Revista Página22 :: ed. 30 (maio/2009)

COMPARTILHE

EDITORIAL - Cabeças pensantes

Passada a era industrial, estaríamos vivendo, desde o final do século XX, sob o signo da informação. Na chamada sociedade do conhecimento, o combustível – desta vez renovável – são as ideias e o produto final, as soluções para o desenvolvimento, o bem-estar, a qualidade de vida.

Hoje, a humanidade mais que nunca vê a urgência de gerar conhecimento para lidar com complexas questões socioambientais de um mundo em crise. Nesta edição, escolhemos abordar temas cruciais permeados pelo problema da mudança climática, como energia e florestas, de modo a identificar quem está gerando informações valiosas nesses campos, e entender como e por que são – ou não – aplicadas.

A boa notícia é que grande parte desse saber tem brotado de forma, até pouco tempo atrás, insuspeitada. Organizações da sociedade civil assumem importantes papéis como geradoras de conteúdo, aptas a contribuir para a orientação de políticas públicas e a trocar conhecimento com a Academia. As tecnologias sociais mostram como as inovações, com repercussão na vida de milhares de pessoas, podem surgir de pequenas ideias locais. Povos tradicionais e indígenas revelam a importância do saber empírico para a sociedade moderna. As redes sociais, aliadas à tecnologia da informação, são capazes de criar uma novíssima plataforma de dados para alimentar e agilizar a produção de conhecimento voltado para a sustentabilidade.

E, como mostra a entrevista com o cientista sul-africano Guy Midgley, a maior geração de conhecimento no eixo Sul-Sul e sua interligação com o Hemifério Norte se fazem essenciais para compreender as equações da mudança climática e da biodiversidade. Para desafios do tamanho do mundo, precisamos do mundo todo. 

Acesso à publicação