Seminário “A contribuição de instrumentos de precificação de carbono para a implementação da NDC brasileira, com ênfase no papel das florestas”

20/08/2018
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No dia 14 de agosto de 2018, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGVces), com a coorganização do Environmental Defense Fund (EDF), hospedou o Seminário “A contribuição de instrumentos de precificação de carbono para a implementação da NDC brasileira, com ênfase no papel das florestas”, em parceria com a Plataforma Empresas Pelo Clima (EPC) e apoio do Observatório do Clima (OC).

O evento teve por principal objetivo compartilhar experiências sobre o papel de instrumentos de precificação de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para o cumprimento de metas nacionais de redução de emissões. Tratando-se especificamente do caso brasileiro, especial atenção foi dada aos possíveis pontos de inserção e formas de interação do setor florestal com tais instrumentos.

A alteração das dinâmicas recentes em direção a um cenário de desmatamento (líquido) zero não deve ocorrer sem promoção de desenvolvimento econômico, em particular na Amazônia, com o emprego de mecanismos que valorizem a floresta em pé. Se a razão do desmatamento é de ordem econômica, a resposta para reduzir o problema também será econômica, papel a ser cumprido pelos instrumentos de precificação.

Entre exemplos positivos destaca-se a experiência do estado do Acre, que nos últimos 12 anos conseguiu reduzir o desmatamento em 77% e vem buscando alcançar uma matriz produtiva diversificada, com incentivos para a atividade madeireira e não madeireira com manejo florestal de baixo impacto. Permanece, no entanto, o desafio de migrar de um modelo atualmente baseado em doações ou empréstimos para um em que as atividades de manejo sustentável se retroalimentem e gerem os recursos necessários para sua própria continuidade.

Em nível empresarial também há boas práticas, além de estudar e buscar se antecipar a possíveis regulações, por exemplo por meio de Simulação de Comércio de Emissões, algumas empresas já incorporam ações de redução de emissões de GEE como parte de suas estratégias corporativas, mapeando oportunidades de mitigação e engajando seus fornecedores, como nos casos apresentados de Votorantim Cimentos, Natura e Suzano Papel e Celulose.

Como lição geral do Seminário, resta clara a noção de que o Brasil possui uma vantagem comparativa no que diz respeito à provisão de bens e serviços ambientais (biocombustíveis, energias renováveis, conservação) e poderia auferir ganhos caso participasse de mercados de emissões de GEE. Mais do que isso, a adoção de critérios rigorosos (de sustentabilidade) em nível internacional exacerbaria tal vantagem brasileira.