas que contemplem a legalidade do uso da floresta”, conclui Malu Villela, secretária executiva da Rede Amigos da Amazônia.

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