Vinte instituições financeiras fazem compromisso ambicioso sobre o capital natural

Iniciativa internacional que tem a FGV como parceiro ganha apoio ainda maior do setor financeiro às vésperas da Rio+20 04/05/2012
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A Declaração do Capital Natural, que será lançada na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Brasil em junho, é um compromisso do setor financeiro de trabalhar em direção à integração dos critérios de capital natural em produtos e serviços financeiros.

Com a adesão dos CEOs da Standard Chartered (Reino Unido), Nedbank (África do Sul) e da International Finance Corporation, um membro do World Bank Group, subiu para 20 o número de signatários da Declaração de Capital Natural.

Os novos signatários juntaram-se aos CEOs de instituições financeiras da Austrália, Equador, Itália, México, Países Baixos, Nova Zelândia, Paraguai, Ilhas Britânicas e dos Estados Unidos.

O anúncio sobre os últimos signatários veio no último dia 2 de maio com o Sr. Bas Ruter, Diretor de Sustentabilidade do Rabobank, também signatário da NCD, que falou sobre a Declaração em um evento de alto nível no Natural Wealth Accounting em Nova York, co-patrocinado pelos governos de Botswana e França, pelo Banco Mundial e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN-DESA, na sigla em inglês).
O evento é parte de uma quinzena de negociações que acontece nessa semana para levar informações à Conferência Rio+20.

Lars Thunell, Vice Presidente Executivo e CEO da International Finance Corporation (IFC) disse: “A IFC está firmemente comprometida em proteger o meio ambiente. A recente atualização dos Padrões de Performance da IFC em Meio Ambiente e Sustentabilidade Social reflete nosso reconhecimento sobre o valor dos recursos naturais e suas contribuições para a vida das pessoas. Por isso, estou muito contente em ser signatário dessa declaração e pela IFC em participar na liderança das instituições financeiras que estão a par dessas importantes questões.”

Andrew Mitchell, Fundador e Diretor Executivo do Global Canopy Programme , um dos convocadores do NCD, disse: “Endossando a Declaração do Capital Natural, os CEOs estão demonstrando suas lideranças e comprometimento para começar a entender o valor dos recursos naturais e serviços que eles proporcionam.”

“Isso é parte de uma tendência mais ampla entre os governos, empresas, e agora o setor financeiro, em levarem em conta cada vez mais, os riscos e oportunidades relacionados ao rápido desaparecimento do capital natural.”

Líder temporária da UNEP FI, Yuki Yasui disse: “Lançando a Declaração do Capital Natural na RIO+20, nossa mensagem para a cúpula de negociadores e delegações governamentais é de que o setor financeiro está pronto para dar o próximo passo no caminho inteligente da finança sustentável, e que ele convoca os tomadores de decisão a pôr em prática as condições favoráveis para facilitar esse processo.”

A Declaração também convoca os governos nacionais a desenvolverem um quadro político favorável para dar suporte e incentivar organizações – incluindo instituições financeiras – a valorizar e reportar o uso de capital natural, e, assim, trabalhar no sentido de internalizar os custos ambientais.

Capital Natural engloba recursos como solo, água, ar, flora e fauna, bem como os serviços ecossistêmicos a eles associados e que tornam possível a existência da vida humana. Para Roberta Simonetti, coordenadora do programa Finanças Sustentáveis do GVces, nem estes serviços, nem o estoque de Capital Natural que os provêm, são adequadamente valorados e comparados aos capitais financeiro e social. "Por ser fundamental para a existência e bem estar da sociedade, o uso cotidiano do Capital Natural deve estar visível ao sistema econômico para viabilizar seu uso de maneira sustentável", afirma Simonetti.

Para mais informações sobre a iniciativa e a lista completa de signatários, acesse www.naturalcapitaldeclaration.org.

Sobre os parceiros da iniciativa:

UNEP FI é uma parceria global entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o setor financeiro. Mais de 200 instituições, incluindo bancos, seguradoras e gestoras de fundos, trabalham com o PNUMA para compreender os impactos de questões ambientais e sociais na performance financeira.

Global Canopy Programme é uma aliança de instituições científicas de todo o mundo, que aplica a inteligência sobre florestas tropicais para proteger as florestas e os serviços ecossistêmicos vitais que elas oferecem para a humanidade. O GCP é um think-tank e catalizador, que testa ativamente formas inovadoras de proteger as florestas tropicais em uma economia globalizada que ainda as valoriza mais quando estão mortas do que quando estão vivas.

Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) é um espaço aberto de estudo, aprendizado, reflexão, inovação e de produção de conhecimento, composto por pessoas de formação multidisciplinar, engajadas e comprometidas, e com genuína vontade de transformar a sociedade. Sua missão é expandir continuamente as fronteiras do conhecimento contribuindo para um desenvolvimento sustentável, no âmbito da administração pública e empresarial. O GVces trabalha no desenvolvimento de estratégias, políticas e ferramentas de gestão públicas e empresariais para a sustentabilidade, no âmbito local, nacional e internacional. Seus programas são orientados por quatro linhas de atuação: (i) formação; (ii) pesquisa e produção de conhecimento; (iii) articulação e intercâmbio; e (iv) mobilização e comunicação.