Workshop do ISE apresenta mudanças do indicador para a próxima carteira

Adoção do item mudanças climáticas no questionário e ampliação do convite às empresas listadas são algumas novidades 12/03/2010
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A BM&FBOVESPA realizou hoje o workshop Índice de Sustentabilidade Empresarial 2010, que marcou o início do calendário de atividades para o ano e apresentou também as iniciativas especiais de 5 Anos do ISE. Participaram do evento o diretor presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto; a diretora de Sustentabilidade da companhia, Sonia Favaretto; o consultor especial do Ministério do Meio Ambiente sobre mudanças climáticas, Tasso Azevedo; e o coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, Mario Monzoni. Houve ainda depoimentos de representantes das Indústrias Romi e SulAmérica, que passaram a integrar a atual carteira. 


Para Edemir Pinto, a sustentabilidade se tornou um assunto imprescindível em todas as agendas corporativas, e isso não exclui a própria BM&FBOVESPA. “Esse compromisso está no nosso DNA”, afirmou, enfatizando a criação de uma diretoria exclusiva para cuidar desta área dentro da bolsa, reportando-se diretamente à presidência. Também mencionou a adesão da bolsa, na semana passada, aos Princípios para o Investimento Responsável (PRI), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em conjunto com os grandes gestores de recursos e demais agentes dos mercados de capitais e financeiro. Por fim, citou a criação do Índice de Carbono Eficiente como mais um exemplo que comprova o papel da bolsa de indutora de boas práticas socioambientais para as demais empresas.

Na apresentação de Mario Monzoni, os destaques ficaram por conta das mudanças previstas pelo Conselho do ISE, já válidas para a composição da próxima carteira. São elas:

  • ampliação da quantidade de empresas convidadas para compor o ISE, atingindo agora as emissoras das 200 ações mais líquidas da Bolsa. Até então, esse número era limitado às detentoras das 150 ações com maior liquidez;
  • convergência do questionário do ISE às eventuais perguntas semelhantes presentes no GRI (Global Reporting Initiative), com objetivo de facilitar seu preenchimento pelas companhias que já adotam essa metodologia internacional;
  • adoção de uma nova dimensão, sobre iniciativas relacionadas às mudanças climáticas, nos critérios de seleção do indicador;
  • pronunciamento público nos casos em que houver uma decisão extraordinária do Conselho do ISE, isto é, nas questões que forem além dos relatórios hoje enviados às empresas.


Reavaliação – Na avaliação de Sonia Favaretto, neste momento em que o ISE completa meia década, nada melhor do que fazer um balanço sobre os acertos e os erros do indicador. Nesse contexto, a diretora de sustentabilidade da BM&FBOVESPA irá convidar para um debate sobre o tema, ao longo deste primeiro semestre, os profissionais das áreas acadêmica, corporativa, de gestão e investimentos, além de jornalistas e os próprios colaboradores da Bolsa. O resultado dessas discussões será transformado numa publicação a ser distribuída no final de 2010, durante evento internacional promovido pela Bolsa.

O workshop contou ainda com os depoimentos do vice-presidende corporativo e de Relações com Investidores da SulAmérica, Arthur Farme, e do gerente jurídico-societário e de relações institucionais das indústrias Romi, André Romi. “Nossa expectativa, antes de saber se seríamos ou não incluídos na carteira, lembrava a de um estudante prestando vestibular. Estudamos muito, fizemos nossa lição de casa na certeza de que o resultado viria”, brincou Farme. Segundo ele, os resultados do questionário foram utilizados na atualização do plano de ação da SulAmérica e o ISE se transformou num instrumento de gestão da companhia. Já Romi definiu o preenchimento do questionário como um ótimo meio de diagnosticar as ações da companhia. “Não tenho dúvidas de que valeu à pena”, sentencia.

O evento foi encerrado com a palestra de Tasso Azevedo, consultor especial do Ministério do Meio Ambiente sobre mudanças climáticas, trazendo uma explicação didática sobre os pontos discutidos na CPO-15 e as razões de não ter sido fechado um acordo entre os países participantes. “Na Dinamarca, os governos perderam a última oportunidade de definir sua pauta para a redução de gases do efeito estufa. Agora, é a vez de serem pautados pela sociedade”, concluiu.