Revista Página22 :: ed. 02 (outubro/2006)

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EDITORIAL - Conhece-te ou te devoro

O período eleitoral aproxima-se do fim, e uma das palavras mais recorrentes em debates e programas foi educação. Inescapável ao discurso eleitoreiro, o tema não divide opiniões quanto à relevância para os rumos do País e um futuro mais sustentável. Qualquer pessoa sã empunha a bandeira da educação como fator capaz de promover transformações qualitativas em todas as esferas da sociedade e permitir que o Brasil algum dia venha a exercer um protagonismo no mundo globalizado.

Mas o tema divide a sociedade quando se trata de colocá-lo em prática. Durante séculos, a sociedade brasileira negligenciou o acesso à educação às camadas mais pobres e ela se tornou um fino produto de consumo para privilegiados. A origem desse fenômeno pode ter traços coloniais, mas as conseqüências são atualíssimas, em especial para a educação básica pública, como mostra a reportagem de capa desta edição.

A educação até hoje patina na má gestão de recursos e na falta de uma política pública efetiva. As elites, que pagam escolas particulares, pouco interesse têm em cobrar a melhoria do ensino básico público, esquecendo-se de que os prejuízos se refletem para a sociedade como um todo.

Essas mesmas classes, referenciadas em ícones do mundo desenvolvido, acabaram dando as costas para as manifestações tradicionais da cultura brasileira. A riqueza de elementos culturais tem sido subvalorizada—dentro e fora das escolas—, o que prejudica a formação da identidade nacional e de um desenvolvimento que respeite a diversidade em todos os seus aspectos. Dentre as lições esquecidas pelo brasileiro, está a de conhecer a si mesmo.

Boa Leitura

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