Revista Página22 :: ed. 03 (novembro/2006)

COMPARTILHE

EDITORIAL - A escola da água

O último Relatório do Desenvolvimento Humano, divulgado no início de novembro, traz uma dramática análise da situação da água e do saneamento mundial. E demonstra que a crise “é, acima de tudo, uma crise dos pobres”. A morte de uma criança a cada 19 segundos fala por si só. No Brasil, a situação não é muito melhor: o País avançou no acesso à água tratada, mas apresenta um quadro vergonhoso no quesito saneamento.

Um mergulho na estrutura de ensino nacional dá boas pistas de como a sociedade chegou a problemas socioambientais dessa magnitude. Privilégio das classes abonadas, até a chamada educação de qualidade revelou-se incapaz de formar cidadãos aptos a aplicar o conhecimento na solução dos problemas da coletividade.

Mesmo nas escolas mais bem conceituadas, a educação para a sustentabilidade é um terreno inexplorado. Não se promovendo uma visão global das questões que envolvem o bem-estar comum, os alunos, de forma geral, aprendem no máximo a considerar o meio ambiente de maneira utilitarista e técnica, sem relacioná-lo ao cenário social e político. Sem colocá-lo no big picture.

A reportagem de capa desta edição mostra os efeitos dessa formação limitada. Apenas quando a água sobe até o pescoço, se começa a nadar: é assim que a indústria brasileira, por exemplo, tem lidado com a crescente escassez de recursos hídricos e todas as mazelas dela decorrentes.

Foi preciso que a água se transformasse em custo para que o setor privado começasse a dar valor a um elemento essencial à vida. Resta saber se a gestão da água continuará a ser vista como um problema de engenharia, ou passará a ser encarada como uma questão de toda a comunidade — local e global.

Boa Leitura

Acesso à publicação