Revista Página22 :: ed. 29 (abril/2009)

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EDITORIAL - Nó em pingo d’água

No momento em que esta edição entrava em gráfica, uma enorme faixa foi estendida na Ponte RioNiterói por ativistas do Greenpeace, pendurados em cordas, conclamando os líderes do G-20, reunidos em Londres, a considerar a construção de uma economia de baixo carbono como estratégica na busca de soluções para a crise financeira global. Foi mais do que um rapel engajado. O recado, lembrando os líderes mundiais que de as pessoas e a preocupação com as mudanças climáticas devem vir em primeiro lugar, não podia se dar em lugar mais simbólico para mostrar a necessidade de lançar as pontes entre economia, gente, clima e florestas.

Esta edição, sobre a água, também diz muito a respeito de pontes: mostra como esse elemento fluido permeia um sistema complexo interligado pelas crises climática, econômica, energética e social – como acesso a saneamento e água potável. Ainda que a política, formada por interesses conflitantes, insista em criar divisores. Em mais um encontro mundial, como o Fórum realizado em Istambul, o discurso da soberania fez o Brasil negar o direito humano à água. E, talvez por falta de visão estratégica, o País também desperdiçou a oportunidade de relacionar combate ao desmatamento, equilíbrio climático e conservação de água. No cenário doméstico, um moderno arcabouço legal para gestão dos recursos hídricos ainda se perde no pouco entendimento entre União e Estados, enquanto inovadoras experiências de pagamentos por serviços ambientais contam-se nos dedos.

Ao ligar os pontos entre água e clima, PÁGINA22 lança neste número (identificada com um selo) a primeira de uma série de reportagens preparatórias à 15ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP 15), a ser realizada em Copenhague, em dezembro, e da qual poderão sair acordos decisivos. Mas muito disso depende de que os líderes mundiais vejam as pontes e suas mensagens. 

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