Workshop explica curvas de custo marginal de abatimento de emissões

EPC promove palestra com especialistas sobre MACC, conceito importante para a compreensão dos impactos de políticas públicas de mitigação de mudanças climáticas nas empresas 01/06/2012
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Workshop sobre curvas de abatimento de emissões

Bruno Toledo

 
A Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) promoveu no último dia 29 de maio um workshop para suas empresas-membros com o propósito de explicar de forma simples e compreensível um instrumento que vem adquirindo importância crescente no cenário de uma economia de baixo carbono: as curvas de custo marginal de abatimento de emissões, ou MACC (marginal abatement costs curves). O workshop contou com a participação de dois especialistas em MACC do Environmental Defense Fund (EDF), Oleg Lugovoy e Ruben Lubowski.
 
De forma objetiva, MACC é um instrumento analítico que procura identificar o custo da redução de determinada quantidade de gases de efeito estufa. São curvas de oferta que apontam o potencial de redução das emissões e o respectivo custo de cada tecnologia de redução. “As curvas de custo marginal de abatimento têm se tornado uma ferramenta importante na tomada de decisão dentro dos governos e das empresas no contexto de um mercado de carbono e da construção de uma economia de baixo carbono”, aponta Guarany Osório, coordenador do Programa Política e Economia Ambiental (PEA) do GVces. “Esta é uma ferramenta que pode orientar tanto as decisões de investimento das empresas em tecnologias que sejam menos emissoras de GEE como as políticas públicas no estabelecimento de metas de redução destas emissões”.
 
As curvas são obtidas a partir de modelos matemáticos que simulam as dinâmicas econômicas e de mudanças climáticas, de forma a permitir a comparação redução das emissões X custo da redução de diferentes opções de redução. Neste sentido, MACC é uma ferramenta mais prática do que teórica, de aplicação na realidade de uma empresa, de um setor econômico ou da própria economia em si. Enquanto instrumento prático, o MACC possui uma variedade de modelos e de abordagens metodológicas. Em específico, podemos apontar duas linhas frequentes de modelos de MACC, que se diferem basicamente pelo nível de detalhe das informações analisadas. “Por um lado, temos os modelos bottom-up, que analisam desde a base da economia até seus níveis mais altos, que enxergam as firmas e as suas tecnologias, num tipo de análise mais próxima da própria engenharia”, explica Pedro Canelas, pesquisador do GVces. “Por outro, temos os modelos top-down, que promovem uma análise mais conjuntural, macroeconômica, observando o sistema como um todo”. Os modelos bottom-up tem um potencial maior por ser mais detalhado e próximo da realidade, mas seus custos com o levantamento de informações também são maiores. Já os modelos top-down têm custos menores, mas se limitam a uma análise conjuntural que pode ignorar aspectos importantes do sistema. Por isso, estão surgindo alguns modelos híbridos, que aproveitam ferramentas e insumos de cada tipo de modelo, de acordo com a necessidade da análise.
 
Se por um lado esta variedade de modelos pode ajudar na consolidação do MACC enquanto ferramenta analítica de tomada de decisão sobre redução de emissões, por outro ela dificulta seriamente estudos comparativos entre os modelos de MACC. Segundo Gabriel Lima, também pesquisador do GVces, “a diversidade metodológica influencia na variedade de resultados possíveis de cada modelo de MACC, e isso dificulta uma comparação analítica entre eles”.
 
No Brasil, a aplicação de MACC ainda é limitada. “Nenhuma metodologia foi detalhada o suficiente para garantir uma análise robusta de cenários em função das políticas públicas nacionais”, aponta Canelas. A utilização das curvas de custo marginal de abatimento também precisa levar em consideração o contexto econômico brasileiro, seus aspectos e suas necessidades. “Um modelo ideal para a realidade brasileira precisaria de um grande detalhamento tecnológico, da construção de múltiplos cenários, de uma maior flexibilidade na alteração de diferentes parâmetros e premissas, inclusive com a inclusão de premissas mais próximas da realidade dos países em desenvolvimento”, argumenta Canelas. No entanto, a pouca disponibilidade de dados, a escassez de recursos humanos e o costume ainda restrito de utilizar ferramentas de análise de impactos em políticas públicas podem dificultar a aplicação de MACC e o aproveitamento de seus resultados no Brasil. Estes obstáculos precisam ser superados pelo país, já que MACC pode ser uma ferramenta importante na análise do impacto de políticas públicas sobre a economia e na construção de políticas que sejam eficientes em termos climáticos, sociais e econômicos no longo prazo.
 
Veja aqui os slides das apresentações feitas pelos pesquisadores do GVces e por Oleg Lugovoy e Ruben Lubowski, do EDF.
 
Fotos: Luiza Xavier (GVces)