Relatório traz desempenho das empresas em mapeamento e redução de emissões

Foi lançado ontem, 5/11, no auditório da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o relatório global para 2008 do Carbon Disclosure Project (CDP) e a versão específica sobre as empresas brasileiras. 06/11/2008
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Por Ricardo Barretto (GVces)

Foi lançado ontem, 5/11, no auditório da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o relatório global para 2008 do Carbon Disclosure Project (CDP) e a versão específica sobre as empresas brasileiras. O CDP é a maior coalizão de investidores do mundo, com mais de 385 signatários em 2008, somando uma base combinada de ativos de US$ 57 trilhões.

A sexta solicitação anual de informação do CDP foi encaminhada esse ano a mais de três mil empresas que representam as maiores capitalizações de mercado em todo o mundo. Quatro áreas principais foram abordadas: visão da administração sobre riscos e oportunidades que a mudança climática representa para os negócios; contabilidade das emissões de gases do efeito estufa; estratégia geral de redução das emissões / minimização de riscos e capitalização de oportunidades; e governança corporativa relativa às mudanças climáticas. Os relatórios lançados ontem sintetizam as informações encaminhadas por 1.550 empresas, 60 delas no Brasil.

“Essa iniciativa permite que o investidor faça opções conforme o comportamento da empresa em relação à emissão de gases do efeito estufa”, ressaltou Fabio Feldman, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, que conduziu o evento.

Panorama global

Para Paul Simpson, representante do Secretariado do CDP Londres que apresentou o Relatório Global 500 – sobre as 500 maiores empresas do mundo - o CDP ajuda a criar um padrão global de registro e mensuração das mudanças climáticas no mundo, o que além de facilitar o diálogo entre investidores e empresas, permite lidar com questões como taxação e regulamentação de iniciativas frente às mudanças climáticas, inovações tecnológicas e mudanças de atitude em relação a consumo e demanda.

O relatório revela que 55% das maiores empresas do mundo já fazem contabilidade de GEE com precisão e 41% delas têm meta de redução de emissões. Das 500 maiores empresas, 60 foram listadas no índice de liderança em relatórios de carbono (Carbon Disclosure Leadership Index), com a inclusão da Companhia Vale do Rio Doce como única representante brasileira.

Em relação a setores, Paul Simpson destacou as empresas de varejo como as de melhor participação, motivadas também pela imagem de suas marcas, e o setor de construção civil como um dos mais atrasados na adoção de medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Brasil

Simpson revelou que o Brasil, onde o Carbon Disclosure Project teve início em 2006, é um dos líderes em relatório no CDP, com 80% das empresas contatadas participando da iniciativa em 2008, índice que deixa o país atrás apenas do Reino Unido.

Ainda assim, Giovanni Barontini, representante da Fábrica Éthica Brasil, responsável pela facilitação do CDP América Latina, ressalta que há ainda que se avançar: “Existem oportunidades de melhoria na qualidade dos relatórios, na relação com a cadeia de valor, na governança climática e na verificação independente das informações prestadas.”

Atualmente, 50% das empresas participantes do CDP divulgam dados de emissão e 20% verificam seus dados externamente. Das sessenta empresas que encaminharam informações, 43% declararam possuir plano de redução de emissões e 21% participam ou pretendem participar do comércio de carbono.

Para Roberto Gonzáles - representante da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), assesor para Assuntos de Sustentabilidade da Apimec Nacional (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) e membro do Conselho do Fundo Ethical de Asset Management do Banco Real, ambos patronos do CDP Brasil - é importante que o discurso tenha correspondência na prática. “Temos o exemplo do Pacto Global, que é assinado por 600 empresas brasileiras, mas só 70 desenvolvem ações efetivas.”

Outra tendência importante verificada pelo CDP entre as empresas brasileiras é que 49% enxergam riscos regulatórios relacionados às mudanças climáticas e 77% percebem riscos físicos. De outro lado, 83% enxergam oportunidades regulatórias no tema e 57% avaliam existir oportunidades físicas relacionadas à mudança do clima.

Questão estratégia

“Empresas que aderem ao CDP se adiantam à perspectiva do poder público trazer marcos regulatórios para a questão climática no Brasil.” A avaliação é de Rachel Biderman, coordenadora adjunta do GVces, instituição que apóia o CDP Brasil. Nesse contexto, os presentes ao evento foram unânimes ao apontar que a adoção de metas internas nos diferentes países é uma tendência mundial e que o Brasil deve assumir essa posição o quanto antes.

“A colocação de metas garante a competitividade da economia brasileira à medida em que, entre outros fatores, tem que incorporar a dimensão tecnológica”, ressaltou Rachel. “Quem não avançar nessa corrida tecnológica vai ficar para trás, já que o futuro da matriz energética é a descarbonização.”

Os relatórios do Carbon Disclosure Project estão acessíveis em http://www.carbondisclosureproject.net/