Revista Página22 :: ed. 32 (Julho/2009)

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EDITORIAL - Viva a diferença

Toda revolução, ou tentiva de revolução, busca um rosto que personalize o movimento. Um rosto capaz de sensibilizar as pessoas, de correr o mundo e de fortalecer sua identidade em torno de uma expressão, aquela que só os olhos podem dar. Assim Neda Agha Soltan, morta em junho durante os protestos da população iraniana contra os resultados de sua eleição presidencial, expressou a indignação da minoria esmagada pela milícia Basiji pró Mahmoud Ahmadinejad. Sobretudo da minoria jovem, da minoria mulheres, da minoria que sonha em quebrar o monopólio teocrático por meio dos democratizantes canais de comunicação — celulares, blogs, twitters, videocasts —, ainda que em uma internet restrita e vigiada.

Qualquer paralelo com a realidade brasileira soaria exagerado, país democrático que somos. Um olhar mais atento, entretanto, revela que a nação da biodiversidade, da miscigenação, aquela que acolhe os imigrantes, que produz uma cultura tão colorida e diversificada encobre outra realidade. A realidade do preconceito generalizado, da intolerância com a diferença, da economia calcada em monoculturas, do monolito político formado por grupos e guetos que rechaçam a diversidade de pensamentos e opiniões e levam a população à apatia e à descrença em relação à política.

Nesta edicção, mostramos, contudo, os feixes de luz que saem dos olhos de movimentos sociais, das manifestações espontâneas, das redes reais que se formam e se fortalecem por meio da tecnologia da informação. O ambiente corporativo também descobre aos poucos o bom negócio da diversidade. As minorias estão crescentemente atentas a seus direitos civis. O mundo, a cada dia mais interconectado, mimetiza a teia ecossistêmica da natureza. Quanto mais complexa e diversa a rede, mais forte e indestrutível ela será.

Boa leitura

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